domingo, 6 de março de 2005

Melhores momentos

Depois de dois anos de um inferno astral aparentemente sem fim, de insucessos em vários campos, problemas familiares, reprovações atrás de reprovações na escola e em cursos, eu não estou em paz com o mundo - estarei sempre em guerra com ele - mas posso dizer que hoje realmente as coisas esfriaram bastante.

Mas a virada foi também muito rápida. O ano começou péssimo. Péssimo mesmo. A primeira notícia, vergonhosíssima, foi que não consegui passar na porra do vestibular de Filosofia. Tirei zero na prova de Química. Zero. Pra que um filósofo tem de entender de termodinâmica, eletrólises, ligações químicas? "Somos só átomos e vácuo", dizia Demócrito.

Mas logo a seguir fiz o vestibular do Cefet, que oferece tantas oportunidades quanto, mas é infinitamente menos visado que o da UFRN. E, bem, eu realmente não esperava que apenas isso mudaria consideravelmente as coisas. O resultado foi positivo, fui 2° lugar no ranking geral, escolhi um curso, que, ao contrário de Filosofia, é muito melhor-visto, e minha mãe até pareceu orgulhosa (sempre parece quando fala de mim pr'as outras pessoas). De qualquer forma, a barra aliviou por aqui. Serviu como um pouco daquela coisa de "provar pra todo mundo que eu não precisava provar nada pra ninguém".

Além do mais, soma-se a isso o fato de a qualidade de vida da gente ter-se aumentado consideravelmente, nos últimos tempos. A justiça tem andado (pelo menos no nosso caso), as manifestações têm dado retorno (minha mãe é servidora federal, clássicos reivindicadores de aumento salarial), e outros fatores têm contribuído para um rápido crescimento dos números no contracheque de minha mãe, que, na verdade, mal trabalha.

Como se não bastasse, até a sorte ajuda. Na primeira compra que fiz (uma reles sanduicheira) com um cartão de crédito, estive automaticamente concorrendo a um sorteio oferecido pelo cartão (ao qual não estava sabendo). E de quebra, pra fechar (fechar? Será?) com chave de ouro esta fase, eu ainda ganhei uma assinatura anual da revista Época e um tal dum relógio Mondaine - que, na verdade, é um modelo feminino, e eu terminei por dá-lo para minha mãe. Eu não sei o que ele pode ter de mais especial e a Época nem é minha revista preferida, mas como qualquer cidadão moderno, sempre disposto a aceitar tudo, não seria eu que os recusaria.

Fosse a Veja (revista à qual não poupo críticas), poderia até pensar em dizer não praquela voz de sotaque paulista que me tendia a topar a oferta. O relógio, disse a senhorita, é no valor de 300 reais. Minha mãe, ostentadora contumaz de cifras e objetos de igual valor, 'até que gostou' daquilo. E agora tá lá, toda aparatosa, e munida do seu novo e querido Mondaine.

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