quarta-feira, 8 de julho de 2009

Cinco anos depois

Eu comecei a frequentar blogs, no longínquo ano de 2002 ou 2003, numa época em que nem se sabia direito o que era isso, e nunca imaginaria que teria um. Então comecei a postar, há exatos cinco anos, e não pensei que fosse gostar, até mesmo precisar, tanto. Ao elaborar posts mais pretensiosos, como artigos, ou contos, nem sonhava que conseguiria escrever tantos deles, vez que nunca conseguia sequer finalizar uma história. A travessia pelos blogs foi tortuosa, fiz quase uns dez por aí, mas estanquei neste há dois anos, e importei para cá algumas destacadas postagens de outros blogs paralelos que tive, dos primeiros aos últimos, dos blogs de opinião aos de poesia, dos textos bem-trabalhados aos mais primários.

Eu penso tudo isso enquanto me quedo numa mesa de biblioteca a ler alguns contos de Dalton Trevisan, com os olhos atentos e a atenção desvinculada da barulheira do ambiente - é meio-dia e há tantos estudantes -, porque é esse tipo de literatura que me atraiu de fato, os contos; tão subestimados, mas tão complexos em si. Acho curioso que, para muitos escritores notórios, seja mais difícil fazer um conto que um romance. Eu não sei, já que não sou romancista, mas posso dizer que me fascina, e que nunca penso pouco quando escrevo um conto, seja quanto relato algo, ou seja quando crie, ainda que isto ocorra em menos escala. Não tenho tanta imaginação assim.

É engraçado que eu receba, enquanto leio e enquanto penso, um convite para encontrar uns amigos num bar, e lá conversamos, entre outras coisas, sobre blogs, além de bebermos algum bocado. Assim como é engraçado o fato de aquele mesmo bar ter sido palco de outras histórias, com outras pessoas, no passado, algumas delas relatadas em texto nesta página.

Também é curioso que para quem escreveu tantas histórias escatológicas, tantos artigos opinativos sobre diversos temas, já recomendou tantos outros blogs e escritores, não tenha muito mais a dizer ness'instante. Deve haver algum grau de autenticidade nisso, no fato de não conseguir nunca escrever texto sob encomenda. Não tenho certeza, e a essa altura não importa. O blog continua vivo porque o longo e tenebroso inverno que o sustentou no princípio ainda se faz latente. Permaneço exercendo a arte da escrita, e enquanto o fizer, é um claro sinal de que ainda não estou em paz. A vida é uma estrada, como se diz, e a ela estamos todos submetidos. Há quem reclame de todas as coisas, há quem as aprecie em sua totalidade, cada um tendo o que tanto merece. Mas a mim, quem me merece? Eu mereço a estrada, e nela sigo em frente, sem muitas pretensões de curveados ou de subidas. A vida é isso. Monotonia da estrada. Como dizia um americano morto, sobra apenas a necessidade de tirar algum drama de nenhum progresso de fato.



O Literatura Vil agradece a todos os que frequentam o blog, lendo
e - especialmente - comentando os posts.
08/07

28 comentários:

Amanda disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Amanda disse...

Para quem disse que iria escrever qualquer coisa apenas para marcar o dia você se saiu excepcionalmente bem - estou sendo sincera, acredite.

Texto bastante melancólico para um "presente de aniversário", mas se encaixa perfeitamente ao autor com sorrisos debochados e trejeitos taciturnos.

Unknown disse...

Parabéns, Leon, pelo(s) blog(s) e pela sua evolução como escritor, não desde o primeiro blog, mas desde aquela agenda do CEFET que tu escrevia, lembra? Naquela época tu já escrevia bem.

Anônimo disse...

Aniversário ou alguma coisa?

Não sei, mas blog é uma coisa que, quem tem, sempre tem alguma relação parecida - de que começou fazendo vários, alguns duraram, outros não, até que finalmente estancou num. Estou no meu há dois anos, talvez, e comecei do mesmo jeito, fazendo vários e apagando, até que estanquei.

Acho que cada blog tem sua alma, sua essência, sendo ou não de quem o escreve. O legal é continuar mantendo isso, porque aí faz do seu blog mais que só um lugar que as pessoas pousam para ler qualquer coisa, mas histórias que são boas de contar.

;*

Heloísa Vilela disse...

Independente do assunto que o blogueiro quer abordar, na minha opinião, todo blog cai pro gênero pessoal.
Um blog é como um diário, um meio de desabafar e contar histórias.
Não se escreve qualquer coisa, se escreve coisas que mereçam ser registradas.

Meu blog atual está no ar tem 2 anos, mas já tive outros mais "cor de rosa e purpurinados"; estilo que hoje em dia me dá raiva e dor de cabeça.
Mas é isso aí, a gente vai evoluindo e mudando;
E infelismente não tem como escondermos quem somos numa página feita só pra nosso uso, o que pra mim acaba sendo um porre, só consigo ser quem realmente sou.

Beijos

Gabriel disse...

Parabens, cara.
Que bom que persististes na blogosfera, senão, não teríamos acesso aos seus excelentes e envolventes textos.
Espero que venham mais 50 anos de publicações virtuais da vossa pessoa.

Saudações!

Ingrid disse...

A romaria por diversos blogs é quase uma karma de quem aprendeu a gostar de escrever neles.
O difícil é quando há necessidade de escrever e já não se tem o que dizer.

Anônimo disse...

OMG!! Primeiramente preciso dizer que fiquei chocada com a riqueza de seu comentário ao meu tão humilde poema, obrigada!!Não sei que mania estranha é essa minha de definir a tudo com antíteses, deve ser porque sou assim, vivo assim, e vejo as coisas quase sempre sob um ângulo controverso... O blog ainda tem poucos posts por que é novo, e não o divulguei muito ainda...são desabafos pessoais e até meio secretos para evitar especulações de quem me conhece bem demais e vá entender de cara o que não é pra entender, rsrsrs!
Quanto ao seu texto, como sempre muito rico, adoro contos, e acho impressionante a forma como você expressa neste blog fatos rotineiros dando a eles um toque tão único de emoção. Isso de escrever como um sinal de não estar-se em paz, de inquietação, é isso que nos move, escrevemos pela mesma razão que respiramos, é tão necessário quanto o ar!E é uma evidência clara da não-mediocridade. E viva a Literatura, sempre!!

Abraços, obrigada pela visita e volte mais vezes ao meu modesto blog!^^

Mic disse...

Cara, ler e escrver para mim é melhor terapia que existe. Sempre falo com meus pais que quando ficar velhinha e aposentar quero escrever um livro.
E antes do meu sair, quero ler um seu, tá?!

Parabéns pelos tantos anos e obrigada por tudo...

é isso ae..rsrs

Mic disse...

Eu fiz a prova ontem para agronomia, mas acho que não fui bem, não tem problema também, nem sei o que eu quero da minha vida mesmo e, se eu passasse em agronomia, cursaria agronomia.

Pinho disse...

Grande Leon!

após um longo período de ausência cá estou.

o final desse seu post remete-me à pergunta que havia deixado lá na minha barraquinha... "se a vida tem lhe tratado bem"... lembra-se?

pois é... vc diz que a "vida é uma estrada, como se diz, e a ela estamos todos submetidos. Há quem reclame de todas as coisas, há quem as aprecie em sua totalidade, cada um tento o que tanto merece. Mas a mim, quem me merece? Eu mereço a estrada, e nela sigo em frente, sem muitas pretensões de curveados ou de subidas. A vida é isso. Monotonia de estrada."

Aqui lhe deixo outra questão... que talvez reproduza lá no meu espaço.... por qual razão seguimos em nossas monótonas estradas?

no mais, reitero meus cumprimentos pela qualidade de sua escrita.

ótimo exemplo de boa literatura e cultura!

grande abraço.

Mic disse...

obrigada por ir lá, reler tudo e votar!
otima terça-feira.. haa, eu só não escrevo um livro agora porque sairia uma história infantil demais, chata, tipo esses livros que vc lê as primeiras paginas e joga em cima dqa estante e deixa lá..rsrs

abraço, quando vc começar a ler O Encontro Marcado, me conte!

Silvio Koerich disse...

Fikei com inveja de você. Comentam sobre blogs com a rapaziada num bar. Mto foda rs

É isso aí o blog é foda ás vezes a gente abandona. Não dá mole continua
ae

Chegay aki via orkut

abraço passa no meu vê se curte

Katarina disse...

Parabéns ao "literatura vil" e a você Leon, pelo tempo de estrada... e principalmente pelo tempo de escrita, que em muito se diferencia da estrada, pois é concreta de efeitos abstratos, tranduzindo em palavras a história vivida e imaginada.

Mic disse...

Obrigada da pelas condolências, eu exclui o "Se eu fosse um cara" porque não teria tempo de ficar postando em dois blogs mesmo, ele não duraria tanto tempo assim e a gente faz as cisas pelo impulso do momento, estava vivendo em uma grande aflição por causa dessa libertadores e agora que dei tchau a ela.. é isso ae..

eu queria criar um arquivo em pdf(como o seu) mas eu não sei, me ensina?!

@febrandao disse...

:)

Primeira vez que passo por aqui, adorei sua forma de passar ao 'papel' o que sente, o que pensa... escreves muito bem. Parabéns!
Minha experiência com "o mundo dos blogs" é bem parecida com a sua. Na verdade gostava de ler o que os outros escreviam, mas nunca senti vontade de tornar público meu "caderno de rabiscos"... até que um dia, criei coragem e o fiz virtual. E escrever pra mim, serve de terapia, de refúgio... sei lá! Eu gosto, me faz bem...

Se permitir, voltarei mais por aqui.
Ótima semana.
Beijos, de luz.

Anônimo disse...

Bem, se você quer mesmo voltar a ler literatura fantástica, vá ler algo que preste, porque esse, meu deus, não perca seu tempo nem dinheiro. (falo sério)

;*

micronovo disse...

Parece que não tem sobrado tempo para muita gente. E os Blog estão ficando jogados.
Por outro lado, passei a reler coisas antigas, e é fantástico ver como todos evoluem (ou não).
Toda vez que tenho tempo volto aqui, vejo o que tem de novo e as coisas antigas.

abraços

Fabíola Weykamp disse...

Parabéns, Leon. Tenho te lido silenciosamente e sempre tendo aquela sensação de nó na garganta, mesmo quando me deparo com um texto assim, de agradecimento, que conta um pouquinho da tua trajetória com a escrita. Mesmo simples assim, sempre tem aquela pitada de Leon, aquela pitada ou duas, para falar a verdade, que prende a respiração e paralisa qualquer tentativa de articulação acerca do que fora sentido ou refletido. Sensação essa que não me canso de sentir. Dom é dom.

Um abraço apertado e muitos mais cinco anos de escritos!

Anônimo disse...

Estes cinco anos de blog servem como referencial para os que estão no começo, que nem eu.

Muito aprendi contigo e continuo aprendendo.

Beijos!

Naa disse...

Há muitos anos que estou nesse meio dos blogs, devem fazer uns 5 ou 6 anos =)
Mudei e aprendi muito. Claro que ainda há muito o que aprender, isso nunca tem fim.
Ainda bem que a vida tem =)

não sei se você tambémf az isso mas, para mim, tanto o blog como escrever, é uma grande válvula de escape para esse mundo (que, o considero somente um monte de merda). Há coisas demais para serem faladas, ainda.

:)

Naa disse...

Há muitos anos que estou nesse meio dos blogs, devem fazer uns 5 ou 6 anos =)
Mudei e aprendi muito. Claro que ainda há muito o que aprender, isso nunca tem fim.
Ainda bem que a vida tem =)

não sei se você tambémf az isso mas, para mim, tanto o blog como escrever, é uma grande válvula de escape para esse mundo (que o considero somente um monte de merda). Há coisas demais para serem faladas, ainda.

:)

Anônimo disse...

Oi Leon...
Saudades...

Lembro quando conheci o mundo blogueiro. Ainda não tinha muita noção, e meu primeiro blog era somente um emaranhado de gifs que piscavam o tempo todo.
Tive tantos blogs, criava e excluia o tempo todo.
Até o momento que descobri em mim que podia escrever e que eu gostava disso. Estou com esse blog faz dois anos e não pretendo deixá-lo tão cedo.

5 anos é um bom caminho andado. Que você continue por mto tempo nos presenteando com seus belos textos.

Beijos!

Ran Omelete disse...

Já ouvi de muitos escritores isso, que eles escrevem porque não estão em paz, porque precisam da escrita, da palavra, para poder sentir uma espécie de alívio existencial, entre outras coisas muito bonitas que eles costumam dizer e que nós costumamos não entender, embora continuem sendo muito bonitas.

Acho que as pessoas querem ficar em paz, e a buscam de diversos modos, seja escrevendo, seja trabalhando, ou bebendo com os amigos, talvez vivendo um amor, ou mesmo vivendo sozinha, afastando de si aqueles que a querem fazer bem, porque eles não lhe trazem a sua segura paz conquistada na amarga solidão, tão querida, desejável e odiada.

É tudo muito estranho.

Ana Luísa disse...

E eu realmente mudei de casa pra organizar as coisas... Postar os contos velhos aproveitando que eu não produzo mais tanto quanto antes. O que por um lado é bom, já que eu sempre escrevo mais nos tempos de vacas magras e nuvens cinzas sobre a cabeça.

Enfim :) E eu não entendo como um romancista consegue escrever um romance. É raro eu passar de uma página.

Mic disse...

é eu consegui transformar para pdf pelo word mesmo ;] e aquela citação do Machado de Assis; é maravilhosa! eu amo..

cara, eu to de ferias e parece que toda a estrutura do meu corpo sabe disso, que preguiça! ate pra ler e escrever..

@febrandao disse...

É. Escrever e ler, são coisas que viciam. Que bom que gostou de lá, fico feliz. Volte sempre que puder. Eu, estarei aqui constantemente.

Grande beijo.
Ótima semana.

Ind Caroline x) disse...

nossa eu tbm sou assim, qdo começo a ler, me desligo do ambiente... nem me importo cm naada... e q boom q o blog continua vivo.. aehuaeh
parabéns (atrazado). ;*