Caí, então, naquela que seria a fase mais sem-graça de minha efêmera vida, mas que eu adorava. O rock, o movimento estudantil, o centro das atenções. A adolescência era um altar de prazeres. Desse período, acumulei algumas fotografias de viagens, alguns vícios desagradáveis e uma ou outra doença venérea, rapidamente tratada. Quando batia uma crise de existência, eu, claro, só tinha uma companhia. Mas não a valorizava. Nunca a valorizei. Quando surgia a oportunidade, lá estava eu renegando-a; era totalmente convicto de minhas posturas, afinal. Que bobagem! Aliás, nisso eu evoluí, enquanto outros consideram retrocesso o mesmo trajeto: a idéia de jovem é a de uma pessoa sem nenhuma segurança, e que só vai adquirindo-a com o correr dos anos. O meu caso é inverso. De um garoto idiota, soberbo e pretensamente convicto do que pensava, fui me tornando mais inseguro e angustiado nesse meio tempo. Essa insegurança adquirida que me fazia valorizar ainda mais aquela que realmente merecia.
Depois desses anos de ensaios viciosos, escatológicos e amorosos, vou terminando e recomeçando etapas da vida cada vez com menos certeza das coisas, e menos esperança de alcançá-la. No entanto, sigo a passos firmes, na companhia da solidão, somente – eis a minha companheira fiel, essa solidão... Solidão que se impõe na vida de muitos a contragosto, mas que vence, no final das contas, ainda que pelo cansaço. A solidão é a pena dos desgraçados, disse-me um amigo certa vez. Ele considerava, então, que a solidão levava à morte. Eu não considero. O medo da solidão é latente na maioria das pessoas, mas o convívio com ela é permanente, gostemos ou não. Assim, faço poemas e contos que falam, entre várias coisas, das garotas, de meu passado, e, sobretudo, da solidão; porque só assim posso aprender mais também sobre ela. Somos, todos, afinal, apenas um peso, um fardo nocivo e molesto para nós mesmos... E pensamos que não sabemos! A única coisa que merecemos é o fundo escuro de um porão. Quanto aos solitários, não são eles os fugitivos dessa dura realidade.
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Aos que estão lendo isso e, por ventura, morem em Natal, fiquem atentos: gravamos entrevista hoje na TV Assembléia, e brevemente estaremos na TV Universitária; as revistas estão à venda, por ora, nas livrarias Siciliano e na PotyLivros, mas já estão em fase de distribuição às demais livrarias. A Tá na Cara! é trimestral.
Eu faço parte do conselho editorial e escrevo matérias, além de uma seção onde exponho contos inéditos. Brevemente lançaremos campanha para assinatura da revista e um web-site.
Quem quiser conhecer o Ângelo Girotto, editor, diagramador, repórter e cronista, basta procurar no menu de links o seu blog, cujo nome foi gentilmente cedido à nossa revista. Sem mais, saudações aos navegantes!
4 comentários:
Muitas vezes em nossa vida renegamos as pessoas que mais nos querem bem, demoramos uma eternidade para dar a elas o valor merecido e, um dia, quando percebemos o real significado da mesma, é tarde demais para trazê-la para perto de nós.
Faz algum tempo que li o que escreveste, só não comentei antes.
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Parabéns pelo novo projeto com a revista.
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Enquanto falas na namorada que não tiveste, lembro que se não fosse eu a convidar meu marido para o namoro, nunca teríamos casado. Ele era profundamente tímido.
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Tens razão, estando como estivermos a solidão será sempre nossa companheira, infelizmente.
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Gostei do blog do seu amigo.
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Beijos!
apesar, da grafia e do que os gramáticos chamam de pleonasmo etmológico (... e et ceteras...)et coetera que em latim quer dizer: e o resto, meus parabéns pela produção do texto cujas as nuances intrínsecas a ele, chega a verdadeiramente tocar no âmago dos leitores.
Juro que inicialmente pensei que estivesse falando de Kaká, hehehehe.
Já estava com um sorriso "eu sabia!" na cara, mas... boa surpresa.
Parabéns de novo pela Tá na Cara!
Valeu!
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