Estava nos arredores da Rodoviária Velha e procurei um bar em qualquer dos becos adjacentes, escolhi o único aberto, bastante movimentado, sentei e fiquei olhando ao redor. Várias pessoas falando alto em outras mesas, pessoas que se achavam muito interessantes, mesas que ocupavam toda a ruela. Muitas mulheres, já de idade bem avançadas, muitas garotas, até mais novas do que eu. Todas brancas, reluzentes, limpas demais. Muitos caras altos e bonitos, de barbas ralas e cabelos caindo pelo rosto, que só olhavam meio de lado e estavam sempre de meios-sorrisos, com camisetas de etiquetas pequeninas porém situadas em pontos estratégicos, muitos carros estacionados que se prolongavam pela rua, alguns populares dividindo espaço com outros mais elitizados e eu ali no bar sozinho em uma mesa, na espera de apenas alguns copos de cerveja, incapaz, pela própria ignorância, de distinguir um Corsa de um Palio entre veículos que vejo diariamente pelo trânsito. Era curioso que um bairro antigo e boêmio tivesse virado rota de atração dessa classe média alta, vinda lá do outro lado da cidade, mas era compreensível, sobretudo porque há de fato uma escassez de programas noturnos em todas as zonas, e os que existem, já estão saturados, como este, que se mantinha lotado, cada vez mais.As conversas eram prolongadas, pessoas de mesas diferentes se interagiam como se estivessem em perfeita comunhão, as garotas vez ou outra se atinham a desfilar pelo ambiente, dirigindo-se a algum canto pra cochicharem qualquer coisa, sempre atraindo vários olhares atrevidos, menos o meu. No máximo, eu olhava apenas para as garçonetes, todas mulheres. Mas elas não davam muita atenção. Quando uma veio me atender, perguntei o que me sugeriria, no entanto ela apenas passou o cardápio, numa tentativa de ser simpática e impessoal. Não demorou e vê-las correndo pra lá e pra cá com blocos de notas nas mãos me encheu o saco. Decidi sair sem terminar de beber toda a cerveja e pedi a conta.
Deseja mais alguma coisa?
Fiz que não lentamente com a cabeça.
OK, muito obrigado e volte sempre, disse, apressadamente, mal oferecendo um sorriso e dando as costas.
Não há nada pior do que uma relação profissional-cliente.
Deseja mais alguma coisa?
Fiz que não lentamente com a cabeça.
OK, muito obrigado e volte sempre, disse, apressadamente, mal oferecendo um sorriso e dando as costas.
Não há nada pior do que uma relação profissional-cliente.
10 comentários:
Putz, que puta semelhança com um bar aqui da cidade. Caramba...
Genail! adorei! :**
Haha!
Adorei!
Às vezes me sento sozinha numa cafeteria maravilhosa que tem aqui perto e que serve O Capuccino.
Esses momentos são ótimos. Adoro estar só comigo mesma.
Ah!
Eu sei a diferença entre um Corsa e um Palio. rs
Meu amigo!
Desta vez vim para me despedir e deixar meu último comentário como Iza nos blogues dos amigos
Se eu estivesse nesta mesa de bar estaria a te contar porque não quero blogar mais como Iza.
Quero agradecer cada palavra sua de enriquecimento ás minhas postagens.
Ainda não consegui entrar no messenger.
Como Iza a gente ainda se vê pelo orkut ou email.
Passarei a uar um pseudônimo para comentar em blogs.
Beijos!
É Leon, concordo.
Também gosto de sair sozinha, porém ainda não saio sozinha a noite.
As vezes sinto necessidade de um momento de solidão no meio de um monte de gente.
Um beijo, te espero no meu blog :P
Té mais
Sei lá... a correria e a necessidade de ser automático no atendimento, faz imaginar uma substituição da mão-de-obra por máquinas, que são realmente automáticas...
E muitas pessoas ainda reclamam ;P
gostei do post menorzinho, eu nunca consigo parar de ler antes do final, esse me ajudou. XD
beeijO
adorei teu texto, quer dizer, adoro todos, sempre que veho, eu nunca leio apenas um! (:
notei que gosta muuuito de usar "bar" como ambiente do acontecido nos teus textos. Adoro, mas odeio cerveja, sou fã de bebida quente, as mais baratas... Pra no outro dia a ressaca moral ser mais pesada que qualquer outra que foi antes do agora. (:
já sofrir na relação profissional-cliente, é o ó velho!
Olha... o que mais tem por aqui é bar assim. Acho que é normal este tipo de pessoa em qualquer lugar. Não acuso, como vc tbem não acusou. cada um no seu espaço. prefiro sair como vc fez.
Abraço Leon.
Verdade. É o maior erro das pessoas nao dar atençao. Faz maior diferença dar atençao a um cliente. Dar tempo para ele.
GOSTEI do texto... =D
eu me sinto como você, só que com a minha funcionário doméstica. Adorei o texto, você faz algo muito bem, que eu não consigo fazer: terminar textos.
Ahhh brigada pelo comentário, adorei!
Adoro receber esses selos frufru, mas acho que o maior reconhecimento que um escritor (tipo você) ou um aspirante a escritor (tipo eu), pode receber são os comentários de pessoas que conseguiram entender exatamente o que você quis dizer.
Essa é a verdadeira magia da comunicação.
Um beijo, e vê se atualiza logo :D
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