sexta-feira, 13 de julho de 2007

Dilemas na hora de postar

- Enfim, acho que agora vai.

Faz dias que não posto, embora estivesse com vontade de escrever. Meus dedos andavam pulando. No entanto, nenhuma idéia me surgia. Nada de novo, nem nada velho que pudesse ser reaproveitado. Como sempre, sentava-me diante do computador, e nada saía. De qualquer forma, estou, agora, com a fixação de postar isso. Nem que passe todo o resto da madrugada filosofando. São 4h e enfim me acomodei de vez, depois das últimas conversas no msn, das últimas postagens no orkut, das últimas notícias lidas e dos últimos emails respondidos. Acomodo-me com meu Cantina da Serra que faz dupla perfeita com um copo fundo, mas este eu aproveito pouco (prefiro beber no gargalo, mesmo com o litrão)... aliado a eles, ouço um pouquinho de Mogwai. Fico buscando inspiração olhando pros meus quadros de paisagens e pôsteres de roqueiros drogados e líderes revolucionários, mas nenhuma nova teoria ou composição extraordinária me vem. Fico folheando livretos em busca de um diálogo que me estimule a imaginação, porém somente canso minha vista. Fico bebendo e bebendo à espera de que o vinho barato me faça alguma cócega no cérebro, entretanto isso não me traz nada, senão mais vontade de beber. Nada de alucinógenos nem de janelas abertas para que eu possa atiçar minhas quimeras. Fico na mesma.

Dia desses postei uma frasesinha dum livro de Fante, no qual seu alter-ego Arturo Bandini passa metade do tempo filosofando acerca do desejo de se tornar um grande literato. Ao menos Bandini, como o bukowskiano Henri Chinaski, conseguia vender contos de vez em quando, o que dava-lhe uns trocados novos por dias. Eu sempre penso em vender meus contos... isso até cair na real. Escrevo mil coisas neste computador, compilo algumas histórias para o blog e deleito-me imaginando a mim mesmo como um escritor reconhecido, com o prazer de quem vê o cheque chegar pelo correio junto do anúncio de que seu texto está sendo publicado em livros e jornais periódicos. Os meus escritos não são publicados além deste blog, mas se não fosse este blog, oh - o blog, a noite, vários tragos de uma bebida qualquer, mas principalmente o blog - eu seria um cara incompleto. Estar aqui a digitar qualquer amenidade é-me um prazer sem medidas, semelhante ao qual há poucos, seja ouvir uma música que me envolva, deliciar-me ao lado duma garota, divertir-me enquanto jogo futebol. Contudo, só o momento da escrita traz à minha cabeça viajante uma vaga idéia de autoconhecimento. Ainda que esse autoconhecimento traga constatações amargas - de minhas limitações, por exemplo. Por exemplo, por exemplo. Mas até esta aparentemente cruel percepção provoca uma rachadura em meus lábios e me tira um sorriso meio envergonhado numa madrugada tão aleatória como esta em que escrevo. Sorrisinho amargurado, porém anos-luz mais edificante que os sorrisos fáceis que espalho à luz do dia, aos olhos de quem quiser ver. Sinto uma última carreira de vento causar em mim um fino arrepio, percebo que filetes de luz solar começarão a invadir meu quarto por frestas que não sei onde estão e através duma repentina sensação de frio, noto que derramei um bocado de vinho no meu colo. É o suficiente. Já me expus demais, principalmente a mim mesmo. Hora de postar.

7 comentários:

Anônimo disse...

hehehe, como já disse cazuza: pq q a gente é assim???

Anônimo disse...

Olá, achei seu blog em uma comunidade do orkut, gostei dele, apesar de vc ser novinho, vc tem boas ideias e seu blog é muito bem feito!!! Digo uma coisa, nas horas que estamos menos inspirados surgem os melhores posts, para evitar isso, ai vai uma dica, eu escrevo sempre varias historias que poderiam render post em um arquivo no word, e qndo eu estou sem ideias vou lá e dou uma olhada hehehe Valeu bj

Anônimo disse...

gostei da descrições e tla... mas acho que escrevemos melhor quando não sabemos que alguém vai ler... mesmo blogueiros desconhecidos... bjuuuusss!!!

Anônimo disse...

Ouça Kitaro, relaxe e...desça a lenha nas tias fofoqueirs, no motorista mal educado, coloque a culpa da existência das pulas no cão do seu vizinho que não tomam banho há meses...rs... P.S.: Já diminui o tamanho da foto e traduzí os ecritos de meu pai. Abraços,

Anônimo disse...

Até os grandes nomes da literatura já tiveram suas crises e devem ter jogado coisa boa fora, por causa da autocrítica. O negócio é fazer como Baudelaire, tentar tirar beleza das coisas pérfidas. Você pode escrever sobre algo banal de uma forma que ele pareça bonito e importante. Escreva pra si mesmo. A leitura alheia e os julgamentos decorrentes são secundários.

Anônimo disse...

lendo de novo teu post, me dei conta de uma coisa... pq será que temos tantas idéias, mas não escrevemos? o que tu disse sobre cair na real quando pensa em esvcrever um livro de contos, é tão limitador!!! temos que acreditar mais em nós mesmo! a preguiça, com certeza, é o meu maior pecado, hahahahahaha.... bjuuuusss!!!

Anônimo disse...

Legal. (Tô sentindo falta do comandante Milanez por aqui.)