sexta-feira, 26 de março de 2010

Condução lotada

Hoje eu voltava para casa de ônibus - muito lotado, devo dizer - e dei sorte de conseguir um lugar sentado, no lado do corredor. Enquanto viajava, notei que uns dois metros à minha frente voltava uma garota com quem eu já houvera ficado, apenas dado uns beijos, na verdade, uns dez anos atrás - nós tínhamos 13, 14, 15 anos, portanto -, e agora estávamos novamente próximos. Chamava-se Marcela, e não chegou a me ver. Então fiquei observando-a durante o trajeto. Ela estava em pé, e o ônibus estava, como dito, muito cheio. A Marcela estava tão imprensada que já quase se jogava em cima do passageiro sentado. Na posição em que estava, ela ficava até com a bunda bem arrebitada, favorecida pela calça jeans que vestia, que usava justamente com propósito de avantajar um pouco mais seu dote posterior. Inclinei um pouco a cabeça e constatei isso. Aliás, constatei também que todo passageiro que passava por ela tirava uma casquinha, com um sarro muito bem dado no seu belo traseiro - que não aproveitei nos meus tempos de adolescência fracassada recheada de profícua masturbação. Os sujeitos tentavam se aproveitar de toda maneira: os mais altos agachavam-se um pouco; os mais baixos ficavam na ponta dos pés, tudo na perspectiva de apontarem seus membros para a bunda circular da Marcela. Começaram a vir as paradas e o ônibus começou a esvaziar. Na medida em que o número de pessoas diminuia eu a via melhor. Ela continuava lá, em sua imutável posição. Estava nitidamente gostando daquilo. Isso se percebia nos seus olhos grandes, que ficavam maiores cada vez que passava alguém por trás, e perdiam-se completamente nessas horas. Ela tapava a boca com a mão, sabe-se lá o porquê. Algumas cadeiras vagavam perto de si, mas a Marcela oferecia para as pessoas ao seu redor e permanecia no mesmo estado em que se encontrava. Seu bumbum bem desenhado conservava-se numa posição que o realçava sobremaneira, e agora tornara-se não somente uma área de lazer da rapaziada que nela se esfregava quando se dirigia aos fundos do ônibus, mas também alvo de olhares (o que, com o ônibus lotado do modo que estava antes, não era possível). Não fui apenas eu, portanto, que notei o quanto ela gostava do esfrega-esfrega. Só quando a condução já estava indisfarçavelmente esvaziada ela se dirigiria até as últimas cadeiras, passando por mim sem reconhecer, e lá ficando até chegar seu ponto. Achei engraçada e patética a situação. Cheguei a sorrir boa parte do tempo em que assistia a esse ordinário espetáculo moderno. Neste momento em que escrevo, eu penso que podia até ser neura minha achar que ela estava empinando o bumbum pra rapaziada, mas na hora pensei apenas no quão vadia ela tinha se tornado ou, o que é mais provável, sempre houvera sido. Não sou perfeito. Mas a raiva dela já passou.





10 comentários:

Érica Ferro disse...
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Érica Ferro disse...

KKKKKKKKKKK

Marcela safadinha...
Já eu odeio ônibus lotado por esse motivo.
Todo mundo quer tirar uma casquinha dos mais desavisados, hehe.
Mas comigo... ah, comigo não rola isso não... Porque, enfim, sento logo a porrada (ô mulher braba, rs).

Alessandra Santos disse...

Acho vulgar e desrespeitosa atitudes masculinas como essa. No metrô do Rio criaram carros exclusivos para as mulheres nos dias úteis e em horário de pico. No começo respeitaram, vi algumas vezes seguranças "convidarem" os intrusos a se retirar. Como era previsível, logo os homens começaram a dar uma de desavisados e a entrarem nos vagões femininos. Como também era de se esperar os gigantes seguranças começaram a fazer vista grossa e tudo voltou a normalidade para a insatisfação das mulheres e deleite dos homens.

Posso estar errada, mas a impressão que tenho é que as "Marcelas" são as mais desejadas e vou além, as mais valorizadas. Talvez os homens vejam nelas um "objeto" de desejo comum aos marmanjos e que as ter do lado seja enaltecedor. Deve fazer bem pro ego ser "o escolhido" por uma mulher tão desejada. Não faço disso uma regra geral, afinal, as puritanas ainda se arranjam.

Anônimo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anônimo disse...

Bem, eu não posso afirmar que a menina estava ou não gostando dos tais sarros, pois, afinal, eu não estava NESSE ônibus lotado. De qualquer forma, acho que não é bonito falar da sua ex como sendo uma vadia; dá a impressão que vc tem algum ressentimento... o que não é da minha conta, é verdade (risos). Eu penso que muitas garotas, que sabem que são bonitas, que sabem que são gostosas, apreciam sim passar por esse tipo de situação. Elas sabem que, antes de um intelecto aguçado, a maioria dos machos vai prestar atenção em formas, em curvas, peitos e traseiros. Elas, as garotas realmente vadias (ou não), sabem que exercem grande poder sobre o homem e sua segunda cabeça, a que não raciocina.

Deftones disse...

Alessandra

Também não acho respeitoso e também penso que esse tipo de mulher deva ser "valorizada", não somente pelos homens, mas por muitas mulheres mesmo, que devem gostar da ideia de serem desinibidas...

Diêgo

Eu fiz a ressalva de que talvez isso seja apenas neura da minha cabeça. no texto ficou expresso o meu lamento pelo tipo de atitude (lamento mais pelas mulheres que pelos homens como se nota, talvez por ainda ter uma ponta de esperança nelas...). Se eu fosse fazer todas as observações para cada coisa, não escrevia um conto, e sim um artigo...

No mais, agradecido pelas visitas.

Literatura Vil

Anônimo disse...

Eu já imagino que ela estava gostando sim e quando colocava a mão na boca, imagino que seja por um breve sentimento de vergonha.

Não podemos duvidar, existem mulheres que se sentem vaidosas quando tratadas desta forma. Outras não gostam disso e saem no tapa mas, no caso da menina do conto, arrisco que estava gostando e muito.

Como por aqui as catracas são na parte da frente, quando vejo um ônibus lotado sento logo na parte da frente e só passo para trás quando a lotação esvazia.

Quando eu voltar a pegar ônibus lotado vou lembrar do conto.

Beijos!

M. [doc] B. disse...

É você, Leon!

Reinato B! disse...

Ponto parágrafo, meu caro.
Creia, ele existe!
Entretanto, bom texto corrido.

Anônimo disse...

Sei bem que ele existe. Mas num texto, não somente o conteúdo é elemento-parte do conceito, mas sua forma também... de maneira que, se não há divisão de parágrafos aí é justo porque não convinha nessa situação.

De qualquer modo, obrigado.

Literatura Vil