quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Vozes e Visões

São quase 4h da manhã no momento em que acordo... nem me lembro direito as circunstâncias em que dormi, mas ao despertar percebo que não me são totalmente estranhas - televisão, computador e luzes ligadas, copo de café mal-acabado do lado da cama, um nervosismo exacerbado, próprio de quem acorda e pensa estar atrasado para um compromisso... na TV, parlamentares estão se digladiando em alto som.. procuro o controle remoto, enquanto os discursos inflamados não se propalam pra mim sob uma forma lógica do tempo-espaço... só o que ouço são berros horrorosos e desorganizados, demonstrações de ódio sem começo nem fim, caretas e outros artifícios sádicos utilizados por quem tenta impressionar alguém por meio das palavras... mas que palavras, onde elas estão?

Desligo a TV, mas as vozes agitadas elevam-se em minha cabeça... continuo me sentindo num grande salão de dança onde todos os pares, ao invés de dançar, reclamam e difamam uns aos outros... céus, fico me perguntando o que foi que fiz para merecer este tormento, onde eu estava, acaso eu não conseguia perceber que tudo eram apenas vozes da minha cabeça?!? Começo a chorar porque sinto-me como um homem que se vê sem os braços e sem as pernas, ou apenas como uma criança que acredita ter visto um monstro dentro do armário, cuja mãe não está por perto para ajudar. Minha mãe também não está por perto; decerto ela é, inclusive, mais uma das vozes que se agonizam torturadas e aflitas dentro da minha mente... não tenho a quem pedir ajuda neste salão de ira, desprezo e repulsa no qual me sinto como se estivesse plantado... não tenho par... e não vejo a saída... apago as luzes, porém minha vista fica ainda mais ofuscada... o que antes iluminava a todo meu quarto, sinto agora como se fosse uma mira de raio-laser diretamente em meus olhos... procuro ver ao meu redor, mas pouco ou nada é o que consigo discernir, tudo são clarões, flashs e pessoas apontando dedos entre si, alguns desses dedos até apontados para mim... tapo meus ouvidos com força e só o que ouço são vozes cada vez mais amarguradas, num som cada vez mais intenso, mais intenso, muito, muito mais... reconheço-me em meu quarto e decido que nem pensarei em sair de casa quando o dia já estiver claro e chamativo, desligo computador, celular e qualquer coisa que possa me fazer ter contato com pessoas declinadas ou corruptoras, mas isso apenas me deixa com a apreensão de que estou ainda mais vulnerável, como se estivesse no centro de uma arena, na qual todas as pessoas das arquibancadas estivessem prontas, ao primeiro sinal verde, para me presentearem com uma rajada de metralhadora! Deito-me na cama e isso mais me faz sentir vontade de correr, de ir para algum lugar que não seja aqui... no lençol umedecido pelas minhas lágrimas, sinto um pouquinho de conforto neste inferno em que me sinto posto... tento adormecer por crer que é o último recurso que me resta - quem sabe, quando eu acordar a próxima vez, estes demônios não mais estarão aqui? Quem sabe? Não custa tentar...

Foi um dos piores pesadelos da minha vida.

5 comentários:

Girotto disse...

Onírico ou esquizofrênico?
Sacanagem, o texto tá massa.

Vá depois ler aquele livro do Rubem fonseca, você vai ficar doido.

Valeu, cara.

Diana disse...

Cara, gostei do que li por aqui. Voltarei mais vezes...

An@Lu disse...

muito bom o texto. a forma como você escreve nos leva para dentro do pesadelo e faz ler mais e mais rápido. Adorei, como sempre!

Let's disse...

gente, já não tava mais conseguindo respirar de tanta agonia, hehehehehe...
bjus!

Jordana disse...

Faço minhas as palavras da Immature girl.