Tá tudo tão escuro lá fora e aqui dentro que eu consigo até enxergar coisas que não são reais me arrodeando, todas elas me assustando demais; faltou energia no bairro, o céu noturno está coberto por uma névoa temerosa e no meu íntimo as coisas não parecem muito mais claras, porque eu me sinto até mais livre, mas a tal liberdade não parece sinônimo de satisfação, porque agora vejo que todas as coisas que eu conquistei nos últimos anos (conquistei não é bem a palavra), como alguns trabalhos legais, a possibilidade de poder escrever e ser lido, alguma estabilidade financeira mesmo que não tão estável assim entre outras não parecem significar nada nesse momento em que eu penso mil coisas, porém não consigo chegar à conclusão de sequer uma delas, e acho que não haveria nada, nem pessoas, nem bebidas, nem livros nem outros entretenimentos quaisquer que pudessem me suprir isso, inclusive nem sei por que estou escrevendo pois nem isso gostaria de estar fazendo agora, eu gostaria apenas de dormir – mas desta vez sem sonhar – por tantas horas que se eu me esquecesse de acordar isso seria um mero detalhe para mim ou para os demais, no entanto como eu sei que não vai acontecer fico aqui temendo a chegada do sol junto das coisas chatas correlatas, as pessoas me ligando e perguntando se continuarei dando aula em certa escola no ano que vem, supervisores me pedindo documentos, ou textos, ou qualquer merda por uma ordinária burocracia, entre outras pessoas que não ajudam a melhorar o meu dia, gente que não tem nem culpa disso, porque quando começamos a conversar percebo que precisam apenas de uma ajuda, de algumas palavras de consolo e afeto, mas não sou eu que oferecerei essas palavras porque eu também as queria pra mim; então não me resta mais nada porque eu não tenho saído e não tenho sentido falta, já não bebo mas não sinto a diferença de quando bebia, e também tenho escrito tão pouco sobre mim, aliás, eu me decidi por isso mesmo, que iria escrever menos essas coisas, a carga era muito pesada, além de não significar necessariamente uma forma de autoconhecimento, então desisti, talvez só volte a escrever essas coisas daqui a uns 50 dias, ou talvez nunca mais, porém eu ainda mantenho esse vício da escrita em si, que alguns dizem ser saudável, de modo que passei a escrever outras coisas, eu queria voltar a escrever textos políticos mas fui repreendido por isso pelos camaradas de partido porque devo ser um péssimo analista, então o jeito de suprir minha vontade era voltando pra literatura, e aí andei escrevendo textos de terror, como histórias de vampiros ou coisas assim, também escrevi ficção científica, distopias, pesquisas jornalísticas, histórias infantis, e eu observava a maioria dos escritores, eles começavam a escrever para si mesmo para depois escrever para as outras pessoas, e comigo acontece o inverso, eu escrevia para ser lido e cada vez mais ando escrevendo para mim mesmo, sem publicar e sem comentar com ninguém, porque ninguém quer saber, só que não faço isso porque gosto (é por pura falta de opção) mas às vezes até me divirto e me satisfaço quando leio as coisas que fiz, pena que é uma satisfação tão tênue quanto qualquer outra, uma alegria breve que não se sustenta em si mesma...
18 comentários:
Leon, por um momento me senti tensa lendo o teu último texto. Era tanta a saudade desse blog que preferi ler as postagens antigas, para depois comentar sobre a tua última postagem.
Conquistar é bem a palavra; sempre achei que pra gente conquistar alguma coisa, a mesma deveria ser digna de um evento, algo marcante, mas isso não acontece. A vida é feita de pequenas conquistas, às vezes nem percebemos, mas tudo o que temos hoje foi conquistado merecidamente por nós.
E olha, volta a escrever sim! E mais: escreva para ti, depois para nós. Escreva sobre o que quiser, sobre o que sente, sobre o que você é. Qualquer seja o texto, sempre terá um leitor que vai se identificar e gostar do que leu.
Um beijo! E olha, a saudade da blogosfera foi tanta que criei um espacinho pra gente trocar ideia por aqui. É simples, mas eu precisava de um lugarzinho pra mim :)
Até breve!
Olha, eu apago os meus cantinhos porque dá um aperto no coração de vê-los abandonados, sabe? Quando eu tinha o Quase (nada) secreto, teve um período que fiquei fora, daí quando quis escrever já não me sentia à vontade. Parecia que aquele lugar não tinha mais a ver comigo, não fazia parte de mim. Mas eu prometi para mim mesma que este vai sobreviver à todos os altos e baixos, hehehehe. Juro mesmo!
Eu guardei todos os meus textos do blog numa pastinha. De alguma forma, foi uma época muito boa! Então, quando sentires saudades, pode me chamar no msn que eu te envio algum deles :).
Um beijo! ;)
Dificil explicar as razões que levam alguém a escrever. Isso me fez lembrar uma entrevista dada por Clarice Lispector a José Castello, biógrafo e escritor, na época trabalhando no jornal O Globo.
J.C. "- Por que você escreve?
C.L.? "- Vou lhe responder com outra pergunta: - Por que você bebe água?"
J.C. "- Por que bebo água? Porque tenho sede."
C.L. "- Quer dizer que você bebe água para não morrer. Pois eu também: escrevo para me manter viva."
Acho que a escrita nos liberta, "purga" nossos sentimentos, alivia nossas dores, nos mantém vivos.
A arte da escrita produz milagres!
Obrigada pelas visitas e, principalmente, pelos comentários sempre tão solícitos.
Abraço!
Às vezes eu acho que escrever é simplesmente uma maldição com a qual eu tenho de lidar da melhor maneira possível. Eu também tenho escrito mais histórias do que propriamente sobre mim, e escrito muito mais pra mim do que pros outros. Mas é porque em mim a solidão sempre fala mais alto. Quanto às distrações... As distrações são necessárias. Porque quando as questões, ou talvez até a vida em si, são postar sob real análise, vê-se que é tudo merda, e talvez nada valha realmente a pena. Mas estamos presos aqui, não é mesmo? Então "whatever gets you through the night is alright". Vai ser sempre algo enredador ler o que você escreve, seja o que for. Aposto que todos os seus leitores gostariam de ver o que você tem escrito, e que você também continue a escrever sobre você. Até mais, Leon. Só não suma, rs.
:*
PS. Nunca foi muito o meu forte ser possuidora de palavras positivas. Estou trabalhando nisso, prometo, rs. Volto quando conseguir algo mais "para cima", rs.
E logo vem a vontade de escrever de novo e de novo e sempre.
Eu adoro ler seus contos, acredite.
É sempre muito bom passar por aqui.
Aliás, seu blog foi um lindo presente nesse ano de 2009.
Feliz 2010!
Um abraço.
Faz sentido esse diálogo, essa briga entre gostar ou não do que você mesmo escreve. Afinal, você acha que está bom, mas os outros podem não achar - e isso acontece muito quando você escreve para outras pessoas. Não sei encontrar um equilíbrio entre eu e os outros, então só vou escrevendo, e o que eu acho que ficou bom para mim, que eu gostei de escrever, eu posto. Aliás, nem sempre, porque muitos textos meus eu só salvei e nunca postei, ou só postei tempos depois então...
acho que estamos no mesmo barco.
;**
- Mais uma dose, por favor! ^^
É, fazia um tempinho que não passava por aqui...
Tem época que a gente fica assim mesmo, se sentindo inerte, sem ver muito sentido nas coisas, tio Raul descreveu bem: "Porque foi tão fácil conseguir e agora eu me pergunto: e daí? Eu tenho uma porção de coisas grandes pra conquistar, eu não posso ficar aqui parado"...e em algum lugar eu li que há épocas em que um guerreiro desembainha sua espada e parte para o combate, mas em outras de nada adianta ficar andando de um lado pro outro sentindo a falsa sensação de estar fazendo algo, então o guerreiro fuma seu cachimbo e relaxa. Mas pessoas inquietas que somos, inconclusas também como nos leva a ser este mundo contemporâneo, sempre procuramos e queremos mais, e quando bate a inércia e nada satisfaz, lá vem o HG com "As aranhas não tecem suas teias por loucura ou por paixão, se o sangue ainda corre nas veias é por pura falta de opção" (lembrei da música ao ler o texto e uma das suas frases finais). Porque a gente precisa de mais, mais ação, mais movimento, mais sentido, mais expectativas, mais tudo! Humanos...tsc. Faz parte de fazer parte dessa espécie, rs! E é isso que nos mantém vivos, firme, continuando e querendo mais é viver, que bom!^^
Continue escrevendo e por favor, não seja egoísta, contemple-nos, seus fiéis leitores, com suas obras...adoraria ler os outros gêneros textuais aos quais vc se dedica!
Ficam aqui os meus votos de um 2010 de conquistas (conquistas, de fato!) e realizações, movimento, satisfação e superação, e essa vontade de viver cada vez mais da qual a gente tanto precisa! Sucesso ao Literatura Vil sempre!
Tudo de bom! xD
Acho que na escrita a gente se inventa um pouco, por dizer alguma coisa que não foi dita. As vezes a gente só pensa algo quando escreve, se não, não teríamos enm pensado. Olhamos o papel e nos descobrimos. As vezes não; o oposto. POr essas e outras a escrita é fascinante e sedutora, ainda que ninguém veja...
Feliz 2010. Abraço!
Lembra quando dissestes que o homem nasceu para ser só. Volta e meia, lembro disso. O que nos une é o poder da linguagem e até hoje ninguém provou sobre como ele é possível.
Venho para te desejar não um tradicional feliz qualquer coisa mas, te desejar força para superar obstáculos pois é isso o que mais temos na vida.
Beijo grande, guri do meu coração.
Olá!
Obrigada pela visita e pelo conselho :)
Eu tou me sentindo praticamente igual a você e escrever é uma das coisas que me faz relaxar um pouco, esquecer de tudo que tá acontecendo.
Também não gosto muito da monotonia que virou o cotidiano das pessoas, é por isso que eu tou ficando muito confusa ultimamente. Mas é importante viver um dia de cada vez
^^
ps: Tio Raul era um cara inteligente, às vezes é bom ouvi-lo.
Beijos.
Eu reluto tanto em comentar esse seu post porque ele me é tão familiar e tão dolorido que nada do que eu escreva será capaz de demonstrar o que ele me faz sentir (aliás, como tudo mais que escrevo).
Adoro esse canto, gostaria que soubesse.
Grande beijo.
Muitas vezes bate uma descrença tamanha em mim e me dá uma vontade louca de nunca mais escrever alguma palavra pra outras pessoas lerem, afinal, é muito difícil achar alguém que consiga ler nossas entrelinhas e porque quase sempre escrevo textos críticos que levam a uma divergência de ideias. Daí, volto a real e me pergunto o que significa a escrita pra mim, e chego a mesma conclusão que li em um comentário logo acima. Escrever é como beber água pra me manter viva. É a maneira que encontro de amenizar minhas imperfeições, de justificar alguma coisa na minha vil existência. E daí que me vêm novamente aquele sopro de vida e aquele suspiro de ressurreição.
Um feliz 2010, Leon. Que eu e outras pessoas, possamos te ler por muito tempo ainda.
Tudo de bom!
Abraço!
Você viu que eu reabri o Escreva-me Cartas pra todo mundo?
Cansei de me esconder. Tá tudo lá.
beijo!
Mas o que é isso? E essa folga toda?
Este blog não é atualizado há umas duas semanas.
E como é que eu faço para ler meus contos preferidos?
:(
Leon, primeiro desculpa pela demora em ver esse teu espaço já tão querido por mim.
Quero dizer que passo, passei... Não sei bem em que tempo empregar esse verbo, pela mesma coisa. E mesmo sentindo falta, digo que se recolha, respeite seu momento mesmo.
Beijos
A uns tres anos depois que tu escrevesse este texto e quase um ano que eu volto a ler o mesmo, é exagero um ano vai devo ter lido em junho ou julho do ano passado, mas agora o relendo parei pra notar o quanto ele é intenso e o quando me vejo nele, gosto mais de ler esses textos do que os de ficção, gosto mais são mais sinceros e me identifico, não que nos contos não tenha mais um que nosso do que de qualquer outra pessoa, mas aqui é como se fosse um espelho sendo visto a imagem de outra pessoa refletindo muita das vezes partes de nos!
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