quinta-feira, 14 de abril de 2011

Por fora do esquema

História real originalmente escrita para
a seção policial "No Esquema", da revista Tá na Cara!


GEANDERSON QUERIA EMOÇÃO, por certo. Só não sabia onde buscar. No estádio, nas tentativas amorosas, nas firulas do empreendedorismo? Necas. Achou por bem buscá-la na criminalidade. Quem sabe elas surjam com mais altivez. É isso – esse impetuoso dilema a respeito do que fazer, por que fazer, como fazer –, tudo o que se sabe de Geanderson até algumas semanas atrás. Dele e de seu parceiro, José Ricardo.

Não há qualquer outro registro fácil desses dois sujeitos por aí. Eram dois anônimos. Até pegarem nas mãos um revólver calibre 38; assim se transformaram. Assim se viram revigorados diante da vida. Geanderson poderia comemorar tardiamente o 31° aniversário – ou adiantar o 32°. O Zé Ricardo pegaria apenas carona nessa aventura clandestina, por falta de perspectiva ou de oportunidades outras, talvez. Poderia ser também por opção própria, irmandade; só que no pueril ambiente da criminalidade, falar de confraria é remeter a conceitos desencontrados num idioma estranho; como tentar pronunciar o substantivo “saudade” em inglês ou francês. Isso explica porque era somente a falta – de perspectiva ou de oportunidades – que movia o Zé a acompanhar o Gé.

No final das contas, ele trocou uma falta por outra; agora provavelmente lhe falta a liberdade. Isso porque o duo, provavelmente muito desentrosado e sem ter lá o tempo necessário para ensaiar, deixou-se levar na primeira peripécia profissional no mundo do crime. Há quem diga que cometeram pequenos furtos, desses que ocorrem com pessoas solitárias em paradas de ônibus. Coisas de principiante.

Desta vez, foram ambiciosos: tentaram assaltar um ônibus. Vá lá que tinha pouca gente, o que em tese deveria lhes facilitar o serviço; não facilitou. Mal contava vitória o dueto após reunir uma pequena porém considerável quantia em dinheiro e celulares numa mochila falsificada da Nike, logo o sucesso lhes mandaria lembranças. Se eles anunciaram o assalto nas proximidades da Rua Chile e foram interceptados pela Polícia Militar nas proximidades da Rodoviária Velha como disseram todos os noticiários, isto significa que mal chegaram no fundo do ônibus - se é que ainda lá chegaram -, o estrago já estava feito. Quando viram os policiais, sequer reagiram. Isto é, o Geanderson ainda sacou a arma, mas mesmo com o 38 em punho, ele permaneceu inofensivo, feito um adolescente estático ao saber que se ferrou...

É tudo e um pouco mais do que se sabe a respeito de Gê Garcia da Rocha.



3 comentários:

Ind Caroline x) disse...

da hooora, ô escritor policial ;)
ahsuehuasheuhaush
tome cuidado heein! não vai se embriagar com a adrenalina! ahsuehuh

Anônimo disse...

Olá, meu querido!

E não é que sua dica foi bem legal! A dica quanto chegar na web e usufruir...

Chego aqui e encontro este conto relato que me lembra uns contos que li na biblioteca da Escola.

Ontem eu falava com uma colega de escola, a Marilda, justamente sobre literatura... Quanto disse a ela que jamais gostaria de publicar um livro por saber diferençar uma obra de arte de uma mera conversa ela ficou surpresa.

Escritor é escritor e leitor é leitor. Adoro ser leitora que conversa com o autor.

Beijos!

Chantinon disse...

Faz tempo que não passo aqui... Agora vai partir para os contos policiais? :)
Vi sobre o livro, e fiquei super feliz. Qualquer dia desses quando estiver em Natal tomamos umas e debatemos sobre política e sacanagem, não vai faltar assunto!

Abraços