Eu tava preparando uns textos aqui pra minha mãe, na verdade umas poesias de ex-alunos da escola em que ela trabalha (NEI, uma escola infantil), e dentre aquelas mensagens nostálgicas, eu lembrei também da minha primeira escola, do meu ensino infantil, dos velhos amigos e professores. Boas lembranças, claro. Sobretudo pra mim que sempre considerei a minha infância - na escola - quase perfeita.
Não é difícil puxar na memória. Estudei nessa escola, que ainda hoje continua de pé, no coração do bairro Lagoa Nova, de 1990 a 1996, e sempre pensava em mudar de escola - pensava em como seria empolgante isso. Esse período em que lá estive me parecia eterno, uma vidinha inteira dentro de um recinto. Mas eu veria que a eternidade viria logo depois, assim que eu mudasse de escola - e aprendi que a eternidade nem sempre se reduz à quantidade de tempo.
Eu não conhecia muita gente na escola. Apesar do largo tempo, minhas amizades se reduziam aos meus colegas de classe. Nos divertíamos perdendo tempo exatamente como hoje, com papo-furado sob as árvores, jogando uma bola, ou olhando pra qualquer garotinha nova na escola. Éramos um grupo reduzido de colegas, sempre malhados pelos caras das turmas de nível mais elevado que o nosso (lembro que os caras da oitava série eram os piores).
Eu mudaria de escola pela primeira vez em 1997. Não por insistência minha, mas sim por aperto no bolso de minha mãe, funcionária pública, no auge do reacionarismo de FHC. No primeiro semestre, passei quase indefinido, estudando em umas três escolas diferentes. Mas ao segundo semestre postei-me numa escola pública, na qual estudaria durante quatro longos anos. E daquela minha primeira escola que ficava pertinho de casa (agora não ficava mais, eu também já estava morando num bairro periférico), só sobrou um ou dois colegas com quem ainda me encontro, muito eventualmente.
Fico até imaginando como eu era, até esses dez anos. Se eu visse na minha frente hoje aquele Leon, aquele moleque inseguro, nervoso com qualquer coisa, diria "tenha senso de humor, cara, você vai precisar". E quer saber? Só uma coisa é importante: não se preocupar com nada, porque tudo é uma ninharia. Paciência.
segunda-feira, 20 de dezembro de 2004
Primeiros momentos
Opa, aqui estamos após alguns dias. Andei fazendo pouca coisa, ultimamente, bem como eu gosto. São últimas semanas de aula (ainda estudarei até janeiro), últimas avaliações, aquelas que vão (agora sim) decidir se você segue em frente ou se fica pra trás. Mas não falarei disso.
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