Ainda me recordo de quando, jubilado da faculdade e procurando trabalho, cogitei sair de casa a primeira vez.
- Não, não, não e não!
Era sempre uma negativa aos colegas que, recém-ingressados na Universidade, queriam alguém pra dividir quarto, apartamento, ou o que lá fosse. Mas eu não queria. Estava saindo de casa não por uma incompatibilidade de interesses somente com a minha mãe, e sim por uma impossibilidade de permanecer dividindo vida com alguém. Não conseguia, e não consigo, me sentir confortável sabendo que chegarei em casa e lá haverá outra alma atormentada que, de alguma maneira, roubará a minha paz, a minha solidão - sem oferecer verdadeiramente companhia.
Sendo assim, a única opção que me restava era procurar outros lugares, tipo hotéis ou pensões. O primeiro que experimentei foi um hotel barato, infiltrado numa movimentada rua da Cidade Alta, mas tão decadente que poucos já lhe deram atenção ao passar por ali. Não trazia consigo nenhum charme daqueles de filmes, nenhum letreiro de neon piscante. O nome do recinto - Hotel Nordeste - estava mal pintado na parede, bem como toda sua tabela de preços. Uma noite custava 10 ou 12 reais; um mês, 200 reais. Dormi lá só uma noite. Mas é horrível dormir em hotel barato; ao menos, se considerar que todos os hotéis baratos são como esse. Em primeiro lugar, o quarto já não me oferecia muito. Havia dois beliches, um deles sem qualquer cobertor, e uma parede descascada, rachada e rabiscada até o último centímetro. Mas isso não era o pior. O pior era não ter o banheiro no quarto. O assistente me houvera acompanhado até o segundo andar, onde eu ficaria hospedado, e me apontara o no fim do corredor. Esperei que ele descesse para poder ver como era o interior, e notei que aquele lugar poderia servir para tudo, e tudo mesmo, considerando que ali deve ser também ponto de atuação de boa parte das meretrizes da Cidade Alta, menos para a higiene ou qualquer coisa que o valha. O banheiro é muito importante. Às vezes, quando a própria residência nos representa um peso, o banheiro é o único lugar que pode servir de refúgio. Nesse hotel, entretanto, eu não teria esse refúgio.
Num hotel desses, fatalmente aparecerá um bêbado mexendo no trinco da porta pela madrugada. Foi o que de fato aconteceu; no final da madrugada, desperto e ouço uma voz rangente e uma insistente luta para abrir a fechadura. Sem sucesso, é lógico. Nem o bêbado nem eu, que decidi procurar outro lugar.
Quando, depois, fui procurar um kit-net nos fundos de uma casa, num bairro nobre, a coisa só pioraria. Ainda me lembro de entrar no quarto, um entre quatro, sem nada lá dentro senão um guarda-roupa, uma cama e um criado-mudo, enquanto eu só carregava umas roupas e livros na mochila e um violão; mas este eu nem sei porque carregava, fazia mais de um ano que não o tocava, hoje faz muito mais. Também não sei mais por onde ele anda, emprestei a alguém que precisava de um violão de papelão e cordas de nylon pra aprender uns abjetos acordes e nunca mais pedi de volta.
Como foi dito, o kit-net ficava nos fundos da casa de um casal de senhores, que eu pensei que facilmente dobraria, só que não foi bem assim. Eu era iniciante na coisa de garimpar noites em quartos estranhos, era mais fácil dormir na rua - e foi o que realmente me ocorreu nessa época, por uma ou duas vezes. Por outro lado, o coroa parecia já ser bem esperto a ponto de enrolar sua clientela. Nos dias em que lá estive, em todos ele vinha me encher o saco, dizendo o que poderia ou não fazer, reclamando de todas as coisas, não importava se eu fechasse a porta (ele mandava uns bilhetes por baixo dando orientações disso e daquilo). Eram um casal de pentelhos coroas, só então entendi por que ninguém dos outros quartos estava lá a maior parte do tempo. Maldito velho, senti vontade de matá-lo quando estava na terceira noite, mas desisti e fui apenas embora, deixando pra trás a solidão de uma cama desfeita, uma cueca suja e o aluguel de um mês pago adiantado... aquele dinheiro não faria falta se eu encontrasse o sossego em qualquer outro lugar, nem que fosse num banco de praça.
Talvez as piores experiências fossem com mulheres, a maior parte delas com uns anos a mais do que eu. Eu lembro que recorri a algumas nos momentos mais difíceis. Era sempre bem-recebido, não só como visita. Elas sempre queriam que ficasse mais. E mais. Devia haver algo que as afligia, porque eu notei que era comum que tais mulheres, depois de uma certa idade, sei lá, vinte e cinco, vinte e seis anos, não conseguissem mais suportar a idéia de serem sós, de viverem sós. A carência era absurdamente grande, e para elas era plenamente natural que eu lhes oferecesse amor em troca de um teto. Mas para mim não era, porque nunca supri carência de ninguém. Ainda mais de pessoas nesta situação... para elas, estar com alguém ia muito além da necessidade natural e animal que todos temos, era uma necessidade doentia, viciosa, sobre a qual elas não tinham nenhum controle.
Era difícil ir embora, porque a despedida nunca era algo cortês e sempre ficava a sensação de que ela cortaria a garganta assim que eu dobrasse a esquina - certamente nenhuma delas faria isso, mas só a sensação me cortava por dentro.
Mais de uma vez, aceitei convites de colegas para dormir na casa deles. Acho que dormir na casa de conhecidos me faria diminuir essa zanha misantrópica que carrego. E era bom, conversávamos muito. Mas como eu nunca via o meu hospedeiro ao dia - eu havia conseguido um trabalho, saía cedo e voltava no início da noite, nas quatro ou cinco vezes que dormi por aí de favor - nunca conversávamos muito. Quando o fazíamos, a conversa era sempre contida por necessidades outras.
- Vou dormir, boa noite - diziam, e se iam.
Eu nunca compreendi como dormir poderia ser um ato tão burocrático para as pessoas. Dava uma certa hora e diziam "vou dormir" para si e para quem mais fosse necessário, e se acomodavam, houvesse ou não compromissos na manhã do dia seguinte para justificar seu ato. Para mim, dormir era difícil. A menos que eu já estivesse tomado de sono a ponto de apagar assim que me deitasse, geralmente o que me ocorria eram perturbações sempre que eu me deitava. É por isso que fujo da cama, fujo porque ela me traz pesadelos enquanto ainda estou desperto. Não me deito nela de bobeira, esperando pegar no sono. Prefiro ler livros na poltrona e adormecer, ver TV no sofá e adormecer, ficar na internet e adormecer. Não consigo dizer nem pensar "vou dormir". Apenas adormeço, quando o corpo assim exige, sendo mais forte do que eu.
Essas e outras experiências se intercalaram com retornos turbulentos à casa de minha família por cerca de um ano. É demais, para qualquer um. Delas, ficaram alguns traumas meio difíceis de sanar, e uma necessidade potencializada de ficar distante das pessoas nas horas mais importantes - aquelas, perdidas no meio da madrugada. Assim, vou levando. Vez ou outra, ainda recebo telefonemas de velhas - e novas - garotas querendo conversar. Eu gosto, as conversas são revigorantes. Quem dera uma relação a dois se compusesse apenas de conversa. Também continuo a receber convites de amigos desejosos de dividir apartamentos. Permaneço recusando a todos.
Por outro lado, já não recebo visitas, senão de algumas baratas quando esqueço o ralo aberto, porque ninguém sabe onde moro. E ao menos isso já é garantia de que estarei livre de fantasmas estranhos quando me dirijo pra casa. Já basta o meu próprio.
- Não, não, não e não!
Era sempre uma negativa aos colegas que, recém-ingressados na Universidade, queriam alguém pra dividir quarto, apartamento, ou o que lá fosse. Mas eu não queria. Estava saindo de casa não por uma incompatibilidade de interesses somente com a minha mãe, e sim por uma impossibilidade de permanecer dividindo vida com alguém. Não conseguia, e não consigo, me sentir confortável sabendo que chegarei em casa e lá haverá outra alma atormentada que, de alguma maneira, roubará a minha paz, a minha solidão - sem oferecer verdadeiramente companhia.
Sendo assim, a única opção que me restava era procurar outros lugares, tipo hotéis ou pensões. O primeiro que experimentei foi um hotel barato, infiltrado numa movimentada rua da Cidade Alta, mas tão decadente que poucos já lhe deram atenção ao passar por ali. Não trazia consigo nenhum charme daqueles de filmes, nenhum letreiro de neon piscante. O nome do recinto - Hotel Nordeste - estava mal pintado na parede, bem como toda sua tabela de preços. Uma noite custava 10 ou 12 reais; um mês, 200 reais. Dormi lá só uma noite. Mas é horrível dormir em hotel barato; ao menos, se considerar que todos os hotéis baratos são como esse. Em primeiro lugar, o quarto já não me oferecia muito. Havia dois beliches, um deles sem qualquer cobertor, e uma parede descascada, rachada e rabiscada até o último centímetro. Mas isso não era o pior. O pior era não ter o banheiro no quarto. O assistente me houvera acompanhado até o segundo andar, onde eu ficaria hospedado, e me apontara o no fim do corredor. Esperei que ele descesse para poder ver como era o interior, e notei que aquele lugar poderia servir para tudo, e tudo mesmo, considerando que ali deve ser também ponto de atuação de boa parte das meretrizes da Cidade Alta, menos para a higiene ou qualquer coisa que o valha. O banheiro é muito importante. Às vezes, quando a própria residência nos representa um peso, o banheiro é o único lugar que pode servir de refúgio. Nesse hotel, entretanto, eu não teria esse refúgio.
Num hotel desses, fatalmente aparecerá um bêbado mexendo no trinco da porta pela madrugada. Foi o que de fato aconteceu; no final da madrugada, desperto e ouço uma voz rangente e uma insistente luta para abrir a fechadura. Sem sucesso, é lógico. Nem o bêbado nem eu, que decidi procurar outro lugar.
Quando, depois, fui procurar um kit-net nos fundos de uma casa, num bairro nobre, a coisa só pioraria. Ainda me lembro de entrar no quarto, um entre quatro, sem nada lá dentro senão um guarda-roupa, uma cama e um criado-mudo, enquanto eu só carregava umas roupas e livros na mochila e um violão; mas este eu nem sei porque carregava, fazia mais de um ano que não o tocava, hoje faz muito mais. Também não sei mais por onde ele anda, emprestei a alguém que precisava de um violão de papelão e cordas de nylon pra aprender uns abjetos acordes e nunca mais pedi de volta.
Como foi dito, o kit-net ficava nos fundos da casa de um casal de senhores, que eu pensei que facilmente dobraria, só que não foi bem assim. Eu era iniciante na coisa de garimpar noites em quartos estranhos, era mais fácil dormir na rua - e foi o que realmente me ocorreu nessa época, por uma ou duas vezes. Por outro lado, o coroa parecia já ser bem esperto a ponto de enrolar sua clientela. Nos dias em que lá estive, em todos ele vinha me encher o saco, dizendo o que poderia ou não fazer, reclamando de todas as coisas, não importava se eu fechasse a porta (ele mandava uns bilhetes por baixo dando orientações disso e daquilo). Eram um casal de pentelhos coroas, só então entendi por que ninguém dos outros quartos estava lá a maior parte do tempo. Maldito velho, senti vontade de matá-lo quando estava na terceira noite, mas desisti e fui apenas embora, deixando pra trás a solidão de uma cama desfeita, uma cueca suja e o aluguel de um mês pago adiantado... aquele dinheiro não faria falta se eu encontrasse o sossego em qualquer outro lugar, nem que fosse num banco de praça.
Talvez as piores experiências fossem com mulheres, a maior parte delas com uns anos a mais do que eu. Eu lembro que recorri a algumas nos momentos mais difíceis. Era sempre bem-recebido, não só como visita. Elas sempre queriam que ficasse mais. E mais. Devia haver algo que as afligia, porque eu notei que era comum que tais mulheres, depois de uma certa idade, sei lá, vinte e cinco, vinte e seis anos, não conseguissem mais suportar a idéia de serem sós, de viverem sós. A carência era absurdamente grande, e para elas era plenamente natural que eu lhes oferecesse amor em troca de um teto. Mas para mim não era, porque nunca supri carência de ninguém. Ainda mais de pessoas nesta situação... para elas, estar com alguém ia muito além da necessidade natural e animal que todos temos, era uma necessidade doentia, viciosa, sobre a qual elas não tinham nenhum controle.
Era difícil ir embora, porque a despedida nunca era algo cortês e sempre ficava a sensação de que ela cortaria a garganta assim que eu dobrasse a esquina - certamente nenhuma delas faria isso, mas só a sensação me cortava por dentro.
Mais de uma vez, aceitei convites de colegas para dormir na casa deles. Acho que dormir na casa de conhecidos me faria diminuir essa zanha misantrópica que carrego. E era bom, conversávamos muito. Mas como eu nunca via o meu hospedeiro ao dia - eu havia conseguido um trabalho, saía cedo e voltava no início da noite, nas quatro ou cinco vezes que dormi por aí de favor - nunca conversávamos muito. Quando o fazíamos, a conversa era sempre contida por necessidades outras.
- Vou dormir, boa noite - diziam, e se iam.
Eu nunca compreendi como dormir poderia ser um ato tão burocrático para as pessoas. Dava uma certa hora e diziam "vou dormir" para si e para quem mais fosse necessário, e se acomodavam, houvesse ou não compromissos na manhã do dia seguinte para justificar seu ato. Para mim, dormir era difícil. A menos que eu já estivesse tomado de sono a ponto de apagar assim que me deitasse, geralmente o que me ocorria eram perturbações sempre que eu me deitava. É por isso que fujo da cama, fujo porque ela me traz pesadelos enquanto ainda estou desperto. Não me deito nela de bobeira, esperando pegar no sono. Prefiro ler livros na poltrona e adormecer, ver TV no sofá e adormecer, ficar na internet e adormecer. Não consigo dizer nem pensar "vou dormir". Apenas adormeço, quando o corpo assim exige, sendo mais forte do que eu.
Essas e outras experiências se intercalaram com retornos turbulentos à casa de minha família por cerca de um ano. É demais, para qualquer um. Delas, ficaram alguns traumas meio difíceis de sanar, e uma necessidade potencializada de ficar distante das pessoas nas horas mais importantes - aquelas, perdidas no meio da madrugada. Assim, vou levando. Vez ou outra, ainda recebo telefonemas de velhas - e novas - garotas querendo conversar. Eu gosto, as conversas são revigorantes. Quem dera uma relação a dois se compusesse apenas de conversa. Também continuo a receber convites de amigos desejosos de dividir apartamentos. Permaneço recusando a todos.
Por outro lado, já não recebo visitas, senão de algumas baratas quando esqueço o ralo aberto, porque ninguém sabe onde moro. E ao menos isso já é garantia de que estarei livre de fantasmas estranhos quando me dirijo pra casa. Já basta o meu próprio.
23 comentários:
Vou confessar uma coisa, Leon, tenho o hábito, desde muito jovem, de associar uma obra fictícia à realidade, aproximando-a do autor. É um exercício mental (e lúdico) que adquiri ao longo dos anos, como uma espécie de análise do perfil psicológico do escritor, identificando-o com os personagens que cria.
Culpo Dostoiévski por isso, já que desde que li Crime e Castigo, aos 14 anos, procuro um pouco de Raskolnikoff em Dostoiévski.
Portanto, não estranhe se eu falar com os seus personagens como se estivesse falando com você.
Pra mim, essa é uma das magias da Literatura.
Um abraço!
Sair da casa de meus pais é um sonho q a partir do momento q realizei se tornou um pesadelo. Talvez por ser nova de mais, pois estava no 1º ano do ensino médio. Passei por velhas intrometidas, familias malucas e todo tipo de pessoas pertubadas. E hoje, além de experiência, não carrego nada de tudo q aconteceu.
Ainda estudo, e moro com a minha avó. Mas o trabalho em excesso e a maioridade me privam de determinados atritos.
Admito não ser uma pessoa facil de se conviver, e por isso tenho sede de liberdade.
Por se tratar de um texto, as vezes nao dá pra acreditar que é tudo real. é ou nao é?
Quando eu era pequena, pensava muito em morar na rua, achava que um dia eu ia mesmo morar lá, até tentei fugir, mas sempre fui covarde demais pra sequer colocar o pé fora de casa com minha mãe antes dos 12 anos.
Bem, eu diria que seu texto me lembrou os contos fantasmagóricos q venho lendo, principalmente a parte das mulheres, de nao suprir a carência de ninguém. Achei interessante, aliás, eu acho tudo aqui interessante.
besteira minha dizer que é um texto ótimo, porque todos aqui são.
Voce tem muitas histórias pra contar, é o que me parece, e eu vou continuar aqui, a ouví-las com toda atenção :D
;*
CAAAAARA, ME IDENTIFIQUEI MUITO COM ESTE POST!!Sei lá, acho que tem alguma coisa "profética" nesses blogs que calha de eu andar sempre me identificando com o que ando lendo ultimamente, eu hein!
O.o
Eu saí de casa também, e também acho triste chegar e ter almas atormentadas roubando-nos a paz, por isso meu blog se chama cantinho misantrópico, porque definitivamente lido melhor comigo do que c/ a maioria das pessoas!Aventurar-se a sair da casa dos pais, do aconchego do lar, não é para qqer um, exige coragem, autoconfiança e uma boa dose de autonomia, e tudo é experiência. O que não é muito legal, a meu ver, é ficar ancorado na mesmice sem coragem de sair do lugar, envelhecer e ver um grande espaço em branco na vida inteira por falta de ousadia!
E de pessoas pentelhas que ficam o tempo todo orientando a isso e aquilo eu entendo bem, viu, e já estava me achando uma implicante até ler seu post, que bom que mais alguém deteste isso(não somos ineptos, afinal!).
Depois leio mais, andei lendo muuuito hoje e estou quase míope, kkkk!!
Muito bom, adorei a leitura!^^
Gostei da forma que você escreve... é uma forma leve, que nos faz associar palavras com as cenas, com os sentidos!
Parabéns!
;*
Mais um belo texto de um misantropo. É admirável esse nomadismo, essa busca incessante pelo que não se sabe, somente a distância, a paz. Uma liberdade na qual os riscos não são os da morte, mas os da sanidade, e aí a rua pode ser o melhor lugar do mundo.
Morar sozinho é uma experiência que almejo ter, mas sinceramente, para poder escolher as pessoas que vão encher a minha casa, porque a solidão, amigo, é para os macacos auto-suficientes, e no meu caso, a carência fala alto.
Sua experiência no Hotel Nordeste me lembrou uma vez em que passei uma noite em Barra do Piraí. Havia viajado à trabalho, pelo Datafolha, e queria economizar o dinheiro da diária. Me instalei numa pensão perto da linha férrea, num beco escuro. O quarto tinha apenas um pequeno quadrado aberto como janela. Telhas de amianto faziam o teto, e a cama era um catre de concreto, com um colchão vagabundo por cima e uns lençois brancos. Nos quartos coletivos, estavam instalados uns nordestinos, bons de papo, que se embebedavam com cinquenta um e se preparavam para o forró. Eram trabalhadores da construção civil que estavam embrenhados em alguma empreitada por aquelas bandas.
Enfim, foi uma noite interessante, e esta é a única experiência que pode ao menos se aproximar a sua. Ao resto, fica a admiração, mas falta a coragem.
Abraços!
eu não canso de ler nada do que você escreve, e sempre quero mais, parece que tenho sede, e água é o que faz passar isso.
morar só, é o meu sonho, juro!
mas, não dessa forma, kkkkkkkkkkkkkkk...
sorte, para você achar um lugar que te faça ter coragem para falar o nome "vou dormir" ...
"Não conseguia, e não consigo, me sentir confortável sabendo que chegarei em casa e lá haverá outra alma atormentada que, de alguma maneira, roubará a minha paz, a minha solidão..."
HAHAHHAHAHA
Cara...imagina eu, que já morei sozinha e tive que voltar pra casa da mamãe? Pior que eu tô chegando nos 30 e ela ainda acha que eu tenho 15... mas eu já nem ligo, ou não respondo ou sou grossa ou sigo como se não existisse ninguém me incomodando...
E pensão etc&tal é realmente triste...meu namorado mora em uma e só eu sei como eu sofro no banheiro quando durmo lá...eu vou no banheiro de olho fechado! hahaha
;**
Euu sempre aqui pra imaginar tuuuudo que tu escreve, hoje mostrei teu blog a uma prima...
ela nao queria sair do pc, estava lendo todas as tuas historias!
dai ela disse: Thaís nao consigo parar de ler, quanta coisa boa!
hahaha
e é verdade, tu escreve muuito bem!
Não penso em morar sozinha, aqui em casa eu formei o meu mundo no meu quarto, quando a porta está fechada, todos ja sabem que nao quero conversar...
Na verdade tb, gosto de MOMENTOS apenas sozinha, acho qe nao conseguiria permanecer assim por muito tempo!
Obrigada pelo comentário!
e seeempre tem uma chancezinha pro amor. Pode acreditar!
beeeijo :)
Ahá, voltei! Gabi na área, aauauihaui. Que saudade desse mundo, das letras e tudo mais! Enfim, estou de volta.
Só pra variar um pouquinho, teu texto está impecável. Esses dias, uma amiga me convidou pra morar com ela lá em Rio Grande, já que ela fará a mesma faculdade que eu. E eu recusei. Essa idéia de morar com alguém é estranha, uma vez que morar com amigos nos obriga a conviver com reclamações, manias, meias jogadas e bagunça. A gente acaba conhecendo a intimidade da pessoa, e isso nos decepciona. Afeta a amizade, acumula brigas desnecessárias. Pelo menos é o que eu percebo.
Beeeijo!! Volto em brave.
Não entendo o motivo de eu não ter comentado aqui sendo que li este texto logo que vc postou.
Enfim... foi uma descrição e tanto da realidade!
eu se fosse vc romperia tudo isso, aceitava um convite desses, e me aventuraria numa vida longe das baratas e perto dos outros... rsrs
mas não sou vc, né!
a impressão que tenho é que se eu fosse um dia à sua casa, eu teria que abrir as janelas, colocar umas flores sobre a mesa e preparar um suco de laranja rsrs
deixa isso de lado!
to sumida né! novos objetivos!! mais trabalho!
beijos
Olá
é muito raro eu ler um texto longo em blogs de ilustres desconhecidos, mas o seu me pegou.
Li a primeira linha e fui pega, assim seguir sem me arrastar até o último ponto. E pronto: GOSTEI.
Desconheço se diz a verdade ou se é mais uma história. Se lá o que for ela me pegou.
Fiquei vendo os detalhes e pensando que sai de casa para ficar só, mas casei... Aos 18 anos se pode cometer esse erro né?
Hoje vivo com um amigo, mas vivo só no meu espaço é bom, acho que porque tem data marcada para acabar.
Agora tenho um comentário: Tenho 29 anos e não suporto a idéia de um homem vivendo ao meu lado, dividino espaço e vida. (rs)
Só pra constar nem toda mulher acima de 25 quer um homem (rs)
Beijocas e continue nessa linha.
Está muito bom.
Nunca soube o que é viver só. Sempre tive que dividir o quarto com alguém. No passado com meus irmãos...
Continuo te acompanhando e admirando-te.
Beijos!
vc sabe escrever de uma forma que quando começamos, não queremos mais parar!
sabe, eu nasci pra viver sozinha.. eu me sinto mais confortavel, mas comigo só eu não consigo, estudo de manha e fico a tarde td sozinha, ouvindo musica lenta ou lendo um livro quando todos chegam em casa eu me sinto em uma guerra, um tormento..vivo sonhando que vou ir fazer faculdade e morar sozinha assim que terminar o 3° ano, mas..
e as mulheres, em qualquer idade, são assim.. algumas crescem mais rapido do que os anos que vivem..
e quem dera uma relação a dois se compusesse apenas de conversa..por isso as vezes eu prefiro um amigo..
O que posso falar diante de tantos comentários enormes e bem elaborados? Nada além de um parabéns?
Será que parabéns é mesmo necessário? Acho que não. Acho que quem escreve esse tipo de texto como o seu, crônicas, talvez, não precisam nem querem parabenizações. Ou talvez queiram.
Há algo plantado nas cabeças jovem e presas ao ninho dos pais: Tudo lá fora é melhor. A rua é colorida e as sarjetas são macias como espuma.
É. Parece que eu consegui deixar um grande e estúpido comentário. Pelo menos, se você só passar os olhos, vai ver minha foto e me achar intelectual. =]
Desculpa pelo aluguel.
Good.
cabeças jovens*
Olha sinceramente, eu deveria ter lido isso antes de inventar de dividir apartamento com duas amigas, é a experiência mais imbecil do mundo. Sério, antes a gente se amava agora nos odiamos pro resto das vida, parece que todas agora mostram suas piores faces, nunca vi nada tão bizarro quanto dividir apartamento ou qualquer outro lugar...
Ah, e eu tinha começado pensando em dizer que o teu blog é simplesmente minha nova parada obrigatória, porém não resisti pra desabafar minha situação! sahusauhhusa...
Annah
Pra mim também, Annah. Também não consigo dissociar obras de autores...
Dina
Quis dizer que nessa idade, elas são mais do que carentes...
Naty
De fato o início é complicado... na maioria das vezes, como foi contigo, não se carrega nada além da experiência.
Jéssica
Besteira dizer que gostei de sua visita... ela é sempre bem-vinda aqui.
Mari Vilani
Não somos ineptos, afinal... ainda bem que você veio me servir da mesma maneira.
Nathalie Palácio
Também gosto disso... mas nem sempre consigo ser assim.
João Silva
Nunca conseguimos medir nossa coragem. Quem pensa que tem muito, fatalmente se verá obrigado a prová-la, e verá que não são tão corajosos assim...
Maria Luiza
Felizmente, esses tormentos me parecem agora coisa do passado...
Tatiana Pinheiro
Hehehe, pensão é o fim dos tempos mesmo...
Thaís
Ter um espaço só nosso às vezes é o suficiente mesmo... cada deve saber o quanto de solidão de que precisa... o fato de você se satisfazer trancada no quarto denota que sabe sua necessidade.
Anderson
Sempre generoso.
Gabi
De fato, eu também recusei convites assim porque queria preservar isso... você foi sábia, fez o melhor para ambas.
Arlequina
Venha quando quiser... mas avise, para que eu mesmo já deixe janelas abertas, flores sobre as mesas e bastante suco para quando você chegar...
Léia Carvalho
Quanto a meus comentários sobre tais mulheres, mea culpa, mea culpa rs...
Iza
Digo-lhe o mesmo.
Michelle Hubner
Quem dera, né?...
Christallina
Sempre há algo o que falar, mesmo que fiquemos por último..
Natalie (prefiro não comentar)
Desabafar faz bem... sobretudo na sua condição, rs...
Agradeço as visitas de todos, fizeram mais do que deviam... saudações!
Literatura Vil
Oooi... demorei mais do q devia, mas estou aki, como prometi... Um dia (repito sua frase), quero ser igual a vc... e vc ainda é humilde, como assiim? 21 enormes comentários!!
Mas, vamos ao texto... sem comentários.. haeuhae.. brincadeira
Vc é mt cruel, como assim, deixava as pobres e solitárias moças carentes para simplesmente moraaar em... lugar nenhuum? Inacreditável. E sim, axo q vc está certo, a maioria das moças quando chega em uma certa idade, axa que perdeu o encanto e vai passar o resto da vida sozinha, por isso se agarra a todas as oportunidades.. ;)
BeeeijO...
Eu que tanto repreendi, já consigo entender e concordar (e até desejar o mesmo).
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