quinta-feira, 31 de julho de 2008

A eleição mais chata da história e outras notas

Assim que deve ser o pleito deste ano. Uma tremenda chatice moralista, decorrente da direitização dos costumes pela qual vem passando o Brasil. Não se discute mais se o cara é trabalhista; não se critica mais os fundamentos que sustentam os comunistas; ninguém mais se ofende por ser chamado de liberal ou conservador. Toda a discussão eleitoral reside em um único e maçante tema: corrupção.

Qual o ganho, afinal, em se discutir corrupção no período eleitoral? Qual o avanço que conquistamos se votamos em um candidato não pelas suas idéias, mas pelo seu caráter de "honesto"?! Nem penso em questionar a idoneidade de figuras históricas, como Plínio Salgado, Carlos Lacerda, Augusto Médici ou Mário Covas. Mas nem por isso parabenizarei o trabalho destes homens a frente de altos postos da Nação. Pelo contrário; numa óptica fugaz, eu os consideraria uns escrotos, uns canalhas, verdadeiros responsáveis pelos passos vagarosos e cambaleantes que o país hoje consegue dar.

O fato é que a corrupção é um mal que está definitivamente vinculado ao sistema político-econômico, a um modo de vida, a um conjunto de costumes aos quais somos apresentados desde bem moleque. Não estou entoando o coro inútil de que "todos somos corruptos", "o político espelha o povo". Tais ilações pouco importam. O que importa é esquecer a discussão moral - por que isso não é uma discussão política - e observar, sim, o que de fato deve ser observado numa discussão: o vínculo dos candidatos aos movimentos sociais, o caráter do partido a que são filiados, a natureza política de cada um que se oferece para cargos públicos, o plano de atuação dos candidatos em áreas essenciais do País, como Educação, como Saúde, como tais e quais.

Divulgar lista de candidatos com processo corrente na Justiça é um detalhe, a propósito inútil. Em minha opinião, todos deveriam ter o direito de ser candidato - seja acusado de algo, seja condenado, esteja até mesmo em caráter de reclusão, como prisioneiros. Estamos falando de cargos eletivos, e se são eletivos, são eleitos aqueles que realmente representam o pensamento popular. Não se pode estabelecer nenhum tipo de limite, não importando ser o candidato analfabeto (que hoje não pode se candidatar) ou prisioneiro. A decisão do povo é soberana, é suprema, é sagrada, e deve estar acima de todo e qualquer entrave legislativo, porque as leis devem ser feitas todas em função do povo, e não pondo-se acima dele.

Sendo assim, não nos enveredemos por insossos debates morais, pois em nenhum país do mundo a corrupção é a razão do atraso, e sim o entreguismo, a exploração do trabalho, a mercantilização das prioridades nacionais. E elas tem se tornado menos presentes nos discursos dos candidatos para dar lugar ao discurso moral. Isso faz com que não saibamos, de fato, em quem estamos votando. O candidato não precisa ser um corrupto para arrochar o salário do trabalhador ou para criminalizar movimentos sociais. A eleição atual oferece-lhes este trunfo: seus defeitos podem ficar à espera do poder, e aí, num momento posterior, será muito mais difícil colocar o país no rumo.


* * * * *

Já me perguntaram porque eu não acabava com esse blog. Penso nisso todo dia, mas eu o deixo no ar como um reduto meu, como um epitáfio incompleto. Continuarei colocando textos que agradem a mim, que eu os considere interessante e mesmo recomendáveis. O blog continua, blog de uma visita só!

O parágrafo acima foi escrito por mim há quase quatro anos, numa das atualizações de meu primeiro blog, O Elogio ao Ócio. Na ocasião, ainda não escrevia contos, nem ensaios, nem nada que tivesse o mínimo de pretensão. Não ia além de alguns comentários sobre meu cotidiano. Algumas postagens tinham apenas um parágrafo. Era, de fato, um blog sobre quase nada. Mas foram meus primeiros passos na construtiva arte da escrita. Ter um blog passou a ser uma necessidade para mim, de modo que, mesmo abandonando sucessivos blogs, depois desse nunca consegui passar mais do que um parco tempo sem nada escrever.

Hoje, relendo meus velhos blogs - atividade que nunca canso de fazer -, discordo de muitos dos posts registrados. Alguns apenas ignoro, outros me deixam realmente intragados, pois estão muito distantes do que eu penso atualmente. Mas os deixo lá, em algum confim da Internet, guardado para a posteridade, como forma de reconhecer a mim mesmo e à minha trajetória. Ademais, reconheço que o primeiro blog era deveras infantil, ainda que eu tivesse já uns 19 anos.

Eis os blogs que mantive, alguns de vida curtíssima, outros mais espaçados, partindo do princípio:

A Viagem... Do Peixe Solúvel - 2004 (http://peixesoll.blig.ig.com.br)
A primeira tentativa... Obviamente fracassada. Blog de uma postagem só, inaugurado no início de julho, há pouco mais de quatro anos. O nome do blog faz referência ao surrealismo, e não só me inspirou na hora de criar o blog como também foi meu apelido em vários ambientes virtuais, de emails a batepapos.

O Elogio ao Ócio - 2004 a 2005 (http://peixesoll.zip.net)
Inaugurado dias depois do primeiro, sendo a primeira postagem, aliás, quase igual. Postava poesias e imagens extraídas de outras páginas, e escrevia bobagens sobre meu cotidiano, times de futebol, música e até mesmo fim de novela. Um blog feito por quem não tinha inspiração para nada, mas insistia em escrever. No princípio, eu atualizava diariamente. Nos últimos dias, a atualização era trôpega e pesada, mas ainda assim muito freqüente - a quantidade de posts nem sempre refletia qualidade. Sofredores aqueles que o visitavam: não à toa, dos meus blogs, esse é o que teve maior número de visitas, mesmo sendo o que teve menor número de comentários...

Apesar de tudo, só foi fechado porque ele estava vinculado à conta da minha mãe no UOL. Quando ela fechou a conta, o blog desceu junto pelo ralo.

Um Blog Sobre Tudo e Sobre Nada - 2005 (http://sobretudonada.zip.net)
Criado na mesma época do anterior, mas desta vez vinculado a uma conta aberta em meu nome. Na época, era meio difícil a vida na Internet se não se tivesse um provedor pago... De qualquer modo, esse blog demarca uma mudança no estilo da postagem, sendo mais livre, mais aberta a questionamentos políticos e comportamentais, sem dúvida um blog muito mais crítico. Tão crítico, aliás, que ele foi fechado repentina e arbitrariamente pelo simples fato de eu ter posto críticas em meu antigo blog ao então candidato a prefeito de Natal, Miguel Mossoró. As ameaças de processo ao servidor do blog pelas minhas críticas fez o UOL cancelar a minha conta sem aviso prévio (nem posterior).

Meses depois, a filha do candidato me pediria diretamente desculpas e o próprio candidato me convidaria até para ir em sua casa. O direito a ter minha conta reativada, porém, eu nunca tive.

Andando na Contramão - 2005 (http://oladob.blog.com)
Blog que não durou nem uma semana; eu pretendia comentar religião, política e outros temas mais espinhosos lá, mas foi um fracasso. Nem vale a visita.

Nada pra Dizer - 2005 a 2007 (http://psicosofisma.blogspot.com)
Blog de poesias. Criei para ser um espaço mais experimental, onde eu praticaria esse tipo de arte, para a qual eu tinha muita pretensão mas pouca vocação. Com o passar do tempo, contudo, o blog se tornou apenas espaço para declarações de amor solitárias e dedicadas, mas insuficientes para aquela que inspirava tudo o que ali era escrito. De qualquer modo, durante um bom tempo, esse foi o único blog que atualizei...

Um Estudo Sobre o Nada - 2006 a 2007 (http://eternaprocura.zip.net)
Mesmo depois das picaretagens que o UOL fez comigo, voltei a criar um blog lá, no mesmo estilo do anterior, mas que se abriu a novos campos, como o próprio conto. Aliás, a própria idéia de escrever contos cresceu tanto que foi o único que fechei voluntariamente. As constantes mudanças de lay-out não foram suficientes para fazer aquele blog oferecer o que eu precisava.

Literatura Vil - 2007 a...
É isso.

* * * * *

Bom, conforme foi recomendado há tempos aqui no blog por alguns freqüentes visitantes, como o Chantinon e a Iza, estou aproveitando o mês de aniversário do LITERATURA VIL para pôr o link com o download de um arquivo em PDF que contém todos os contos publicados neste blog, desde sua criação até os dias atuais!

O arquivo se propõe a facilitar a leitura daqueles que não têm tempo suficiente para entrar no blog e ler os contos, visto que alguns deles são, de fato, bastante extensos... No total, o PDF tem mais de 140 páginas e 21 contos, mas procurei formatá-lo de maneira que a leitura ficasse o mais agradável possível! O arquivo conta com meros 500KB, dá para ser baixado em segundos.

No mais, obrigado a todos! Clique AQUI para fazer o download, ou no link abaixo:

http://dc75.4shared.com/download/57368823/b5f17ffe/Literatura_Vil___Contos_Reunidos__.pdf?tsid=20080801-091456-44310d17

O link levará para a página do 4shared, onde é só clicar em Download Now e aguardar os coisa de segundos para seja disponibilizado o link para o arquivo.

Se houver dúvidas, solicite o arquivo via email (leonknunes@hotmail.com) ou comentário. Saudações!


3 comentários:

Anônimo disse...

Até bem pouco tempo atrás me considerava uma pessoa totalmente pessimista. Então com o blog decidi não passar tanta angústia para as pessoas e acabei me tornando um pouco mais alegre.( mas, nem sempre consigo)
Quanto a política e as coisas que envolvem o país ainda continuo muito pessimista. Faço força para acreditar que tudo dará certo, que as desigualdades sociais não sejam tão gritantes no Brasil.
Para mim toda eleição é chata mas, é o que temos!
Prefiro o parlamentarismo e (como em um conto de fadas) já me apaixonei pela monarquia.
Não falo muito em política e nem mostro tendências porque ainda não conheço profundamente todas as tendências(mesmo preferindo as de esquerda, como já te disse) e espero que com o final do curso eu volte a ler livros que goste e não somente os obrigatórios para o curso. Vou começar pelos de história política.
Já te disse que teu talento para a literatura é visível, Sonho com o dia em que serás famoso pela tua obra e eu poder dizer: Eu conheço ele, falamos muito pela internet.
Já baixei os contos em PDF. É muito bom, assim posso ler mais a vontade e muitos também poderão.
Não sabia o nome de teus blogs e acho legal deixares na internet, sem deletar.
Eu tinha, (estou tentando perder) a mania de criar e deletar os meus(como na escola, passava toda hora o caderno a limpo) para recomeçar.
Agora fiquei sabendo um pouco mais de ti, (não costumo perguntar muito sobre as pessoas, deixo que falem, se quiserem) e isso é muito bom para estreitar laços de amizade.
Acabei deixando um mega comentário na tua postagem mas, não é sempre que esvreves então tem que aproveitar.
Quando terminar de ler os contos, envio por email meu comentário sobre eles.

Beijo Grande!

Chantinon disse...

Eu sabia que um dia Cê voltava!

Cara, ainda bem que meu blog é hospedado pelo Google, senão Lula e o PT já teriam tirado do ar :)

Gostei do texto de abertura, é algo bem anarquista, mas me faz pensar no despreparo do nosso povo, que é despreparado graças aos políticos. Parece um ciclo vicioso e sem fim.
Mesmo pessimista, acho que algumas coisas melhoram com o tempo, outras pioram, e se uma dia chegarmos ao equilíbrio, sei que nem eu nem meus filhos veremos esses dias.
Mas continuo fazendo minha parte.

abraços

Anônimo disse...

Enfim política por aqui.
Não conhecia O Lado B, de todos os outros tenho recordações.