sábado, 18 de agosto de 2007

O dia em que vida e morte se misturaram numa mesma vagina

Eu realmente não acreditei no que vi quando aquela garota arriou a saia. De pronto, só pude berrar: "que droga, será que não existe uma porra duma garota saudável nesse bordel?" Dava-me saudades das garotinhas branquinhas da escola... pelo menos da época em que eu ia pra escola pensando nas garotas, e não pensando em movimento estudantil, ou onde ia beber depois da aula, ou em chegar logo em casa pra me livrar dos sons de outras vozes perturbadas e sempre preocupadas com alguma coisa!

Apesar de os prostíbulos hoje serem amaldiçoados até por quase todos os homens (como isso foi acontecer?), eu sempre respeitei muito esses ambientes, que estão presentes em todos os lugares, em todos os tempos. Certamente, foi nesses tais cantos que as grandes decisões que mudaram o rumo da História foram mudados. Agora, obviamente, que isso aconteceu nos grandes bordéis: eu, contudo, sempre freqüentei puteiros de quinta, embora eles estejam se "modernizando": neles, por exemplo, nenhuma puta trepa sem camisinha hoje em dia.

De fato, fazia muito tempo que eu não tomava tragos duma rapariga. Até que, dia desses, decidi que faria isso num bordelzinho ali no Alecrim, porém antes estava bebendo com colegas num cemitério, o principal da zona, num antigo ritual post meridiem. Meus amigos estavam sentados em fila, cada um num túmulo diferente. Eu fiquei indignado com aquilo:

- Pô, vocês não respeitam nem morto, meu?

- Qual'é, Leon? Tu vai sentar aonde? Vai pedir mesa pra Deus, por acaso?

Não me restou nada a não ser sentar-me em outro, também. Porém, não sem antes saber onde eu ia pôr a bunda. No primeiro túmulo, achei que coincidentemente era de outro Leon, porém lendo melhor, percebi que se chamava Leôncio. Não havia nenhuma referência além de sua data de nascimento e de morte. No túmulo do lado eu vi uma foto de uma garota falecida aos dezesseis anos. No retrato parcamente colorido, ela estava de vestidinho tomara-que-caia, tinha pele alva e levemente rosada, vastos cabelos louros, olhos pequenos, narizinho empinado e um sorriso tímido e encabulado. Não sei que sensibilidade tem uma família que coloca uma foto sorridente no túmulo duma adolescente morta. Mas vai entender... vai ver todas as fotos disponíveis expunham sorrisos, como parece ser regra.

Entretanto, como eu nunca fui espectrófilo nem nada, meu encantamento pela garota minou-se no momento em que me ofereceram outra dose. Eu logo me deitaria no túmulo, e, junto da rapaziada, conversaria ainda durante mais umas duas horas. Só depois que todos os litros e todos os assuntos do dia terminaram, ofereci a idéia de matarmos o resto das horas na choperia mais próxima. Ninguém topou, e todos foram-se embora. Mas eu decidi dar uma passada na dita choperia, que era mais do que uma simples choperia, era um cabaré.

Lá, eu somente pedi uma cerveja. Como de costume, ia sentar e observar o que o ambiente oferecia. As mulheres eram de péssima qualidade, até mesmo para um bêbado como eu e os muitos outros que estavam em suas mesas. No entanto, quando passou uma guria pequena e loura, e sorriu meio envergonhada para cada cara em suas mesas, logo me veio à mente a defunta do cemitério! Vi um rosto morto na imagem da putana que passava, e decerto trabalhava há pouco tempo no local, vide pelo fato de não ser tão acabada quanto as outras. Quando ela passou diante de mim, puxei-a pelo braço e a fiz sentar no meu colo. Ela fez queixa, porém logo daria seu preço e me levaria para algum quarto. Viramos três cortinas até achar algum disponível, mas assim que entramos, ela não hesitou em me acariciar e dar o trato que por certo lhe ensinaram muito bem, embora retardasse em tirar suas poucas vestimentas completamente. Até que eu, já meio agressivo, perguntei qual era a dela, se não fazia o serviço completo.

- Meu, isso é que dá colocar virgem pra trabalhar... - reclamei.

- Calma...

De qualquer forma, ela sabia que teria que tirar, apesar de toda cerimônia. Todavia, quando baixou a saia, senti o asco exposto na primeira linha desta narração. Perguntava a mim mesmo ou a quem quisesse responder em voz alta qual a origem daquele estrago! Certamente, ela já protagonizara barracos maiores de outros clientes. Durante minutos, mantive meus olhos arregalados, enxuguei o suor de minha testa e tapei minha boca, que depois da gritaria inicial, manteve-se aberta denotando meu ar de espanto. Sua vulva parecia estraçalhada, eu não conseguia distinguir local de entrada/saída de nada naquele congestionamento anatômico de sangue e pregas.

- Meu pai deu um tiro na minha vagina, quando descobriu que eu não era mais virgem. É claro que nunca cicatrizou perfeitamente. Ele, depois, me expulsou de casa, então eu tive...

- Tá, não precisa contar mais!

Eu não tava afim de ouvir histórias sensíveis. Não naquela hora. Em qualquer outro momento. Na hora da foda, não! Tava a fim de esquecer rapidamente o ridículo que foi o dia em que uma defunta me chamou a atenção e decidi que ia para casa dormir. Saquei logo da grana e deixei em cima do balcão, vesti logo minha bermuda, sem cueca nem nada, queria sair dali o quanto antes.

- É sempre assim que se comportam comigo! - ela gritou, por fim.

- A vida é injusta, minha filha! - respondi de bate-pronto. "Só não é injusta a meu favor", foi o que pensei quando mexi na carteira e percebi que toda minha grana tinha ido embora nessa peripécia grotesca.

Um comentário:

A... disse...

Nossa! Tenso!

Não sei se fico solidária pela garota que levou o tiro do pai ao descobrir que ela não era mais virgem, ou se pelo fato de sua grana ter sumido de sua carteira... rs

Que passado macabro! ^^