Interessante observar como as pessoas são preocupadas. Numa vida efêmera, da qual, sabemos, nada levaremos para o além, é absurdamente irracional a infinidade de perspectivas que cada qual indica à sua vida.
Não é necessário, claro, pregar niilismo. A compreensão e aceitação de que nossa história acaba a qualquer momento é a mais cruel resposta que as pessoas gostariam de receber. A religião, a filosofia clínica, os livros de auto-ajuda, a televisão, tudo direciona a mente humana pra solução de problemas e a busca de novos interesses. E neste ambiente em que cresce-se com a pressão para ser "alguém na vida" - o mais tolo dos jargões -, a sociedade acaba por cair numa depressão coletiva, um sentimento cru e pessimista ao constatar a que vida é tão cheia de responsabilidades quanto contrariedades.
"A vida é um acidente de trajeto", alguém já deve ter dito isto. Levá-la a sério é algo que se deve pelo menos ignorar, mas desconsiderá-la definitivamente seria falta de bom senso. Viver é bom, apesar dos pesares. Adquirir conhecimentos, aprazerar-se, tentar construir algo que fique para a posteridade. Fazer marcar a nossa passagem. Nada mais bonito. Quando há ciência de que ao final de tudo não partiremos "desta pra melhor", há o contrário do que imaginam (a quem coloca os niilistas numa posição de seres marginalizados e depressivos): vive-se mais intensamente, e mais qualitativamente.
Sem certezas, sem motivos nem objetivos. Viver é o mais importante. Tal como Epicuro ensinava, a ausência de dores e quaisquer formas de apreensão são os principais ditames para se ter uma vida saudável e consciente. Desde muito jovem, eu vez por outra sonho com uma menina, boêmia, que só sabe beber e dar conselhos. Sonhei com ela, esta noite, e com uma das frases que esta adorável proxeneta já me disse mais de uma vez, encerro o post.
"A única preocupação deve ser a convivência".
Um comentário:
"Viver assim é um absurdo como outro qualquer
Como tentar o suicídio ou amar uma mulher".
"As piores dificuldades nos oferecem as melhores portunidades. No passado, existiram sábios rodeados de todo tipo de comodidades, sem dificuldades de espécie alguma. Esses sábios, querendo aniquilar o Eu, tiveram de criar situações difíceis para si mesmos. A convivência é um espelho de corpo inteiro onde nos podemos ver tal como somos e não como parentemente somos. A convivência é uma maravilha. Se estivermos bem atentos, poderemos descobrir a cada instante nossos defeitos mais secretos. Eles afloram, saltam fora, quando menos esperamos..."
http://www.gnosis.org.br/_sawpage/livros/rev_dialetica/escravidao.htm
De certa forma somos escravos de uma anti-convivência, por achar q estamos bem, da forma q nos encontramos,sentados várias horas....não vivemos como poderíamos viver!
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