sexta-feira, 18 de abril de 2008

Soneto Marginal

Quando ingeri mais uma pura eu pensei
que não, já não podia voltar pra casa
Que me soltar, libertar, era o que eu devia fazer
Só assim faria jazer minhas emoções em brasa

Mas a brasa as esquenta e, naturalmente, as dilui
Influí ali que estava, então, novamente sem saída
As partes de meu coração precisariam ser reconstruídas
É a conseqüência natural para um marginal que se reclui

E peço mais uma dose, e logo ali alguém entra no bar
Fecho os olhos, me escondo, mas esse papel não quero
Porque já fugi o bastante, agora mais de mim eu espero

Porém recluso em nova pose, recluso em novo esnobar
Viro os olhos e ignoro, volto a meu altar alcóolico
Assim todos os dias fujo, nesse rito melancólico

6 comentários:

Fábio Rocha disse...

hehe, tava faltando sua pitada poética por aqui...
Valeu.

Anônimo disse...

Um poema... e bem no estilo Augusto dos Anjos...Devo apenas respirar o poema porque não sei compor mas, sinto-o... Desculpa estar sempre te comparando aos autores... é porque fazes o estilo dos autores que gosto. Posso até passar meiguice nas palavras em meu blog mas, gosto do jeito que escreves. Parece escrito com fogo em brasa...
Beijos!

M. [doc] B. disse...

Lembrei-me do mestre Bukowski!!
Comprei o terceiro livro dele - Hollywold - e estou anciosa pra começar a me deliciar com os devaneios deste homem! :)

Muito bom, muito bom!

Francieli Hess disse...

"Porque já fugi o bastante, agora mais de mim eu espero"
Ah, outra frase que deveras me marcou. Realmente, nesse momento eu espero mais de mim.
Coragem é a palavra chave!

Let's disse...

fugindo pra onde?
a pergunta que fica...

Chantinon disse...

Lembrei-me do mestre Bukowski!! [2]

Poesia e álcool combinam!
:)