quarta-feira, 29 de agosto de 2007

JOGADOR ESPANHOL MORRE VÍTIMA DE FALÊNCIA MÚTIPLA DOS ÓRGÃOS APÓS DESMAIAR EM CAMPO

"Foi um choque brutal para mim quando soube.
Não entendo como o coração de uma pessoa tão sadia como
um atleta que treina diariamente
possa falhar.
Sinto uma grande dor pelo falecimento de Puerta.
Era um garoto alegre, uma pessoa muito boa.
Atuei com ele quase um ano, todos gostavam muito dele.
Era um grande jogador."
Júlio Baptista - jogador do Real Madrid

hum...


Um atleta que treina diariamente...
será que ninguém percebe a razão do problema?

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Uma inquietante viagem de táxi pela madrugada

As duas baratas roendo o banco do carro normalmente seria algo que me deixaria embaraçado ao notar, mas pouco chamou a minha atenção na última vez em que tomei uma viagem de táxi. Isto porque o que eu mais queria, que era tão-somente aconchegar-me na poltrona de casa e beber até dormir, parecia o fator mais inalcançável aquela madrugada.

Lembro-me que quando sentei no banco, falei para o motorista: "toca pra BR-101!" De onde eu estava, à beira da estação ferroviária da Cidade Baixa, chegar à BR-101 de táxi, eu sabia, comeria uns bons trocados. Porém, eram 3h da manhã, os ônibus demorariam a aparecer e não haveria trem naquele dia. Um táxi, uma vez na vida, não faria mal. O motorista nada disse, apenas abriu caminho entre os largos do Centro. Eu estava sentado no banco traseiro, muito deteriorado, com uma gosma já meio endurecida no encosto, como de alguém que tivesse posto algo pra fora ali. O mal cheiro consumia o ambiente. Havia algo como uma cortina fechando minha visão pro lado da frente (nem de longe lembrava uma limusine; era um Corsa já a cair os pedaços). Querendo me esquecer de que estava num concentrado de fezes e vômito, puxei conversa, de modo não muito simpático, é lógico:

- O que me parece é que seu carro tá meio acabado, não acha irmão?

- Não sou teu irmão, guri.

- Tá, e o que me diz do que eu acho?

- Não me importa o que você acha. É desconto que você quer? Vá se danar! Ou se cala ou paro o carro e te deixo aqui mesmo!

Eu não queria confusão, apesar de estar meio cabeça-quente à hora. Também não queria ficar ao relento mais tempo do que já passara naquela madrugada que chegava ao fim. Mas meio sem saber o que fazia, eu lhe perguntei:

- Você dorme neste antro, não é?

- Tá me provocando, guri?

- Qual é, velho? Vai me negar tua natureza?!

O motorista parou o táxi e me mandou descer. Eu disse, é claro, que não desceria. Cheguei a ameaçá-lo: "ou você me leva ao meu destino ou vai se dar mal..." mas eu também não assustava ninguém, naquele momento. Falei, então, que só sairia dali se fosse obrigado.

- Tá bem guri, não fique exaltado. Acho que tem algo pra você aí onde você tá sentado, tome uma dose e cale sua boca. - Foi o que me disse, mudando o tom e oferecendo o litrinho que já se escondia no estofado rasgado do banco. Não restava, no pote, destilado suficiente para mais que três goles. Apesar de eu estar com uma vontade enorme de beber ou comer qualquer coisa, recusei a oferta. O rótulo já demonstrava pequenas ranhuras, fáceis de deduzir que seriam das baratas ou dos camundongos que deviam viver por ali. Além de o gargalo estar trincado, parecia também bem sujo. Nitidamente, era de algum cliente anterior, que provavelmente teria voltado a beber depois de vomitar todo o carro.

A viagem seguia e o motorista não parecia apressado. Pude ver que não era culpa dele; realmente o pretenso veículo não tinha condições de ir mais rápido. Devíamos estar a uns 40km/h. Àquela hora da madrugada, eu faria o trajeto em 10min com um carro. Nós estávamos há 15min e nem metade do caminho feito. Com tom mais benevolente, o motorista agora puxava conversa:

- Então, guri... o que faz nas ruas a essa hora? Você faz programa no Centro?

- Cala a boca, rapaz...

- Aprenda a respeitar quem veio antes de você, moleque. Sabia que eu posso ser você amanhã?

- Eu não acredito, coroa. Parecemos bem diferentes.

- Por que acha?

- Sabe de uma coisa? Você me convenceu a nunca mais pegar um táxi novamente!

O motorista parou o carro. Eu silenciei, e esperava mais alguma asneira, ou um novo convite para me retirar.

- Você anda de mal com a simpatia, guri?

- Nunca andamos juntos às 3h da manhã.

- Aprenda a viver e isso vai mudar, moleque.

- É você o modelo de quem sabe viver, chofer? A imagem que tenho de sua figura aí do outro lado da cortina é a de um velho pálido, doente, virgem e sem ambições.

O motorista gargalhou violentamente. Finalmente, disse: - não sou velho, nem doente, nem muito menos virgem. De resto, é verdade.

Dito isso, voltou a tomar o rumo, até chegar ao destino apontado por mim. Não soltou mais um pio sequer. Com o carro parado, mantive-me sentado no banco de trás esperando ele abrir a cortina para pegar o dinheiro e eu ver-lhe a cara lisa.

- Tá aqui tua grana, velho.

Ele girou a cortina e pegou o dinheiro. Olhei para ele, porém estava muito escuro e a sombra me impedia de ver o seu rosto. Estranhamente, quando ele pegou as duas notas de minha mão, levou-as diretamente à boca, mastigou, engoliu e permaneceu a me encarar. Embora eu não pudesse perceber nem seu olhar nem ruga alguma no seu rosto, sabia que me cravava fixamente.

Na sua imobilidade, senti o incômodo de minha própria presença. E era a minha presença que quebrava a harmonia naquele ambiente. Um ambiente grotesco, propriedade de mais um personagem da noite, que seja. Percebi a minha condição, de um jovem aventureiro que não sabe das coisas, e que usa o mundo dos outros como subterfúgio. O motorista estava errado; eu não estava fadado a ser como ele no futuro. Na prática, eu não valia sequer mais que as baratas, que matavam o tempo alimentando-se do excremento e do resto de seus clientes.

sábado, 18 de agosto de 2007

O dia em que vida e morte se misturaram numa mesma vagina

Eu realmente não acreditei no que vi quando aquela garota arriou a saia. De pronto, só pude berrar: "que droga, será que não existe uma porra duma garota saudável nesse bordel?" Dava-me saudades das garotinhas branquinhas da escola... pelo menos da época em que eu ia pra escola pensando nas garotas, e não pensando em movimento estudantil, ou onde ia beber depois da aula, ou em chegar logo em casa pra me livrar dos sons de outras vozes perturbadas e sempre preocupadas com alguma coisa!

Apesar de os prostíbulos hoje serem amaldiçoados até por quase todos os homens (como isso foi acontecer?), eu sempre respeitei muito esses ambientes, que estão presentes em todos os lugares, em todos os tempos. Certamente, foi nesses tais cantos que as grandes decisões que mudaram o rumo da História foram mudados. Agora, obviamente, que isso aconteceu nos grandes bordéis: eu, contudo, sempre freqüentei puteiros de quinta, embora eles estejam se "modernizando": neles, por exemplo, nenhuma puta trepa sem camisinha hoje em dia.

De fato, fazia muito tempo que eu não tomava tragos duma rapariga. Até que, dia desses, decidi que faria isso num bordelzinho ali no Alecrim, porém antes estava bebendo com colegas num cemitério, o principal da zona, num antigo ritual post meridiem. Meus amigos estavam sentados em fila, cada um num túmulo diferente. Eu fiquei indignado com aquilo:

- Pô, vocês não respeitam nem morto, meu?

- Qual'é, Leon? Tu vai sentar aonde? Vai pedir mesa pra Deus, por acaso?

Não me restou nada a não ser sentar-me em outro, também. Porém, não sem antes saber onde eu ia pôr a bunda. No primeiro túmulo, achei que coincidentemente era de outro Leon, porém lendo melhor, percebi que se chamava Leôncio. Não havia nenhuma referência além de sua data de nascimento e de morte. No túmulo do lado eu vi uma foto de uma garota falecida aos dezesseis anos. No retrato parcamente colorido, ela estava de vestidinho tomara-que-caia, tinha pele alva e levemente rosada, vastos cabelos louros, olhos pequenos, narizinho empinado e um sorriso tímido e encabulado. Não sei que sensibilidade tem uma família que coloca uma foto sorridente no túmulo duma adolescente morta. Mas vai entender... vai ver todas as fotos disponíveis expunham sorrisos, como parece ser regra.

Entretanto, como eu nunca fui espectrófilo nem nada, meu encantamento pela garota minou-se no momento em que me ofereceram outra dose. Eu logo me deitaria no túmulo, e, junto da rapaziada, conversaria ainda durante mais umas duas horas. Só depois que todos os litros e todos os assuntos do dia terminaram, ofereci a idéia de matarmos o resto das horas na choperia mais próxima. Ninguém topou, e todos foram-se embora. Mas eu decidi dar uma passada na dita choperia, que era mais do que uma simples choperia, era um cabaré.

Lá, eu somente pedi uma cerveja. Como de costume, ia sentar e observar o que o ambiente oferecia. As mulheres eram de péssima qualidade, até mesmo para um bêbado como eu e os muitos outros que estavam em suas mesas. No entanto, quando passou uma guria pequena e loura, e sorriu meio envergonhada para cada cara em suas mesas, logo me veio à mente a defunta do cemitério! Vi um rosto morto na imagem da putana que passava, e decerto trabalhava há pouco tempo no local, vide pelo fato de não ser tão acabada quanto as outras. Quando ela passou diante de mim, puxei-a pelo braço e a fiz sentar no meu colo. Ela fez queixa, porém logo daria seu preço e me levaria para algum quarto. Viramos três cortinas até achar algum disponível, mas assim que entramos, ela não hesitou em me acariciar e dar o trato que por certo lhe ensinaram muito bem, embora retardasse em tirar suas poucas vestimentas completamente. Até que eu, já meio agressivo, perguntei qual era a dela, se não fazia o serviço completo.

- Meu, isso é que dá colocar virgem pra trabalhar... - reclamei.

- Calma...

De qualquer forma, ela sabia que teria que tirar, apesar de toda cerimônia. Todavia, quando baixou a saia, senti o asco exposto na primeira linha desta narração. Perguntava a mim mesmo ou a quem quisesse responder em voz alta qual a origem daquele estrago! Certamente, ela já protagonizara barracos maiores de outros clientes. Durante minutos, mantive meus olhos arregalados, enxuguei o suor de minha testa e tapei minha boca, que depois da gritaria inicial, manteve-se aberta denotando meu ar de espanto. Sua vulva parecia estraçalhada, eu não conseguia distinguir local de entrada/saída de nada naquele congestionamento anatômico de sangue e pregas.

- Meu pai deu um tiro na minha vagina, quando descobriu que eu não era mais virgem. É claro que nunca cicatrizou perfeitamente. Ele, depois, me expulsou de casa, então eu tive...

- Tá, não precisa contar mais!

Eu não tava afim de ouvir histórias sensíveis. Não naquela hora. Em qualquer outro momento. Na hora da foda, não! Tava a fim de esquecer rapidamente o ridículo que foi o dia em que uma defunta me chamou a atenção e decidi que ia para casa dormir. Saquei logo da grana e deixei em cima do balcão, vesti logo minha bermuda, sem cueca nem nada, queria sair dali o quanto antes.

- É sempre assim que se comportam comigo! - ela gritou, por fim.

- A vida é injusta, minha filha! - respondi de bate-pronto. "Só não é injusta a meu favor", foi o que pensei quando mexi na carteira e percebi que toda minha grana tinha ido embora nessa peripécia grotesca.

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

Novo espaço

Esta postagem marca o nascimento deste blog. Todas as postagens anteriores são importadas de uma outra página que eu mantinha, o Nada Pra Dizer. Abaixo, o texto original de abertura:




Mudo desta vez mais por questão de qualidade... enquanto nos outros casos, valia mais a idéia de recomeçar. Não queria fazer deste blog um recomeço, eu ia até importar textos do EternaProcura pra cá, mas o Blogger não oferece este serviço. Sem problemas. Ocasionalmente, irei republicando alguns textos destacados lá.

Além de tudo, a entonação maníaco-depressiva que se via no último blog provavelmente não perderá espaço. Eu mudei, mas penso mudei para continuar o mesmo. E isso está além de uma escolha.

Enfim, esse blog, a partir do seu nome, já deixa clara a tendência pela literatura, pela imaginação, que hei de priorizar daqui pra frente. O que não me impedirá, obviamente, de opinar acerca do caos em que anda o mundo, e das glórias que o meu querido time ABC tem conquistado.

Mais que suficiente para uma primeira postagem. Boa travessia.