quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Camas desfeitas

Ainda me recordo de quando, jubilado da faculdade e procurando trabalho, cogitei sair de casa a primeira vez.

- Não, não, não e não!

Era sempre uma negativa aos colegas que, recém-ingressados na Universidade, queriam alguém pra dividir quarto, apartamento, ou o que lá fosse. Mas eu não queria. Estava saindo de casa não por uma incompatibilidade de interesses somente com a minha mãe, e sim por uma impossibilidade de permanecer dividindo vida com alguém. Não conseguia, e não consigo, me sentir confortável sabendo que chegarei em casa e lá haverá outra alma atormentada que, de alguma maneira, roubará a minha paz, a minha solidão - sem oferecer verdadeiramente companhia.

Sendo assim, a única opção que me restava era procurar outros lugares, tipo hotéis ou pensões. O primeiro que experimentei foi um hotel barato, infiltrado numa movimentada rua da Cidade Alta, mas tão decadente que poucos já lhe deram atenção ao passar por ali. Não trazia consigo nenhum charme daqueles de filmes, nenhum letreiro de neon piscante. O nome do recinto - Hotel Nordeste - estava mal pintado na parede, bem como toda sua tabela de preços. Uma noite custava 10 ou 12 reais; um mês, 200 reais. Dormi lá só uma noite. Mas é horrível dormir em hotel barato; ao menos, se considerar que todos os hotéis baratos são como esse. Em primeiro lugar, o quarto já não me oferecia muito. Havia dois beliches, um deles sem qualquer cobertor, e uma parede descascada, rachada e rabiscada até o último centímetro. Mas isso não era o pior. O pior era não ter o banheiro no quarto. O assistente me houvera acompanhado até o segundo andar, onde eu ficaria hospedado, e me apontara o no fim do corredor. Esperei que ele descesse para poder ver como era o interior, e notei que aquele lugar poderia servir para tudo, e tudo mesmo, considerando que ali deve ser também ponto de atuação de boa parte das meretrizes da Cidade Alta, menos para a higiene ou qualquer coisa que o valha. O banheiro é muito importante. Às vezes, quando a própria residência nos representa um peso, o banheiro é o único lugar que pode servir de refúgio. Nesse hotel, entretanto, eu não teria esse refúgio.

Num hotel desses, fatalmente aparecerá um bêbado mexendo no trinco da porta pela madrugada. Foi o que de fato aconteceu; no final da madrugada, desperto e ouço uma voz rangente e uma insistente luta para abrir a fechadura. Sem sucesso, é lógico. Nem o bêbado nem eu, que decidi procurar outro lugar.

Quando, depois, fui procurar um kit-net nos fundos de uma casa, num bairro nobre, a coisa só pioraria. Ainda me lembro de entrar no quarto, um entre quatro, sem nada lá dentro senão um guarda-roupa, uma cama e um criado-mudo, enquanto eu só carregava umas roupas e livros na mochila e um violão; mas este eu nem sei porque carregava, fazia mais de um ano que não o tocava, hoje faz muito mais. Também não sei mais por onde ele anda, emprestei a alguém que precisava de um violão de papelão e cordas de nylon pra aprender uns abjetos acordes e nunca mais pedi de volta.

Como foi dito, o kit-net ficava nos fundos da casa de um casal de senhores, que eu pensei que facilmente dobraria, só que não foi bem assim. Eu era iniciante na coisa de garimpar noites em quartos estranhos, era mais fácil dormir na rua - e foi o que realmente me ocorreu nessa época, por uma ou duas vezes. Por outro lado, o coroa parecia já ser bem esperto a ponto de enrolar sua clientela. Nos dias em que lá estive, em todos ele vinha me encher o saco, dizendo o que poderia ou não fazer, reclamando de todas as coisas, não importava se eu fechasse a porta (ele mandava uns bilhetes por baixo dando orientações disso e daquilo). Eram um casal de pentelhos coroas, só então entendi por que ninguém dos outros quartos estava lá a maior parte do tempo. Maldito velho, senti vontade de matá-lo quando estava na terceira noite, mas desisti e fui apenas embora, deixando pra trás a solidão de uma cama desfeita, uma cueca suja e o aluguel de um mês pago adiantado... aquele dinheiro não faria falta se eu encontrasse o sossego em qualquer outro lugar, nem que fosse num banco de praça.

Talvez as piores experiências fossem com mulheres, a maior parte delas com uns anos a mais do que eu. Eu lembro que recorri a algumas nos momentos mais difíceis. Era sempre bem-recebido, não só como visita. Elas sempre queriam que ficasse mais. E mais. Devia haver algo que as afligia, porque eu notei que era comum que tais mulheres, depois de uma certa idade, sei lá, vinte e cinco, vinte e seis anos, não conseguissem mais suportar a idéia de serem sós, de viverem sós. A carência era absurdamente grande, e para elas era plenamente natural que eu lhes oferecesse amor em troca de um teto. Mas para mim não era, porque nunca supri carência de ninguém. Ainda mais de pessoas nesta situação... para elas, estar com alguém ia muito além da necessidade natural e animal que todos temos, era uma necessidade doentia, viciosa, sobre a qual elas não tinham nenhum controle.

Era difícil ir embora, porque a despedida nunca era algo cortês e sempre ficava a sensação de que ela cortaria a garganta assim que eu dobrasse a esquina - certamente nenhuma delas faria isso, mas só a sensação me cortava por dentro.

Mais de uma vez, aceitei convites de colegas para dormir na casa deles. Acho que dormir na casa de conhecidos me faria diminuir essa zanha misantrópica que carrego. E era bom, conversávamos muito. Mas como eu nunca via o meu hospedeiro ao dia - eu havia conseguido um trabalho, saía cedo e voltava no início da noite, nas quatro ou cinco vezes que dormi por aí de favor - nunca conversávamos muito. Quando o fazíamos, a conversa era sempre contida por necessidades outras.

- Vou dormir, boa noite - diziam, e se iam.

Eu nunca compreendi como dormir poderia ser um ato tão burocrático para as pessoas. Dava uma certa hora e diziam "vou dormir" para si e para quem mais fosse necessário, e se acomodavam, houvesse ou não compromissos na manhã do dia seguinte para justificar seu ato. Para mim, dormir era difícil. A menos que eu já estivesse tomado de sono a ponto de apagar assim que me deitasse, geralmente o que me ocorria eram perturbações sempre que eu me deitava. É por isso que fujo da cama, fujo porque ela me traz pesadelos enquanto ainda estou desperto. Não me deito nela de bobeira, esperando pegar no sono. Prefiro ler livros na poltrona e adormecer, ver TV no sofá e adormecer, ficar na internet e adormecer. Não consigo dizer nem pensar "vou dormir". Apenas adormeço, quando o corpo assim exige, sendo mais forte do que eu.

Essas e outras experiências se intercalaram com retornos turbulentos à casa de minha família por cerca de um ano. É demais, para qualquer um. Delas, ficaram alguns traumas meio difíceis de sanar, e uma necessidade potencializada de ficar distante das pessoas nas horas mais importantes - aquelas, perdidas no meio da madrugada. Assim, vou levando. Vez ou outra, ainda recebo telefonemas de velhas - e novas - garotas querendo conversar. Eu gosto, as conversas são revigorantes. Quem dera uma relação a dois se compusesse apenas de conversa. Também continuo a receber convites de amigos desejosos de dividir apartamentos. Permaneço recusando a todos.

Por outro lado, já não recebo visitas, senão de algumas baratas quando esqueço o ralo aberto, porque ninguém sabe onde moro. E ao menos isso já é garantia de que estarei livre de fantasmas estranhos quando me dirijo pra casa. Já basta o meu próprio.

domingo, 18 de janeiro de 2009

Nesses próximos dias, devo postar um conto novo. De fato, estive relativamente distante da tal "blogosfera", ative-me mais a emails e recados ultimamente. Nem escrevia neste blog nem comentava nos blogs amigos, mas lia todos - sobretudo o Literatura Vil, é claro.

Antes de qualquer coisa, lembro que meu maior fator de ausência se deu em virtude de eu estar em campanha à presidência do DCE do CEFET-RN (agora Instituto Federal de Tecnologia). Contudo, perdemos por algumas dezenas entre centenas de votos, mas enfim... tropeços iguais são vicissitudes comuns a todos. Mas que o resultado final foi lamentável... foi sim.


***

A Dina, do blog Acorda pra Vida, ofereceu gentilmente um selo para este blog, cuja menção está colocada no link de selos, do menu lateral... infelizmente, eu a imagem do selo não apareceu lá, não sei porque, acho que desaprendi, sério mesmo... de qualquer maneira, ajeitarei depois.


***

Como disse, em alguns dias postarei um conto novo... Por ora, deixo um poema, pedindo desde já desculpas, afinal nunca tive lá muito jeito com versos, e confesso que nem gosto muito deles. Mas como experimentalismo nunca é mau, segue...


O Emoldurador

Enquanto estávamos sempre assim, sem que ninguém soubesse
Sob a aura colorida de uma luz que te obedece
Eu era tão fogo ao te ver, mesmo que pouco tempo tivesse
E agora já é tudo passado, mas a lembrança ainda floresce

... como num campo tão cultivado, num conto bem escrito
Num rio muito mergulhado e vivo
Num ambiente tão vivido, pelo mundo em que habito

É tudo tão bonito mas agora é tão duro, mesmo quando posso te ver
Pois pelos teus olhos escuros, hoje é como se visse um muro
Não deixar os pés distantes do chão já é um dever
Mas, tão vago e violável, desobedeço-o
e, no ponto mais alto,
te emolduro.

Assim eternizo teu brilho, tua cor, teus traços, teu valor
E finalizo meus anseios, pois de mais que isso não sou merecedor.
Fico somente a admirar-te, como diante de um altar suntuoso
E agora este meu coração conflituoso
para sempre abrigará uma dor.


quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Acompanhados e sozinhos

Ofereci mais de mil vezes o meu sorriso, notadamente cada vez que era questionado sobre como estava meu humor naquela roda de conversa. À mesa frívola de uma praça de alimentação, meia dúzia de amigos, todos bastante risonhos e afáveis, acompanhando-me numa embriaguez pequeno-burguesa de pizza e refrigerante. Em geral, todos conhecidos meus há pelo menos um lustro. Três casais. Falávamos alto, como todo mundo por ali. Eu ficava, entre uma alocução e outra, olhando para o céu, observando a boca da noite a eliminar um a um os elementos do dia corrido, já sentindo um pouco o cansaço de estar ali e sendo comiserativo comigo mesmo, pois parece que não é fácil se manter sozinho depois que se passa dos vinte e poucos anos. Um dueto entre os que compõem a mesa, afinal, já é casado; outro já se namora há anos e o terceiro tem uma relação menos estável que os restantes, ainda que haja uma insistente paciência entre ele e ela, de modo que os dois se mantêm juntos assim e assim parece que irão permanecer por algum tempo. De minha parte, apenas imagino como deve ser penosa e confusa a vida a dois, compartilhando cada momento. No meu caso, sujeito de amores impetuosos e faltos, nunca compartilhei nada com ninguém.

Um dos últimos momentos de intimidade que tive com uma garota se esmiuçou por completo quando ela acordou e percebeu pasmada que estava nua e seu banheiro todo vomitado - vômito dela, naturalmente. Havíamos bebido um pouco, mas isso lhe fizera mal. Eu lembro que permaneci desperto durante toda a madrugada, quase sem mexer um milímetro do meu corpo, e a observei pegando no sono, como também a notei acordando algum tempo depois, após um intervalo de três ou quatro horas. Era como se uma pessoa adormecesse a meu lado e outra pessoa acordasse. Em resumo, minha relação com garotas não se compõe de parcerias, mas de cumplicidades. Noventa por cento delas me afirmou, com doce voz, que pretendia esquecer o que tivemos e solicitava que eu fizesse o mesmo. Eu sou homem, e nunca afirmarei para uma garota que tentarei esquecê-la - contudo, tampouco a questionarei se essa for sua vontade.

Eram memórias tumultuadas como essa que me vinham à mente quando eu fitava meus amigos e suas fiéis companheiras a se beijarem romanticamente a cada espaço vazio no colóquio; espaços parcos, aliás, pois na pauta estão acaloradas e orgulhosas discussões, com histórias heróicas de conquistas pessoais, análises políticas, bisbilhotices, dinheiro. Por essência, assuntos igualmente discutidos em ambientes quaisquer, seja naquele em que nos situávamos, seja numa mesa de boteco de alguma megalópole ou até mesmo numa sala de bate-papo na internet. Delongas que não levariam a lugar algum, portanto. Todavia, nós, justificando nossa postura salvadora e presunçosa, demarcávamos nosso espaço. E eu não ficava para trás, embora, ao contrário de meus camaradas, eu não tivesse uma pequena para aplaudir meu discurso na confraria.

Quando é chegada a hora de partir, todos optam por ir à casa de um deles, para prolongar a noite e a madrugada num passatempo qualquer. Por mais que eu expressasse desinteresse, a minha presença pelo restante da noite, claro, foi requisitada, com muita piedade e compaixão. Sendo o primo pobre do grupo, sou permanentemente acolhido pelos bons samaritanos, sempre dispostos a oferecer dinheiro e abrigo nas horas complicadas, além de serem, cada qual na sua individualidade, agradáveis companhias. Como não tenho nada para lhes retribuir, não faria, logo, mais essa desfeita, e aceito acompanhá-los. Entretanto, a essa altura o convite já não se sustentava mais - alguém lembrara que estaria ocupado no dia seguinte. "Preciso resolver aquela bronca, senão blá-blá-blá". Repentinamente, parece que surge do nada uma competição para ver quem está mais atarefado: "é mesmo, também preciso fazer aquele blá-blá-blá", diz mais um. "E eu preciso fazer aquilo", diz uma terceira voz. Nem adiantou que um entre nós lembrasse que o dia seguinte seria sábado. Todos já haviam se convencidos de que deveriam estar ocupados no dia seguinte.

Então, feita a despedida, voltei para casa sozinho, quieto e pouco pensativo. Todos eles também se foram, preocupados e confusos em suas vidas de gente grande, cheias de preocupações conjugais, profissionais, universitárias e monetárias. Meros subterfúgios para a fadiga existencial que se acomete sobre nós, enquanto tentamos fingir que não sofremos disso.



Conto originalmente publicado na segunda
edição da revista Tá na Cara!, lançada em novembro,
e que permanecia inédito no blog.

sábado, 3 de janeiro de 2009

Quando até os iogurtes fazem falta

Pegue um lápis e marque um ponto
no centro de uma folha
a solidão é tudo o que está em volta

Alice Sant'Anna


Deitada ao meu lado, ela ainda insistia em conversar.

- Você parece até que não gostou...

Dei uma risadinha e não respondi.

- Li uma vez - prosseguiu - um texto seu em que você dizia que gostava de mulheres que transavam bem e que tinham um bom papo.

Olhei pra ela e a corrigi: - não, eu dizia que gostava de mulheres que tinham apenas um bom papo.

- E saber transar bem não é importante pra você?

- Não.

- Por que não?

- Porque também não transo bem e nem gosto disso.

- Por quê? Você é fresco?

Ignorei o comentário e percebi que o melhor que eu fazia era cair no sono Virei para o outro lado e fechei os olhos enquanto ela foi tomar banho, no entanto ela logo voltaria sem que eu conseguisse adormecer, e como ela bebesse ainda bastantes tragos de vinho - bebia sozinha, pois eu detesto vinho -, suas delongas não pararam. Eu preferi beber um iogurte pra ver se me distraía... sem sucesso.

- Tenho um bom papo - insistiu -, por que não conversa comigo?

- Você não tem um bom papo, você apenas transa bem.

- Mas você disse que mulher que transa bem não faz o seu tipo.

- E não faz mesmo.

- Ha!Ha!

Ela riu, ainda que tenha detestado o comentário. Sentou na cama, entoando uma enrolação atrás da outra. Eu demorei mas enfim percebi que fora um erro ir pra casa dela, que fora um erro ter pego aquele ônibus no qual a reencontrei; que fora um erro ter bebido conhaque depois do expediente com um amigo, o que me levou a pegar aquele ônibus; que fora um erro ir trabalhar naquele dia, o que me levou a encontrar esse amigo; que fora um erro acordar, o que me levou a ir trabalhar. Tudo no dia foi um erro, notei que me sentia muito melhor horas antes, mesmo estando há oito meses sem deitar com uma garota, do que nesse momento pós-êxtase, sendo obrigado a ouvir tamanhas tagarelices sem possibilidade de pagar a conta e ir embora. Eu pus as duas mãos na cabeça, esperando um apagar repentino que não vinha, enquanto ainda ouvia sua voz rinitente a me roubar a paz e a serenidade.

- Você deve ter um amor recalcado por mim, só pode.

- Não... - disse-lhe - O meu amor recalcado passou hoje no vestibular da Universidade Federal, e nunca mais a verei.

- Por que não?

- Porque ela vai se enfurnar naquela universidade, e eu tenho asco daquele lugar.





Quando estava, uma hora e meia depois, pegando outro ônibus, um corujão, à madrugada, voltando à minha rota normal, indo para casa, ainda pensava nos erros. No erro de ter vendido a moto, o que me faz andar de ônibus. No erro de ter amores recalcados, o que me faz suscetível a boas ofertas como a dessa ex-vizinha que encontrei na condução e me ofereceu uma noite de prazer.

Falando em recalques, então, terminei por ficar travado por vários dias depois desse sem conseguir escrever - lamentavelmente. Meu editor aguardava os meus textos, meu blog aguardava outros textos, meu espírito também os aguardava, tudo ansiava por novas manifestações que não vinham, e até o iogurte agora me fazia falta. Estava tudo ao meu redor tão abafado, eu tentava de todas as formas me estimular, convencia-me de que Hemingway, Bukowski e Dostoievski também deviam se sentir igualmente abafados em seus quartos sem mulheres, comida ou esperança.

Olhava para as flores de plástico penduradas na janela, que minha irmã deixou quando veio aqui há três semanas, e as tirei, porque imaginei que elas é quem me estavam sufocando, de alguma maneira. De fato, tirá-las de lá me fez melhor, percebi que o ar voltou a fluir, que voltei a escrever, escrever bem. Quanto às flores, deixei-as no chão, num canto do quarto, bastante visível para mim quando estou escrevendo no computador, e cada vez que as vejo sinto um respingo de expectativa, por um email, uma carta, ou qualquer coisa que diga "estou aqui, gosto de você", porque às vezes parece que a necessidade disso é tamanha, e as conseqüências tão úmidas...

Decidi devolver as flores para minha irmã, porque ninguém quer ser julgado pelo que guarda no peito, e eu também fujo disso. Sem querer.