sábado, 25 de fevereiro de 2006
Sob as cores
um ajuste
Um suporte.
Só para, assim,
tornar-se mais forte.
Forte pra que,
se não há o que vencer?
A partir de uma flor,
a ausência da dor.
As crises, os desamores,
perdidos no jogo de cores.
Você que não tava nem aí.
Você mesma, está aqui..
Agora você sou eu.
Mas não só você.
O que ali me ocorreu
- a maior constatação -
É que o Universo sou eu!
Até o Universo sou eu.
O Universo sou eu...
sábado, 11 de fevereiro de 2006
Uma fonte segura
Genial, medíocre, boa-pinta, simpático, mil e um adjetivos podem surgir em relação a qualquer pessoa que vemos freqüentemente – ou não. Mas nada como a convivência pra se tomar uma impressão segura. Nada como a convivência, o tempo que passam juntos (com ou sem outras pessoas por perto) pra se conhecer de verdade, uma pessoa. Eu raramente me disponho a conviver com alguém para ter uma ciência de quem ela realmente é. Mas já passei por muitas situações assim.
E depois de um tempo, a pessoa diferente é tão comum como as outras... as que pareciam inteligentes são só fachada... as mais reservadas, tímidas, talvez o fossem por não ter nada a dizer – não, não. Pelo contrário. Quando falam, é definitivo. Algo carregado de sobriedade.
Essas coisas, só se sabe quando se convive.
quinta-feira, 26 de janeiro de 2006
Afixado
O leque flabele
ma' belle, que elege
a beleza, que em ti
se restabelece.
E fixa, afixa,
como mosquito, que pica,
como um tremeluz, que pisca,
um peixe, que morde a isca
um lápis, que rabisca
um spray, que picha.
E fixa.
quinta-feira, 29 de dezembro de 2005
Você, todo poder
o que você vê?
A noite, a sina
de viver
olhe pra mim
dândi démodé
olhar não ensina
mas faz entender
você me vitima
é todo poder
meus olhos lacrimam
sábado, 3 de dezembro de 2005
Versos?
Só na minha mente, imersos,
pensamentos podem aparecer.
Pois se eu os expor,
o meu mais íntimo,
sempre com dor,
entregarei ao mundo
tornando-me ínfimo,
só mais um.
Assim, não vou dizer!
Versos, poesias e poemas
Não vou fazer!
Em cadernos camuflados,
dos mais diversos temas,
guardarei-os,
quando feitos,
só para mim.
Então, aqui,
o que colocar no fim?
Palavras confusas,
para fazer alguem rir?
Não sei, mas confusas
estas serão.
Ao ponto talvez,
para manter o padrão,
em meio a tantos,
fingir-se de verso.
O qual não pode ser
pois aqui eu não
revelaria o meu ser.
domingo, 20 de novembro de 2005
Entremeio
é o muro
é o muro que guarda a Grande Torre
guarda dela mesma.
no fim da tarde ela emudece
calam-se os murmúrios
e os fantasmas descem as escadas.
há muita perdição.
veio alguém e escancarou as janelas
mas o menino que não tem medo do escuro
encastelou-se
ficou olhando o muro pra ver as estrelas.
o muro era alto
e o menino enquadrado não viu.
apareceu Ariadne que fez
um buraco no muro
a parede caolha
e o menino espiando o lado de lá.
o mundo tem entradas pra fora, disse o menino com medo da luz.
as estrelas estavam perto.
quarta-feira, 9 de novembro de 2005
Sinestesia
Camisinha, um monstrengo
Casamento, um instrumento
E crio planos meus
Baseando-me
em olhos iguais aos seus
Mas não sou fariseu
Eu procuro sozinho
Sem ajuda de Deus
Pareço um mau cabotino
E, sei, detesto axiomas,
Mas exercito a palavra
Pois quem tem boca vai a Roma
Eu sigo vendo um hino
Que me soa um transparente aroma
transparente como hialino
domingo, 30 de outubro de 2005
Às Portas da Percepção
A rota dos bairros decadentes da Cidade Baixa não é a preferida entre as pessoas de Natal, muito menos entre os jovens, acostumados às badalações de Ponta Negra. Mas não há melhor lugar para render-se aos prazeres da boêmia, das boas conversas e das aventuras com as tetuxes nas noites às margens do Rio Potengi.
Para o afago de algumas bebidas com alguns bons amigos, velhos ou não, nos botecos em que eu tocava (quando morava por perto, há uns anos) com a minha antiga banda, aquela chamada Cavalo Amarelo, cujo nome afastava os cristãos mais inflamados e excitava mesmo os que não gostavam do rock jovem, era uma tortura ter de chegar nos melhores ambientes tendo sempre de passar pelas rotas da marginalidade, onde nem todos são bem-vindos.
Lembro-me de quando tomei “uns tapas” duns moleques, supostos vigilantes, simplesmente por beliscar, no máximo, o joelho duma das putinhas da região enquanto conversávamos. São incompreensíveis estes personagens da noite. Em alguns casos, a pessoa só se livra dos sopapos se topar comprar um filete de baseado por uns dez contos. Não na base da pressão, eu só me acostumei mesmo aos remédios alucinógenos e chás de cogumelos, que, como dizia o guru Aldous Huxley, ajudam-nos a abrir as portas da percepção para uma visão sacramental da realidade.
E assim, se ia longe: só mesmo o bairro da Rocas, mesmo com toda a malandragem, os riscos, a promiscuidade, a irresponsabilidade, a idéia de que tudo é efêmero – ou mesmo por tudo isso –, é o ponto mais alto para exercitar a psique e ultrapassar, enfim, as portas da percepção.
quarta-feira, 12 de outubro de 2005
Pela Luz, Pela Vida
Por que parar de armar?!
E por que não amar?
Por que não negociar?
E por que não beijar?
Se amanhã o Sol
nem, talvez,
poderá brilhar?
Pelo SIM à proibição da comercialização de armas de fogo e munição no Brasil
sexta-feira, 30 de setembro de 2005
Soneto das Lições
inova constantemente na didática
Nossa História é o passado redivivo
na exatidão da tua Matemática!
O estudo da vida, em nós, profundo,
demonstrara que a Geografia
nada mais era que a Anatomia
descobrindo nosso próprio mundo!..
Em tua língua, entendo o Português,
e sinto, quando a Química, mais uma vez,
desencadeia, em mim, todas as reações
do amor!... E em minha Literatura
és a matéria da Física mais pura;
O magistério das minhas emoções!...
quinta-feira, 22 de setembro de 2005
Fora agora
A noite
a fio
E só a bruma
Nem a luma,
sem cor
alguma
Um fado,
como som
de um dia cansado
que passou
e como desagradou
quinta-feira, 8 de setembro de 2005
Cabeça Vazia, Panela do Diabo
Diz-se que nos tempos de crise é que as coisas se revelam. Tanto as pessoas, como os fatos, as perspectivas, as idéias. Tudo se mostra muito mais nítido quando visto na escuridão, talvez por se usar os olhos mais atentos. Mas nessa fase de uma luta política - e falsa crise -, é que nós temos uma medida de como as pessoas não estão preparadas para fazer frente ao sensacionalismo.
Tal como acabei de dizer, viver num país em cuja conjuntura instaura-se uma luta política, uma briga de interesses, entra em cena a ideologia. Vivendo num país de 30 milhões de indigentes, onde os graduados não têm emprego garantido, e dono de uma imensurável concentração de renda, é notório como o Brasil é um país direcionado aos interesses de uma classe dominante. Isso ninguém nega - "rico sempre se dá bem". Seria tão estúpido, por ser tão claro, entender que nós vivemos também sob a égide de uma ideologia que só beneficia a um pensamento?!
Qualquer pessoa que conheça a História do Brasil e a de outras nações compreende como o nosso contexto não é nada complexo. Pelo contrário. Era exatamente previsível - eu mesmo já falei sobre, quando ainda usava o blog no endereço antigo. Com a mídia parcialíssima que nós temos, os brados pseudomoralista dos membros mais funestos do Congresso, que aparecem como defensores da ética e da justiça, é perigoso ver como todo mundo (todo mundo!) tem engolido o que vê na TV ou nos jornais mais claros. Ora, não dá pra você apenas ler a Folha de São Paulo e dizer que tal ou qual membro do governo é corrupto. Não dá pra dizer que o Zé Dirceu é um ladrão sedento de poder só porque saiu na capa da Veja. Nunca vi tamanha afronta à inteligência humana. E fico muito aborrecido, muito mesmo, que todos esses ataques ao governo, ao Lula, ao movimento progressista seja ecoado por quem mais os defendia, outrora. Vide as migrações para partidos radicais, e o silêncio dos intelectuais de esquerda. Mas como é tênue a linha que separa a compreensão e a análise fina da estupidez. Tenho medo do que virá. Nada mais patético do que o Lula tentar alertar o povo, afirmando que se ele cair "serão precisos mais trinta anos para que a esquerda volte ao poder", e ainda seja alvo de chacota. Pobre Lula. Pobre Zé Dirceu. Grandes histórias, que para a mediocridade tupiniquim não suportam uns adjetivos desagradáveis partindo dos velhos oligarcas da Nação.
Eis como é recebido o governo mais democrático da história do Brasil. Nunca o esporte foi visto como questão de Estado, e agora compreende-se sua importância como inclusão social, com elevações no orçamento. Nunca antes o governo patrocinou conferências como as de Saúde, Educação, Juventude, Negro, Índio, Mulheres, Cultura (...), que já reuniram milhares de brasileiros, "povão" e especialistas, discutindo juntos. A intelectualidade reacionária argumenta que conversas e conferências não resolvem nada, o negócio é ação. É o problema de um país em que o diálogo não é uma virtude a ser preservada; é o problema de décadas de uma educação que não ensina a discutir. Também nunca houve tanta liberdade política, os movimentos sociais nunca tiveram tanta voz, e tanto espaço (vide a Coordenação dos Movimentos Sociais, criada pelo próprio Lula, canal de comunicação inédito de povo-governo). Há muito tempo foi embora do país os planos desenvolvimentistas, mas retornaram de 2003 pra cá. Produz-se muito - aliás, nunca se produziu tanto, nunca se comprou tanto. Nunca antes se tomou medida concreta para acabar com a Seca. E o governo já autorizou uma medida que, com apenas 1% do Rio São Francisco fará com que 1/3 do território nacional sejam integrados. Mas isso tudo não parece argumento. Morre quando as pesquisas (quem paga as pesquisas? E quem paga a quem as paga?) demonstram que a popularidade do Lula cai a cada dia. Que fazer?, o próprio Lenin, como já fez muitas vezes, perguntaria. Tá aí a questão: fazer justamente isso. Perguntar. Por que o governo é tão atacado? Talvez por, ainda timidamente, tentar criar novo rumo para o país.
Não preciso responder. A verdade não está na boca das pessoas, mas está no cotidiano delas.
segunda-feira, 8 de agosto de 2005
Controvérsia
Entre a observância e a ineficiência,
um passo tão simples,
uma mesma forma de agir.
mas tão diferentes entre si.
desigualdade na igualdade, enfim.
Perverso, realmente.
Desejo controverso.
Introverso, submerso.
a realidade abafada.
São as mesmas criadas,
as desdenhadas.
só o inverso, o inverso e o inverso.
porém sempre emerso.
quarta-feira, 15 de junho de 2005
Só pela Convivência
Não é necessário, claro, pregar niilismo. A compreensão e aceitação de que nossa história acaba a qualquer momento é a mais cruel resposta que as pessoas gostariam de receber. A religião, a filosofia clínica, os livros de auto-ajuda, a televisão, tudo direciona a mente humana pra solução de problemas e a busca de novos interesses. E neste ambiente em que cresce-se com a pressão para ser "alguém na vida" - o mais tolo dos jargões -, a sociedade acaba por cair numa depressão coletiva, um sentimento cru e pessimista ao constatar a que vida é tão cheia de responsabilidades quanto contrariedades.
"A vida é um acidente de trajeto", alguém já deve ter dito isto. Levá-la a sério é algo que se deve pelo menos ignorar, mas desconsiderá-la definitivamente seria falta de bom senso. Viver é bom, apesar dos pesares. Adquirir conhecimentos, aprazerar-se, tentar construir algo que fique para a posteridade. Fazer marcar a nossa passagem. Nada mais bonito. Quando há ciência de que ao final de tudo não partiremos "desta pra melhor", há o contrário do que imaginam (a quem coloca os niilistas numa posição de seres marginalizados e depressivos): vive-se mais intensamente, e mais qualitativamente.
Sem certezas, sem motivos nem objetivos. Viver é o mais importante. Tal como Epicuro ensinava, a ausência de dores e quaisquer formas de apreensão são os principais ditames para se ter uma vida saudável e consciente. Desde muito jovem, eu vez por outra sonho com uma menina, boêmia, que só sabe beber e dar conselhos. Sonhei com ela, esta noite, e com uma das frases que esta adorável proxeneta já me disse mais de uma vez, encerro o post.
"A única preocupação deve ser a convivência".
domingo, 12 de junho de 2005
Uma Apresentação
E, bom. O outro blog mantém sua razão de ser, com minhas exposições sobre o cotidiano (tanto o meu quanto o geral) e a este dedicarei, decididamente, menos tempo, pero mais importância filosófica, generalista, ou qualquer coisa mais pessoal.
Sendo assim, encerro aqui a minha bastante breve apresentação inicial, dos propósitos e interesses do blog. Penso postar aqui, pelo menos uma vez por mês. Qualquer coisa, apareçam.
quarta-feira, 8 de junho de 2005
O Início
terça-feira, 17 de maio de 2005
Selos e prêmios
O blog não tem restrições quanto a selos - como a recusa automática a expô-los, por exemplo -, porém, como eu mesmo já comentei a pessoas que mos ofertaram, sou um blogueiro ali dos tempos distantes (fiz meu primeiro blog em 2003), e, ainda que seja saboroso o hábito de visitar e comentar postagens de outros blogs, o processo de interação que tenho para com eles (e para com o mundo dos blogs em geral) é quase zero: não participo de sites de blogs, nem de muitas campanhas existentes, etc... Isso se dá porque, após anos postando em páginas solitárias e distantes dessas atividades conjuntas, mantenho certa hesitação em me envolver nesses editos por não saber ainda lidar com eles. Sou um blogueiro amador, solitário e inquieto. Mas não sou ingrato, agradeço a todos que me enviaram selos e os exporei abaixo:

Literatura Vil é um blog que não é para qualquer um, e nem é para todos os dias. Textos muito bons!
Este selo me foi passado pela Ana, d'O Outro Blog da Ana, e eu já havia me referido a ele na ocasião, inclusive repassando para outros cinco selos. A Ana, embora esteja ausente deste blog (e eu do dela), é muito querida e sempre escreve belas histórias, engraçadas e envolventes, de sua vida na Europa. Além do que, seu blog tá sempre atualizado, a despeito do meu, que ela soube delicadamente alfinetar. Um primor.
O Leon anda cada vez melhor. Seus contos são umas das poucas coisas originais que tenho lido no Rio Grande do Norte, terra de grandes presunções e raros talentos.O Ângelo Girotto, escritor do Tá na Cara!, me mandou este selo recentemente, cujo valor, pra mim, é emblemático. Antes de conhecer pessoalmente esta figura e de nos tornarmos amigos, já lia na internet as poesias que ele escrevia. Foi bastante influenciador nos rumos que tenho dado a meu blog e é o único cara vivo e potiguar que eu reconheço que escreve fuderosamente bem. É uma honra.

A Rô, responsável pelo Sangue, Rosas e Vinho Tinto, dentre outros projetos virtuais, me passou este selo, conferindo ao meu blog, o título de "mente iluminada". O seu blog, que conheci há poucos dias, também justifica o fato de ter recebido o prêmio; é espaço de fraternas discussões, tudo sempre adicionado a uma bela dissertação da dona. Também me aprazera receber esse selo.

segunda-feira, 16 de maio de 2005

Neste ano, em uma das comunidades de escritores amadores que proliferam pela internet, eu conheci o Nanowrimo, um site norte-americano que todo mês de novembro promove um "concurso", desafiando os candidatos a escreverem uma novela de 55.000 palavras em trinta dias. Durante os meses precedentes, eu me preparei para o desafio, porém, para meu azar, o mês de novembro chegou e meu pc deu pau, de modo que eu não poderia dar início à minha história e atualizá-la diariamente.
De qualquer modo, a partir daí surgiu meu interesse em publicar um livro, entrei nas páginas de editoras, de escritores, enviei emails, pesquisei e saquei que o mundo editoral é, na verdade, uma grande canalhice - um cochavo muito mais sólido, por exemplo, que a indústria fonográfica, uma vez que a cena musical independente e regional aos poucos começa a romper a lógica do mercado; no âmbito literário, as editoras continuam intocáveis.
Quer dizer, quase intocáveis. Atualmente, tem-se disseminado uma categoria de editora, taxada como "sob demanda", onde ela publica livros, registra-os na Biblioteca Nacional, e o autor arca com alguns custos, com a vantagem de ter todo o controle de sua obra nas mãos, desde o desenho da capa, à diagramação dos textos, a revisão, etc. Com tudo isso, ainda tem assistência das editoras com apenas alguns custos a mais.
Isso me empolgou e me fez planejar de fato a idéia de escrever um livro. Pensei, então, no que fazer: um romance, uma novela, um livro de contos... a princípio, a primeira idéia me pareceu mais sólida. Mesmo porque eu nunca escrevi um romance, e seria um desafio duplo, este primeiro livro. Porém, em conversa com alguns amigos (por acaso, leitores meus), solidifiquei a idéia de manter o estilo que apresento neste blog, e escrever um livro de contos, como obras inicial.
Enquanto o Sono Não Vem trará notáveis aventuras, diálogos, experiências e reflexões em cenários urbanos e intimistas... poderá lembrar um thriller, um salão de horrores, ou qualquer coisa... exporá a miséria do estômago e do intelecto, a sede de álcool e de conhecimento, o niilismo que é condição-mor da existência solitária e um intenso gosto pela vida. Tem influências diretas e indiretas de inúmeros outros escritores, poetas e parceiros de profecias. É uma obra individual, mas que bebe de tudo que antes já foi produzido.
O livro está em fase de produção, e nesse meio-tempo estudarei a disciplina que deverá ser mantida aqui no blog, já que permanecerei fazendo contos para os dois lugares, sem decréscimo da qualidade que posso oferecer. Será uma obra totalmente independente, sua produção, diagramação, revisão e tudo mais ficará absolutamente a meu cargo.
Eu pretendia lançá-lo no primeiro semestre de 2009, mas a idéia foi temporariamente abortada.
sexta-feira, 15 de abril de 2005
Este texto foi publicado em terceira pessoa, mas isso não faz a menor diferença; afinal, a primeira, a segunda, a terceira e todas as pessoas deste blog são eu mesmo.
=> Leon K. Nunes é graduando, cursa o 7º período de Licenciatura em Geografia. Já tentou fazer Filosofia, Direito, Jornalismo, Desenvolvimento de Software e Geologia e Mineração. Nos três primeiros, sequer chegou a cursar por fatalidades (é verdade!), e os outros até cursou, porém não concluiu, por semelhantes fatalidades (desta vez, não é tão verdade assim...).
Aos 22 anos, enfim quebrou seu recorde no tempo em que esteve trabalhando: bastou se manter três meses lecionando Geografia no Atheneu - onde continua até hoje -. uma escola estadual sucateada, esquecida e restrita a estudantes periféricos de baixa assistência. A seu favor, conta a tradição: é a escola mais antiga do Brasil em atividade.
Se levar em conta o tempo em que passou namorando, podemos considerá-lo um grande trabalhador!
Foi liderança estudantil, escalou desde o cargo de líder de sala duma escola pública suburbana até a presidência do Grêmio da maior instituição do estado. Promoveu diversas passeatas, escreveu vários artigos e entoou muitos discursos, entretanto fracassos não demorariam em lhe bater a porta. Foi fundador e presidente do Centro Acadêmico de Geografia (CaGeo), embora seu maior, ou mesmo talvez o único legado no movimento estudantil sejam os desafetos que fez.
Em 2007, criou, junto aos poucos parceiros de lutas e sonhos, a revista Tá na Cara!, elaborada semiprofissionalmente e vendida em diversas bancas da cidade a meros 5 reais, para a qual escreve e revisa - cada vez menos as duas coisas.
Entrou para o Partido Comunista do Brasil com o desejo de participar da Revolução a partir das fileiras desta organização. Saiu pela porta dos fundos ao lado de mais de dez camaradas, brigados e ignorados por dirigentes municipais, estaduais e nacionais. Atualmente, abriga-se no Partido dos Trabalhadores, onde é dirigente de uma corrente interna da chamada "esquerda petista".
Já entrou pra banda de metais de sua escola como músico trompetista, mas a banda faliu antes do Sete de Setembro. Tentou montar bandinha de rock que morreu ainda na concepção, mal tendo o direito de tocar numa garagem. Participou de congressos da UNE mesmo antes de ser universitário e virou integrante ativo de experiências escatológicas, sexuais e agressivas. Teve uma penca de blogs na Internet, embora somente noutros três ou quatro tenha mantido certa regularidade. Atualmente, este é o único atualizado periodicamente.
Viveu a maioria de suas aventuras negras, drogadas, bêbadas, romanescas e tumultuadas na fase adolescente, e ocasionalmente pouco se mete em encrenca. O trem da vida parou em alguma estação inóspita e ainda não há certeza se vai seguir em frente. De qualquer forma, mesmo as mais antigas histórias ainda lhe ecoam a cabeça e servem de inspiração para as composições deste blog.
Todos os textos desta página, mesmo os não-autorais e os ficcionais são de teor autobiográfico ou refletem a opinião do dono. Portanto, não serão expostas aqui, sob nenhuma hipótese, postagens que não se adequem a tais condições, sejam de amigos, seja da namorada, seja do chefe, seja da mãe (esta, se não ler este blog já faz um grande favor). Porém, se sua avó analfabeta escrever algo, certamente os leitores terão a oportunidade de apreciar.
...
Acredita no socialismo como um caminho para superação à barbárie do mundo atual, capitalista-cristão. Rememora velhas lideranças como Che Guevara, R. Luxemburgo, Stalin, Marx, Lenin, Amazonas. Apoia o presidente Lula e o seu Governo. Mas isso tudo não o impede de, filosoficamente, ser adepto do niilismo. Pelo contrário: é socialista não por quaisquer idealismos, mas por pura opção racional.
As maiores influências literárias deste blog são Aldous Huxley, Charles Bukowski, Jack Kerouac, Graciliano Ramos, Jorge Luis Borges, Gabriel Garcia Marquez, Victor Hugo, Rubem Fonseca, entre uns e outros.
Ouve música de estilos diversos, entre clássico, rock progressivo, blues. Não gosta, contudo, de variantes. Rock com pitada de forró, jazz com pitada de salsa, e outras misturebas idolatradas nessa era de arremedo cultural que uns chamam de pós-modernismo são dispensáveis.
Quaisquer detalhes não-lembrados aqui podem ter sido ocultados por puro propósito. Ou será destacado na cargo da próxima atualização, daqui a um ano.
No mais, estou indo embora.
domingo, 6 de março de 2005
Melhores momentos
Depois de dois anos de um inferno astral aparentemente sem fim, de insucessos em vários campos, problemas familiares, reprovações atrás de reprovações na escola e em cursos, eu não estou em paz com o mundo - estarei sempre em guerra com ele - mas posso dizer que hoje realmente as coisas esfriaram bastante.
Mas a virada foi também muito rápida. O ano começou péssimo. Péssimo mesmo. A primeira notícia, vergonhosíssima, foi que não consegui passar na porra do vestibular de Filosofia. Tirei zero na prova de Química. Zero. Pra que um filósofo tem de entender de termodinâmica, eletrólises, ligações químicas? "Somos só átomos e vácuo", dizia Demócrito.
Mas logo a seguir fiz o vestibular do Cefet, que oferece tantas oportunidades quanto, mas é infinitamente menos visado que o da UFRN. E, bem, eu realmente não esperava que apenas isso mudaria consideravelmente as coisas. O resultado foi positivo, fui 2° lugar no ranking geral, escolhi um curso, que, ao contrário de Filosofia, é muito melhor-visto, e minha mãe até pareceu orgulhosa (sempre parece quando fala de mim pr'as outras pessoas). De qualquer forma, a barra aliviou por aqui. Serviu como um pouco daquela coisa de "provar pra todo mundo que eu não precisava provar nada pra ninguém".
Além do mais, soma-se a isso o fato de a qualidade de vida da gente ter-se aumentado consideravelmente, nos últimos tempos. A justiça tem andado (pelo menos no nosso caso), as manifestações têm dado retorno (minha mãe é servidora federal, clássicos reivindicadores de aumento salarial), e outros fatores têm contribuído para um rápido crescimento dos números no contracheque de minha mãe, que, na verdade, mal trabalha.
Como se não bastasse, até a sorte ajuda. Na primeira compra que fiz (uma reles sanduicheira) com um cartão de crédito, estive automaticamente concorrendo a um sorteio oferecido pelo cartão (ao qual não estava sabendo). E de quebra, pra fechar (fechar? Será?) com chave de ouro esta fase, eu ainda ganhei uma assinatura anual da revista Época e um tal dum relógio Mondaine - que, na verdade, é um modelo feminino, e eu terminei por dá-lo para minha mãe. Eu não sei o que ele pode ter de mais especial e a Época nem é minha revista preferida, mas como qualquer cidadão moderno, sempre disposto a aceitar tudo, não seria eu que os recusaria.
Fosse a Veja (revista à qual não poupo críticas), poderia até pensar em dizer não praquela voz de sotaque paulista que me tendia a topar a oferta. O relógio, disse a senhorita, é no valor de 300 reais. Minha mãe, ostentadora contumaz de cifras e objetos de igual valor, 'até que gostou' daquilo. E agora tá lá, toda aparatosa, e munida do seu novo e querido Mondaine.
quarta-feira, 5 de janeiro de 2005
segunda-feira, 20 de dezembro de 2004
Primeiros momentos
Eu tava preparando uns textos aqui pra minha mãe, na verdade umas poesias de ex-alunos da escola em que ela trabalha (NEI, uma escola infantil), e dentre aquelas mensagens nostálgicas, eu lembrei também da minha primeira escola, do meu ensino infantil, dos velhos amigos e professores. Boas lembranças, claro. Sobretudo pra mim que sempre considerei a minha infância - na escola - quase perfeita.
Não é difícil puxar na memória. Estudei nessa escola, que ainda hoje continua de pé, no coração do bairro Lagoa Nova, de 1990 a 1996, e sempre pensava em mudar de escola - pensava em como seria empolgante isso. Esse período em que lá estive me parecia eterno, uma vidinha inteira dentro de um recinto. Mas eu veria que a eternidade viria logo depois, assim que eu mudasse de escola - e aprendi que a eternidade nem sempre se reduz à quantidade de tempo.
Eu não conhecia muita gente na escola. Apesar do largo tempo, minhas amizades se reduziam aos meus colegas de classe. Nos divertíamos perdendo tempo exatamente como hoje, com papo-furado sob as árvores, jogando uma bola, ou olhando pra qualquer garotinha nova na escola. Éramos um grupo reduzido de colegas, sempre malhados pelos caras das turmas de nível mais elevado que o nosso (lembro que os caras da oitava série eram os piores).
Eu mudaria de escola pela primeira vez em 1997. Não por insistência minha, mas sim por aperto no bolso de minha mãe, funcionária pública, no auge do reacionarismo de FHC. No primeiro semestre, passei quase indefinido, estudando em umas três escolas diferentes. Mas ao segundo semestre postei-me numa escola pública, na qual estudaria durante quatro longos anos. E daquela minha primeira escola que ficava pertinho de casa (agora não ficava mais, eu também já estava morando num bairro periférico), só sobrou um ou dois colegas com quem ainda me encontro, muito eventualmente.
Fico até imaginando como eu era, até esses dez anos. Se eu visse na minha frente hoje aquele Leon, aquele moleque inseguro, nervoso com qualquer coisa, diria "tenha senso de humor, cara, você vai precisar". E quer saber? Só uma coisa é importante: não se preocupar com nada, porque tudo é uma ninharia. Paciência.
domingo, 31 de outubro de 2004
Noite cheia
Se eu pudesse escolher um instante pra viver eternamente, seria nessas madrugadas. Se pudesse levar comigo um móvel, seria a poltrona. Nada melhor que sentar ali na sala, na poltrona confortável, no maior breu e escutar músicas gostosas de ouvir, sejam de rádios ou particularesm sejam populares ou clássicas. Passo horas ali, imutável, absorto, longe de dormir, mas igualmente longe de estar acordado. Pode-se pensar em tudo, ou em nada. Tempo não falta. Muito menos, um momento mais apropriado!
Madrugada, madrugada, madrugada. Hora de escrever para uns, de chorar para outros, de dançar, de ler, de fazer sexo, de conversar, pela internet, por telefone, pessoalmente... qual outra melhor hora?
quarta-feira, 1 de setembro de 2004
quarta-feira, 25 de agosto de 2004
Aprovação coletiva e satisfação particular
Eu nunca me imaginava, ter um blog. Não, não, parecia algo sempre distante. Tanto porque eu não imaginava que poderia acompanhá-lo, talvez por falta de tempo, ou por achar que não teria como pôr mais textos, que uma hora a cabeça ia vazar, que ia me dar branco (sempre dá, mas sempre consigo enrolar). De uma hora pra outra eu decidi fazer um blog. Numa tarde eu visitei vários outros, vi o que podia fazer, e elaborei o meu. Não tinha grandes pretensões, o que queria apenas seria colocar textos que agradassem a mim, textos que eu recomendaria a quem quisesse me consultar. Teriam meu blog pra isso. Colocaria crônicas, poesias, postaria coisas de meu cotidiano, faria críticas a isso ou aquilo, enfim. Não estou fazendo tudo o que planejava, mas estou fazendo mais do que achava que ia fazer, devo admitir.
No princípio era como dizia o Pinho, outro blogueiro: "antes eu escrevia às paredes". E comigo era assim, até dia desses. Agora, até que tá sendo mais visitado. Tenho visto mais blogs por aí, e comentado, e é bom quando o pessoal vem retribuir a gentileza. É sempre bom receber comentários. Eu pensei em acabar com o blog (na verdade, todo dia penso), mas como já disse eu o mantenho como um reduto. É bom ter um lugarzinho seu, ainda que virtual.
Aos que passam por aqui, meus sinceros agradecimentos. Fico feliz com a visita de quem quer que seja. Ademais, quando possível, comentem! Deixem a sua marca, demarquem o seu território. Esse blog é meu; e o que é meu é de todo mundo.
quinta-feira, 19 de agosto de 2004
Assombrado por Raskolnikoff
sexta-feira, 13 de agosto de 2004
Blá blá blá
Eu não tento colocar nada muito engraçado por aqui. Eu até sou bem-humorado e tudo, mas eu nunca consigo pensar em nada assim quando estou sozinho, quando faço algo pra mim mesmo. É muitíssimo diferente o comportamento que tenho entre pessoas e o que tenho quando estou só. Quando eu digito um email não, eu ainda direciono a alguém.. mas quando eu digito pro meu blog estou digitando pra ninguém, ou pra mim mesmo.. não há porque e não há nem como eu fazer algo mais pra cima que isso.
Mas não quero ninguém carrancudo. Eu tento colocar algo interessante (não que eu ache que vão procurar algo aqui), mas aí eu teria de pensar muito. Já me perguntaram porque eu não acabava com esse blog. Penso nisso todo dia (aliás, nem penso mais nesse blog), mas eu o deixo no ar como um último reduto meu. Já faz algum tempo que deixei de pedir que entrem no blog (alguma coisa me dizia que ninguém me atendia, então pra não parecer chato, mudei um pouco o caráter disso aqui. Pensarei menos em quem pode ler, mas pouca coisa vai mudar. Continuarei colocando textos que agradem a mim, que eu os considere interessante e mesmo recomendáveis. O blog continua aqui, vivo e disponível... blog de uma visita só!
domingo, 25 de julho de 2004
Apenas eu?
Cairia bem, aqui. É justamente o que acontece comigo, no mínimo é um algo inusitado. Por aqui também não são tantas as pessoas que lêem, além de não haver expectativa de crescimento, pelo menos por enquanto.
Mas tudo bem. Eu certamente não pensava nisso quando fazia o blog (não sou tão ingênuo assim). E não é na carestia de espectadores que vou deixar de escrever. O que eu queria tá tudo aqui. A gente segue em frente. Talvez algumas pessoas aqui e ali gostem de ver o meu blog. E devo o meu respeito a elas.
De todo, é justamente isso. Depois vejo umas forma de publicidade pra essa produçãozinha. (assim que eu chegar a um consenso sobre o que proponho com isso). Por enquanto, fica sendo uma brincadeirinha de um jovem internauta a fim de algum entretenimento próprio e solitário.
domingo, 18 de julho de 2004
No apagar das luzes
Cá estamos, dando razão de viver a este blog, a despeito desse sumiço de dias. Bem, eu até tentei postar certa vez nesse meio tempo, mas no final de tudo alguma coisa deu errado, o pc morreu no momento da conclusão. Acabei ficando meio desestimulado pra digitar algo, embora eu tenha estado muito tempo na rede nesses últimos dias. Via mais matérias sobre política e esportes, tal como antes. Mas tenho visitado bastantes blogs por aí. Uma boa opção pra quem já tá cansado da mesmice que a internet pode se tornar. Depois eu coleto alguns textos interessantes de outros blogs.
Por ora, humm... ando sim é com muito sono. Cabeça zonza, aqui. Vou já me acomodar.
Agora não tenho tanto a fazer. Quanto ao dia, hoje foi legal, fui ver uma peça (quase um monólogo) chamada Pra Resolver os Problemas do Mundo, onde, apesar do conteúdo mais filosófico, teve de tudo. Eu soube de última hora, pelo Tribuna. Mas valeu a pena ter saído de casa, ainda que só pra isso.
sexta-feira, 9 de julho de 2004
Do dia à madrugada
Madrugada, estamos por aqui... nada da minha mãe por aqui, e eu ouço Lago dos Cisnes... nossa, que paz! Pena que sairei logo logo, amanhã tenho mais um dia como os outros para não fazer nada.. hoje bem que poderia ter sido mais peculiar. Tinha um bêbado lá no ônibus, até o convidei pra sentar a meu lado, mas ele preferiu importunar um velho arrogante e mal-educado (mais do que o ébrio).. fazer o que, deixem. nessa quinta também assinei mais um atestado de incompetência.. fui reprovado no reteste do Detran.. por aí vai.
Tá tudo bem complicado, acho que tenho feito pouca coisa por mim. De qualquer forma, vamos aprendendo com as lições (um dia a gente aprende de verdade), e de repente, as coisas voltam à sua normalidade (da qual saíram, pelo menos no meu caso, há muito tempo). Enquanto isso, fico nessa.. amanhã acho que vou comprar um cd do Robert Johnson, um blues bem intimista.. cai bem nessa hora.
quinta-feira, 8 de julho de 2004
Overture
Estamos aí.. na falta do que fazer, e aceitando algumas sugestões, apresento meu blog. Ainda não decidi como vou aproveitar esse espaço. Espero que essa idéia não seja um fracasso, como geralmente acontece com trocentas coisas que faço pela internet.. acho que será divertido, e interessantíssimo, acomodar meu dia-a-dia e outras coisas mais por aqui, ter um registrozinho.
De qualquer forma, tudo no lugar, qualquer coisa é só postar. Se alguém ler, agradeço muito. Talvez nem eu volte mais aqui, quando esquecer o endereço. De todo, sem mais a acrescentar. Até depois!