Eu observava o balançar glúteo da garota que seguia à minha frente e não conseguia mudar o foco de minha atenção. Era muita beleza reunida naquele pedaço de carne em movimento constante, moldado por uma calça jeans de um tipo que não sei bem descrever. Eu não sou de ficar feito pateta babando por cada bunda bonita que vejo, mas essa garota tem um conjunto de corpo tão atraente para mim que eu fico fissurado quando a vejo passar, gosto de ver primeiro seu rosto, seu olhar verde e perdido, seus mãos a segurar os cadernos e livros, braços cobertos pela penugem fina que parece ser igual aos cabelos castanhos, e enquanto a observo, bem pequena, bem charmosa em seus movimentos suaves, chego até a fazer algumas artimanhas, como fazia nessa vez, para poder segui-la sem que ela notasse a menos de cinco metros de distância (onde posso vê-la bem) pelo decorrer dos pátios do campus até o momento em que eu ia pegar a minha moto e ela se dirigia para sua parada de ônibus. Já pensei em falar com ela alguma vez, tentar conhecê-la melhor, só que achei melhor não, ela faz ensino médio, deve ter seus 15 ou 16 anos, então eu deixo suspenso o meu interesse, vez que ela nessa idade tanto pode como não pode gostar da ideia de chamar a atenção de caras mais velhos, isso embora eu não seja muito mais velho, só uns sete anos no máximo.
Mas eu sabia como ela se chamava, era Andressa, alguém me falou numa certa ocasião, e eu remeti imediatamente a uma outra garota de nome parecido - esta se chamava Andreza, com z - que morava perto da escola onde eu estudava na época do ensino fundamental (eu tinha, sei lá, uns 15 anos, e a Andreza também), e como toda garota daquela área, ela estava sempre em oferta para quem chegasse, o preço não podia ser mais primitivo: era sempre o cara mais forte que chamava a atenção das meninas por ali, e eu nunca fui forte nem nada - apanhei muitas vezes na vida, aliás, apanhei em todas as vezes que briguei -, no entanto teve uma fase em que fiquei amigo do Eric e ele serviu de atalho pois era um cara forte, e não somente forte, era um gaúcho muito bem-apessoado, além de carregar aquele sotaque característico que eu acho chato mas as meninas achavam charmoso e tudo isso formava elementos que despertariam inveja em todos os outros caboclos da turma, eu inclusive. Isso era no ano 2000, e eu conheci o Eric um mês depois de iniciada as aulas, na semana em que se comemoravam os 500 anos do país e havia todas aquelas festividades, o que pra mim era uma chatice enorme, e eu na minha origem punk decidi como uma forma de rebeldia fajuta dessas que a gente nutre na adolescência rabiscar na minha camisa da farda a frase PAU NO CU DO QUINTO CENTENÁRIO, e enquanto andava com essa camiseta no pátio da escola, o Eric me parou certa vez e disse:
Pô, massa demais... até que enfim alguém que pensa como eu por aqui.
Pega, pinta a tua camisa também, falei, entregando-lhe logo uma caneta vermelha, dessas de escrever em lousa.
Dali em diante, eu, com a amizade do Eric, teria algumas portas abertas no meio mais obscuro da escola, porque Eric era um garoto de classe média alta que tinha ido parar ali como forma de castigo, mas seus pais não esperavam que o castigo do garoto se tornasse um carma para eles, porque Eric naquela escola virou rei, rei das garotas, a quem conquistava facilmente e rei da negrada, sendo ele o traficante-mor daquele gueto, carregando sempre dinheiro para fazer circular tudo de bom e de ruim sob vista grossa da Ritinha, a diretora da instituição. Eu e Eric formamos junto com outro cara chamado Maurício uma banda punk chamada Cavalo Amarelo, que depois passou a se chamar Aura Oculta e aí ficamos realmente próximos e com ele comecei a viver mais coisas, comecei a pôr em prática os delírios que eu absorvia da literatura que me convinha (com Jack Kerouac e Neal Cassady falando da magia de viver as ruas e o mundo, fugir dos escritórios e dos ambientes claustrofóbicos, de frequentar meios marginais), e nessa tendência convivi por uns anos com o meio barra-pesada que o gaúcho frequentava, e nesse período foi que conheci, pelas infinitas rodas de bebedeira, a Andreza, que também tinha uma bela bunda como a garota de nome parecido, além de tantas outras conheci nessa fase - só que ao mesmo tempo não conheci nenhuma, pois todas essas meninas que comi e de quem esqueci logo depois foram apenas símbolo de um tempo de deslumbre, quando eu, adolescentemente, queria viver todas as coisas e não vivia nada.
Quando o Eric foi embora - ele sofrera um acidente de carro que o faria perder a voz e os pais mandaram-no para morar com outros familiares no Rio Grande do Sul -, nossas vidas já estavam se desestruturando, de modo que se continuássemos naquela a coisa ficaria preta para nosso lado. A Aura Oculta já era artifício do passado, o Maurício já tinha se tornado pai de família aos 16 anos, e eu terminei ficando sem o meu suporte principal, de maneira que percebi já ser a hora de deixar de frequentar os círculos tenebrosos com os quais eu ainda estava envolvido. Levou pelo menos dois anos para que eu abandonasse completamente essas influências, precisando manter-me recluso, mudando de escola, diminuindo gradativamente meu relacionamento com outras pessoas - tanto as desse meio como as pessoas "comuns" - e precisando segurar a vontade que eu tinha de abandonar o isolamento para retomar os contatos com intuito de comprar algumas trouxinhas de cocaína, mas resisti talvez porque não fosse viciado, e sim apenas fascinado pelas maravilhas narcóticas. A Andreza, porém, que me deu a maior força e foi a única pessoa com quem mantive contato, ficou para trás, no entanto eu soube há não muito tempo que ela havia se mudado. Espero que para bem longe, ainda que hoje ela já não deva mesmo ostentar aquele corpo bonito que mantinha nem talvez o carisma que me fez lembrar dela antes das muitas outras.
No entanto, algumas coisas permanecem, a minha fissura pela cocaína por exemplo era a mesma que mantinha por sexo, e tanto um como outro quando cruzam hoje o meu caminho me fazem remeter àquele período estranho, e por isso eu sempre tentei me convencer de que a cocaína é uma merda, o chá de cogumelo é uma merda, sexo é uma merda, punk é uma merda, só que eu não pensava essas coisas por apreensão, nem vergonha, nem repúdio das memórias que trago, pelo contrário, sem elas não seria o que sou; é apenas porque realmente não gosto mais dessas coisas, elas me chateiam - mas de Kerouac ainda gosto, enfim aprendi a lê-lo. Em paralelo, aos poucos vou tentando me livrar do estigma que sempre carreguei, mas que se intensificou durante e depois daquele período, de valorizar tão pouco as outras pessoas, de maneira que hoje, anos depois, tenho me relacionado melhor com as drogas do que com o sexo (por isto ser uma coisa que necessita de presença alheia, o que para mim é algo potencialmente incômodo) e findo lamentando, quando olho para trás, pela pessoa que eu parecia ser, afeita a certos prazeres tão desmedidos que agora pareço estar sequelado, vendo a garota à minha frente balançar suas belas nádegas redondas em meu convite - e aposto que além desses atributos, ela ainda é uma garota de muito mais cérebro do que todas aquelas que experimentei na adolescência - mas eu prefiro deixar pra lá, para não ter que pensar em tudo de novo.
Mas eu sabia como ela se chamava, era Andressa, alguém me falou numa certa ocasião, e eu remeti imediatamente a uma outra garota de nome parecido - esta se chamava Andreza, com z - que morava perto da escola onde eu estudava na época do ensino fundamental (eu tinha, sei lá, uns 15 anos, e a Andreza também), e como toda garota daquela área, ela estava sempre em oferta para quem chegasse, o preço não podia ser mais primitivo: era sempre o cara mais forte que chamava a atenção das meninas por ali, e eu nunca fui forte nem nada - apanhei muitas vezes na vida, aliás, apanhei em todas as vezes que briguei -, no entanto teve uma fase em que fiquei amigo do Eric e ele serviu de atalho pois era um cara forte, e não somente forte, era um gaúcho muito bem-apessoado, além de carregar aquele sotaque característico que eu acho chato mas as meninas achavam charmoso e tudo isso formava elementos que despertariam inveja em todos os outros caboclos da turma, eu inclusive. Isso era no ano 2000, e eu conheci o Eric um mês depois de iniciada as aulas, na semana em que se comemoravam os 500 anos do país e havia todas aquelas festividades, o que pra mim era uma chatice enorme, e eu na minha origem punk decidi como uma forma de rebeldia fajuta dessas que a gente nutre na adolescência rabiscar na minha camisa da farda a frase PAU NO CU DO QUINTO CENTENÁRIO, e enquanto andava com essa camiseta no pátio da escola, o Eric me parou certa vez e disse:
Pô, massa demais... até que enfim alguém que pensa como eu por aqui.
Pega, pinta a tua camisa também, falei, entregando-lhe logo uma caneta vermelha, dessas de escrever em lousa.
Dali em diante, eu, com a amizade do Eric, teria algumas portas abertas no meio mais obscuro da escola, porque Eric era um garoto de classe média alta que tinha ido parar ali como forma de castigo, mas seus pais não esperavam que o castigo do garoto se tornasse um carma para eles, porque Eric naquela escola virou rei, rei das garotas, a quem conquistava facilmente e rei da negrada, sendo ele o traficante-mor daquele gueto, carregando sempre dinheiro para fazer circular tudo de bom e de ruim sob vista grossa da Ritinha, a diretora da instituição. Eu e Eric formamos junto com outro cara chamado Maurício uma banda punk chamada Cavalo Amarelo, que depois passou a se chamar Aura Oculta e aí ficamos realmente próximos e com ele comecei a viver mais coisas, comecei a pôr em prática os delírios que eu absorvia da literatura que me convinha (com Jack Kerouac e Neal Cassady falando da magia de viver as ruas e o mundo, fugir dos escritórios e dos ambientes claustrofóbicos, de frequentar meios marginais), e nessa tendência convivi por uns anos com o meio barra-pesada que o gaúcho frequentava, e nesse período foi que conheci, pelas infinitas rodas de bebedeira, a Andreza, que também tinha uma bela bunda como a garota de nome parecido, além de tantas outras conheci nessa fase - só que ao mesmo tempo não conheci nenhuma, pois todas essas meninas que comi e de quem esqueci logo depois foram apenas símbolo de um tempo de deslumbre, quando eu, adolescentemente, queria viver todas as coisas e não vivia nada.
Quando o Eric foi embora - ele sofrera um acidente de carro que o faria perder a voz e os pais mandaram-no para morar com outros familiares no Rio Grande do Sul -, nossas vidas já estavam se desestruturando, de modo que se continuássemos naquela a coisa ficaria preta para nosso lado. A Aura Oculta já era artifício do passado, o Maurício já tinha se tornado pai de família aos 16 anos, e eu terminei ficando sem o meu suporte principal, de maneira que percebi já ser a hora de deixar de frequentar os círculos tenebrosos com os quais eu ainda estava envolvido. Levou pelo menos dois anos para que eu abandonasse completamente essas influências, precisando manter-me recluso, mudando de escola, diminuindo gradativamente meu relacionamento com outras pessoas - tanto as desse meio como as pessoas "comuns" - e precisando segurar a vontade que eu tinha de abandonar o isolamento para retomar os contatos com intuito de comprar algumas trouxinhas de cocaína, mas resisti talvez porque não fosse viciado, e sim apenas fascinado pelas maravilhas narcóticas. A Andreza, porém, que me deu a maior força e foi a única pessoa com quem mantive contato, ficou para trás, no entanto eu soube há não muito tempo que ela havia se mudado. Espero que para bem longe, ainda que hoje ela já não deva mesmo ostentar aquele corpo bonito que mantinha nem talvez o carisma que me fez lembrar dela antes das muitas outras.
No entanto, algumas coisas permanecem, a minha fissura pela cocaína por exemplo era a mesma que mantinha por sexo, e tanto um como outro quando cruzam hoje o meu caminho me fazem remeter àquele período estranho, e por isso eu sempre tentei me convencer de que a cocaína é uma merda, o chá de cogumelo é uma merda, sexo é uma merda, punk é uma merda, só que eu não pensava essas coisas por apreensão, nem vergonha, nem repúdio das memórias que trago, pelo contrário, sem elas não seria o que sou; é apenas porque realmente não gosto mais dessas coisas, elas me chateiam - mas de Kerouac ainda gosto, enfim aprendi a lê-lo. Em paralelo, aos poucos vou tentando me livrar do estigma que sempre carreguei, mas que se intensificou durante e depois daquele período, de valorizar tão pouco as outras pessoas, de maneira que hoje, anos depois, tenho me relacionado melhor com as drogas do que com o sexo (por isto ser uma coisa que necessita de presença alheia, o que para mim é algo potencialmente incômodo) e findo lamentando, quando olho para trás, pela pessoa que eu parecia ser, afeita a certos prazeres tão desmedidos que agora pareço estar sequelado, vendo a garota à minha frente balançar suas belas nádegas redondas em meu convite - e aposto que além desses atributos, ela ainda é uma garota de muito mais cérebro do que todas aquelas que experimentei na adolescência - mas eu prefiro deixar pra lá, para não ter que pensar em tudo de novo.
11 comentários:
Às vezes o melhor é deixar pra lá mesmo.
Deixar pra lá, pra não mexer em coisas velhas e fazê-las novas. :S
Grande abraço, meu caro.
Se um cara pensasse isso tudo antes de olhar para a bunda de uma mulher, explodiria. HAHAHAHA
Gostei, né, como sempre. Esse é um dos blogs que eu não deixei de ler, ultimamente tenho deixado todas essas coisas de lado, nem sei pq... enfim.
;***
Ah, Leon, eu acho que simplesmente deixar isso pra trás não é o caminho certo, sabe? Fez parte de você, não tem como ignorar.
Mas deixa a bunda da menina em paz, pô. Não sei ela, mas eu normalmente reajo a cantadas de caras mais velhos com um "vai tomar no olho do seu cú" bem dado.
Se bem que você não tá tão velho assim, ah, deixa pra lá, me embaralhei com um milhão de ideias.
Bjs
Heloísa
A apreciação que faço com esse olhar libidinoso da beleza da garota não se trata de cantada. Até porque também nem gosto disso, não pratico, etc.
Literatura Vil
1º veez aqui, ameei seu blog
vc escreve bem hein
bejoos
Todas as cabulosidades que se faz na adolescêcia, elas tem sua importância.Se aprender a pensar, vai ver que lhe serviram para analisar melhor a vida, saber oque foi legal ou ruim; e claro, podem render belos textos.
Imagine você que triste seria se ao olhar a bunda da Andressa, quisesse loucamente comê-la, a todo custo, por não haver experimentado o gosto dessas meninas, na época em que tinha lá seus 15 anos.
Aqui, troquei de blog, to agora como www.aos-farrapos.blogspot.com
Fiquei fissurada em seus textos, mas não vou reprimir isso!
“Grande” Leon, :D
Aquele abraço.
No seu caso meu caro e real amigo, tu viveste tudo isto e esta enraizado como um câncer... é um passado.
Eu ao contrário, estou vivendo partes disso tudo, você como um grande amigo reconhece-as... e confesso que me emociono cada vez que releio oque aqui foi escrito.
Me tocou mesmo, tamos sempre juntos irmão! SEMPRE.
Meu amigo!
Hoje falo pouco mas, vim para te ler. Não estou muito bem...
Li teu texto embora já saiba um pouco de ti.
Deixo um abraço!
Iza
Sensacional, Leon. Porém pareceu um pouco triste.
Nem preciso usar aquela frase batida (mas vou usar. rs): "a vida tem altos e baixos".
É uma situação comum. afinal, os homens são incoerentes na busca por sentidos.
forte abraço.
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