O blog está parado - mais do que o normal - porque estou sem computador, e esta postagem, que rabisco numa folha de papel, provavelmente será publicada quando eu tiver uns trocados pra gastar em algum cyber ou quando me aproveitar da bondade de algum amigo para ditá-la por telefone. De qualquer modo, tenho pensado naquele lema cuja sentença diz que só pensamos no quão algo ou alguém é importante pra nós quando o perdemos. Eu não perdi ninguém, e a falta de uma conexão à internet não é o que vai me fazer ficar em depressão, contudo só agora - quando me vejo distante do blog - é que me lembro de que ele era um espaço que eu tinha para dizer algo e que a distância é como me fizesse estar sem voz. Logo para mim, que tanto gosto de escrever, e que não sou nem um pouco fã de manuscritos.
Porém eu estive, nas oportunidades que tive, entrando no blog... como visitante, mesmo, já que adoro ler o que produzi. A maioria das coisas que escrevo traz boas doses de sinceridade, e isso me é especialmente interessante, porque sou uma pessoa muito inconstante, e reler o que fiz é sempre algo novo... frequentemente discordo do que postei, ou penso que poderia ter feito de melhor forma. Embora nunca me veja à margem do que escrevi, o que parece óbvio, visto que praticamente tudo é advindo de experiências e opiniões pessoais, mas não o é, exatamente. Dia desses me sugeriram mudar o nome do blog para 'diário de leon', pois eu me atinha predominantemente a detalhar o que vivia e deixava o leitor distante do que se passava, sem nenhum espaço para uma reflexão própria... parece-me não mais que uma análise simplista, expressa principalmente pelo fato de eu escrever em 1a pessoa... se não há espaço para reflexão alguma do leitor no texto sobre o quebra-cabeças ou na alegoria do espelho, então realmente avalio muito mal o que eu mesmo faço...
O que senti, e essa crítica eu mesmo expresso, é que tenho restrito muito o blog, criando contos e tal, e perdendo um pouco a despretensão que esse artifício virtual oferece. E claro que não é de hoje... faz pelo menos dois anos que deixei de lado o prazer maior em ter um blog, que é, simplesmente, postar. Sempre que puder. Claro que a qualidade é importante... não vale postar dizendo 'oi, estou atualizando'. O que é o mais importante, porém, é o processo de postar. É como o velho dilema gessingeriano do tenista, que entra numa competição com outros 63 adversários, da qual só sairá um vencedor. Os demais vão ter que buscar algum outro motivo para fazer valer a pena a participação. E o motivo, tão-somente, é competir. É participar do processo. Nessa cultura pop mastigada onde tudo já deve estar pronto, claro, rotulado, definido, estático, onde tudo tem nome, onde se está alegre ou triste, doente ou sadio, onde se quer ir pro cinema ou ficar em casa, onde se é caseiro ou baladeiro, as pessoas terminam perdendo o foco de que o prazer está no processo de construção, no que tá incompleto. O que já está pronto não tem pra onde mudar. O que é perfeito não pode evoluir. É como terminar um quebra-cabeça... de que vale um quebra-cabeça montado?
Essa necessidade de postar sempre algo bom fazia com que eu me repreendesse bastante antes de publicar algumas coisas, e isso se refletiu, naturalmente, no distanciamento entre os textos expostos, em geral postando somente uma vez por semana. Só agora percebo o quanto isso me desagrada como leitor. Blog não é livro, não preciso me policiar. Afinal, não to querendo ser melhor que ninguém [talvez até esteja, mas isso é - acreditem - algo inconsciente]. No fim das contas, o que a gente tem de interessante é o que a gente tem de errado. Fazer certo, bem-feito, tem um monte de pessoas por aí que faz, e lá atrás na História, tem outros que fizeram ainda melhor. Quer ler contos de altíssima qualidade? Procura um Machado de Assis, tá fazendo o que no meu blog? O que quero dizer, enfim, é que a graça já não tá em tentar fazer sempre a coisa certa... e sim em se permitir errar. Não é questão de ser algo mal-feito, e sim de algo que está inerente a nós, uma particularidade inevitável do nosso tempo, onde todo mundo tá sempre tentando ser perfeito em tudo. Eu demorei pra sacar essa estranha idéia, entretanto agora percebo que, se todos tentam seguir pela rodovia principal, ela termina ficando congestionada, e a melhor opção passa a ser a ciclovia. É por este caminho que eu seguirei daqui por diante.
Porém eu estive, nas oportunidades que tive, entrando no blog... como visitante, mesmo, já que adoro ler o que produzi. A maioria das coisas que escrevo traz boas doses de sinceridade, e isso me é especialmente interessante, porque sou uma pessoa muito inconstante, e reler o que fiz é sempre algo novo... frequentemente discordo do que postei, ou penso que poderia ter feito de melhor forma. Embora nunca me veja à margem do que escrevi, o que parece óbvio, visto que praticamente tudo é advindo de experiências e opiniões pessoais, mas não o é, exatamente. Dia desses me sugeriram mudar o nome do blog para 'diário de leon', pois eu me atinha predominantemente a detalhar o que vivia e deixava o leitor distante do que se passava, sem nenhum espaço para uma reflexão própria... parece-me não mais que uma análise simplista, expressa principalmente pelo fato de eu escrever em 1a pessoa... se não há espaço para reflexão alguma do leitor no texto sobre o quebra-cabeças ou na alegoria do espelho, então realmente avalio muito mal o que eu mesmo faço...
O que senti, e essa crítica eu mesmo expresso, é que tenho restrito muito o blog, criando contos e tal, e perdendo um pouco a despretensão que esse artifício virtual oferece. E claro que não é de hoje... faz pelo menos dois anos que deixei de lado o prazer maior em ter um blog, que é, simplesmente, postar. Sempre que puder. Claro que a qualidade é importante... não vale postar dizendo 'oi, estou atualizando'. O que é o mais importante, porém, é o processo de postar. É como o velho dilema gessingeriano do tenista, que entra numa competição com outros 63 adversários, da qual só sairá um vencedor. Os demais vão ter que buscar algum outro motivo para fazer valer a pena a participação. E o motivo, tão-somente, é competir. É participar do processo. Nessa cultura pop mastigada onde tudo já deve estar pronto, claro, rotulado, definido, estático, onde tudo tem nome, onde se está alegre ou triste, doente ou sadio, onde se quer ir pro cinema ou ficar em casa, onde se é caseiro ou baladeiro, as pessoas terminam perdendo o foco de que o prazer está no processo de construção, no que tá incompleto. O que já está pronto não tem pra onde mudar. O que é perfeito não pode evoluir. É como terminar um quebra-cabeça... de que vale um quebra-cabeça montado?
Essa necessidade de postar sempre algo bom fazia com que eu me repreendesse bastante antes de publicar algumas coisas, e isso se refletiu, naturalmente, no distanciamento entre os textos expostos, em geral postando somente uma vez por semana. Só agora percebo o quanto isso me desagrada como leitor. Blog não é livro, não preciso me policiar. Afinal, não to querendo ser melhor que ninguém [talvez até esteja, mas isso é - acreditem - algo inconsciente]. No fim das contas, o que a gente tem de interessante é o que a gente tem de errado. Fazer certo, bem-feito, tem um monte de pessoas por aí que faz, e lá atrás na História, tem outros que fizeram ainda melhor. Quer ler contos de altíssima qualidade? Procura um Machado de Assis, tá fazendo o que no meu blog? O que quero dizer, enfim, é que a graça já não tá em tentar fazer sempre a coisa certa... e sim em se permitir errar. Não é questão de ser algo mal-feito, e sim de algo que está inerente a nós, uma particularidade inevitável do nosso tempo, onde todo mundo tá sempre tentando ser perfeito em tudo. Eu demorei pra sacar essa estranha idéia, entretanto agora percebo que, se todos tentam seguir pela rodovia principal, ela termina ficando congestionada, e a melhor opção passa a ser a ciclovia. É por este caminho que eu seguirei daqui por diante.
3 comentários:
Boas pedaladas, cara!
Nos vemos mais, pelo que entendi.
Abraços
Literatura Vil
Muito bom.
Postar um comentário