sábado, 15 de janeiro de 2011

Versos otimistas como não sei fazer

Hei, eu a chamei,
você me viu,
eu lhe mostrei, você abriu,
dei um livro e um abraço,
"A Conquista do Espaço".
Mas não me satisfaço:
Faço-lhe mapas e traços,
corto papéis em pedaços,
brincamos e imaginamos
e nesses descompassos
nós nos entrosamos.
Lembro como se fosse agora,
quando, onde você ainda mora,
brincávamos até cansar,
e íamos até o mar
contar, na praia, histórias
criando ritos e glórias
nas margens do oceano
que era nosso cotidiano.
A praia ficou para trás,
pois já não a levo mais;
fico na tola esperança
de que essa vaga lembrança
supra a minha vontade
de ir matar a saudade
de visitá-la e de levá-la
sem quaisquer troços ou malas
praqueles longos passeios.
Mas é que agora, creio,
não posso mais fazer nada
por você, minha afilhada;
porque estamos tão distantes,
diferente de como era antes,
que já não posso acolhê-la,
espero apenas poder vê-la
porque às vezes a tristeza
nos deixa sem qualquer defesa.
Mas não estou triste, prometo,
tenho em você um amuleto
que recheia minha memória,
que dá sentido à minha história,
que melhora um pouco tudo isso.
É uma espécie de compromisso.
E desde quando eu nasci
só agora de fato entendi
que em tudo reside uma lógica;
eu tenho enfim sobrevivido,
tenho buscado algum sentido
que ainda não encontrei,
mas ainda assim eu sei
o que você sequer imagina:
mesmo que haja um caminho certo
essa busca nunca termina.

10 comentários:

Anônimo disse...

Lembro da afilhada. Lembro de seu carinho por ela.

Eu tinha um padrinho que me ajudava muito quando meu pai morreu. Sempre minha mãe me mandava no bar dele pedir ajuda a ele. Depois foi ele quem precisou de ajuda e como eu recém tinha casado, criou-se um obstáculo entre o que eu queria fazer por ele e o que meu marido achava da situação. Acho que não consegui ajudá-lo como gostaria de ter ajudado. E me sinto culpada por ele ter passado trabalho.

As coisas mudam bastante em família. Lembro de minhas primas quando eu era pequena. Chorávamos abraçadas a cada despedida nas férias de verão.

Hoje tenho elas no orkut. Uma até vi no twitter, mas o tempo e o amadurecimento esfriou tanto nossas relações que hoje nem nos falamos.

É bom que guarde esse carinho e tomara que a afilhada guarde isso também.

Até logo mais.

Samilla Fonseca disse...

Ficou muito legal o poema. No começo pensei que fosse sobre algum romance nostalgico. =)
Quando as buscas terminam, a vida perde completamente o sentido.

Alessandra Santos disse...

Ei, Leon, voltei.Acho que meu lugar é aqui na blogosfera, porque aqui eu me sinto bem.

Estranho, mas tenho a impressão de que já conheço esse poema. Achei de uma leveza, ternura e doçura sem tamanho. Gostei muito, em especial porque trata-se de uma relação entre adulto e criança, o que muito me fascina. Interessante essa troca entre os dois indivíduos de idades distintas, mas que tem muito a acrescentar um ao outro.

Espero, sinceramente, que essa relação seja reconstuída, que esses laços de amor sejam refeitos e que se tornem cada vez mais fortes.

Um beijo e até a vista!

Ind Caroline x) disse...

Amei, simplesmente!
achei fantástico!
Eu me lembro da sua afilhada, e acho maravilhoso você ter escrito isso, na verdade, realmente ela é um amuleto pra vc, pq ela te inspirou maravilhosamente!
Eeei! esse poema é tão leve, que me pareceu aqueles que são narrados com imagens e vídeos, q as pessoas põem no youtube, inclusive o Pedro Bial tem vários..
você deveria fazer, vai ficar maravilhoso!
Beijão, e to de volta das férias com a corda toda! hahaha
bye

Gabriela Marques de Omena disse...

Belos versos!!
A busca de um motivo nunca cessa, não? Ainda vivo procurando o meu, e me iludo às vezes achando que ainda o encontrarei. Será? Espero que um dia tudo se encaixe.

Coisa linda isso de passar conhecimento pros afilhados, filhos, netos. Acho lindo.

Imenso beijo.

DO CASTELO disse...

A cultura deve ser preservada a todo o custo. Por isso peço desculpa por vir ocupar este espaço que é seu para, juntos, divulgarmos os IX JOGOS FLORAIS DE AVIS, cujo regulamento já se encontra disponível em www.aca.com.sapo.pt
Obrigado.
Fernando Máximo/Avis

Dayane Pereira disse...

Todo um ar de romance, mas depois notamos que nao, um amor paternal esse pela afilhada.
Tenho um afilhado, e deu até saudade dele. >.<

Gabriela Andrade V disse...

Leon, sempre um grande prazer me dá quando venho ao teu blog, pois aqui encontro textos inspiradores e hoje não poderia ser diferente. O final sintetiza todo o poema e ai está o belo arremate - digamos assim - porque você conseguiu dar o ponto final ou nó na linha que ficara solta.
Bela a forma como você se expressou para a sua afilhada, uma grande demonstração de amor. E torço para que mate as saudades dela e leve-a novamente para visitar aquele lugar. (:
Beijos e parabéns pelo blog!

Gabriela Marques de Omena disse...

Olá Leon, aqui estou eu novamente, vim avisá-lo que em meu cantinho tem um selo pra você.
Imenso beijo, se cuida!

Gabriela Marques de Omena disse...

Oras, Leon, e como eu poderia agradecer o seu carinho?
A propósito, o recado foi sim, mas não tive coragem de excluir um deles, portanto deixei os dois. Elogios em dobro!
Obrigada, Leon, de todo meu coração. É incrível como pequenas palavras tiram sorrisos da gente, né? E você iluminou meu dia com seu comentário.
Tens razão, o selo nada mais é que tornar a blogosfera um lugar mais acolhedor. Eu gosto de selos, mas às vezes por falta de tempo (ou então paciência pelo tamanho dos questionários que às vezes me mandam) eu demoro para postá-los, mas sempre os posto! Acho bacana unirmos, deixando assim de ser um cantinho egoísta.
E eu confesso que logo de primeira, assim que li seu primeiro texto (que até hoje me recordo, fora aquele da motocicleta, um passeio por Maceió) já reconheci teu talento. Escreves muito, e além disso tem uma simpatia que contagia, adoro seu jeitinho de interagir com os leitores!
Está escrevendo um livro? Então lhe desejo sucesso, e assim que publicarem, eu quero um pra mim!

Vou ficando por aqui, logo mais venho lhe visitar. Obrigada mais uma vez por todo seu carinho para comigo e meu cantinho.
Imenso beijo, Leon. Ótima semana a você.